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Resenha
O momento da comunicação empresarial
Rosana Borges Zacharia
Publicitária, coordenadora do Curso de Publicidade e Propaganda
da Unimep, doutoranda do Programa de Pós-Graduação
em Comunicação Social da Umesp.
BUENO, Wilson da Costa. Comunicação
empresarial: teoria e pesquisa. São Paulo: Manole, 2003.
É possível dedicar-se de uma maneira agradável a
reflexões e dados concretos sobre a comunicação empresarial,
como mostra Wilson Bueno nesse livro, que o legitima como pesquisador
e profissional no assunto, embora, o leitor se depare inicialmente com
um autor que se coloca com toda a modéstia diante de um trabalho
de fôlego. A leitura da obra incita ao debate e à socialização
de experiências que professores, profissionais e alunos poderão
fazer ao discutir questões voltadas para a comunicação
empresarial.
O objetivo principal da obra foi flagrar, como se diz na introdução,
este especial momento por que passa a comunicação empresarial
brasileira. Ela consiste de três partes. Na primeira, se analisam
temas relevantes da temática nos âmbitos da sociedade de
informação, no processo de gestão, na cultura empresarial,
na mídia e na interface com o terceiro setor. A segunda faz um
percurso através da sistematização de dados que possibilitam
a percepção da importância e relevância da pesquisa
na área; de maneira singular, objetiva e criativa, se lança
o olhar sobre cases conhecidos da comunicação empresarial,
a visão dos comunicadores e a visibilidade das empresas na mídia.
Na terceira parte, por fim, se oferece uma apetitosa "canja"
ao leitor, constituída por um suculento repertório bibliográfico
de obras especializadas em comunicação empresarial, fontes
e links úteis e periódicos de comunicação
de diversos países.
O autor apresenta a evolução do conceito da área
desde quando, a partir da década de 1970, a comunicação
empresarial era uma atividade residual, exercida por profissionais de
outras áreas. Nos anos 1990 ela começou a ser encarada como
estratégica para as organizações, vinculando-se estritamente
ao negócio e sendo comandada por profissionais com ampla visão
de comunicação. E, mais recentemente, passou a constituir
um processo integrado que orienta o relacionamento de uma empresa ou entidade
com todos os seus públicos de interesse.
As mudanças no perfil da comunicação empresarial
no Brasil são analisadas no contexto da pesquisa, que teve inicialmente
orientação funcionalista na aplicação e utilização
de métodos quantitativos.
Nesse aspecto, Bueno faz uma crítica à metodologia usada
para a análise de conteúdo dos meios, que incorria em sérios
equívocos: partia da convicção (absurda) de que a
análise de um dia específico de circulação
dos jornais garantia a compreensão da realidade jornalística
ao longo de um ano ou de uma década; generalizava sem restrições,
baseando-se em um grupo seleto de veículos para concluir para todo
o conjunto de jornais do País, como se os grandes jornais do eixo
Rio-São Paulo pudessem representar o jornalismo brasileiro como
um todo; admitia os resultados na mensuração de espaço
nos jornais como absolutos, desprezando o fato de que, como eram extraídos
de uma amostra, haveriam de levar em conta, obrigatoriamente, as margens
de erro decorrentes do próprio processo de coleta de dados (p.
155).
O autor registra a vulnerabilidade da metodologia de algumas teses de
comunicação empresarial das décadas de 1970 e 1980,
ao utilizarem procedimentos quantitativos que muitas vezes se restringiam
à obtenção de meras porcentagens. E alude aos estudos
referentes a uma crítica à indústria cultural, inspirados
na Escola de Frankfurt, a partir de métodos qualitativos.
Depois de perpassar a pesquisa em comunicação em geral,
o autor se detém na comunicação empresarial, área
que tem se profissionalizado nos últimos dez anos, mas que ainda
carece de investigação dada a sua característica
prática. A profissionalização requer agora "mudança
radical no paradigma anterior, que privilegiava a experiência, a
intuição e alimentava o distanciamento (preconceito?) em
relação à universidade."
Esse tipo de pesquisa, segundo Bueno, não pode se restringir ao
meio acadêmico, devendo ser incentivadas parcerias com o mercado,
que é o maior beneficiário dos resultados obtidos. O autor
refere-se a algumas iniciativas: a Aberje - Associação Brasileira
de Comunicação Empresarial, que começou a promover
pesquisas corporativas; a Comtexto - Comunicação e Pesquisa,
criada pelo próprio autor, que há anos vem divulgando pesquisas
nos congressos brasileiro de comunicação empresarial por
ela promovidos; a InterScience, que desenvolve projetos que contemplam
processos comunicacionais e tem seus resultados publicados na revista
Carta Capital; o Núcleo de Pesquisa em Comunicação
Organizacional e Relações Públicas da Intercom; e
a linha de pesquisa de Comunicação Corporativa do Programa
de Pós-Graduação em Comunicação Social
da Umesp.
Nesse mesmo contexto, Bueno enriquece a obra com nove relatos de pesquisas
de sua autoria: 1. X-Salada: como a mídia brasileira viu surgir
a Petrobrax; 2. Uma safra de notícias: a presença da indústria
de alimentos na mídia brasileira; 3. As sementes da discórdia:
o debate sobre os transgênicos em seis jornais brasileiros; 4. Verso
e reverso: quando a imagem entra em pane - a tragédia do vôo
402 da TAM na mídia; 5. Auto-retrato: a comunicação
brasileira na opinião dos comunicadores empresariais; 6. Os mitos
e motes do house-organ no Brasil; 7. A cara da mídia: a presença
das empresas nos jornais brasileiros; 8. Tudo pelo social: as empresas
nas colunas sociais; e 9. Bolsos e bolsas: as empresas nas colunas de
economia.
Um diferencial de destaque, nesse livro, consiste num levantamento bibliográfico
que traz referências sobre entidades acadêmicas ou de pesquisa;
entidades profissionais ou empresariais; periódicos especializados
que incluem publicações voltadas para o campo da comunicação
em geral; revistas acadêmico-científicas nacionais e internacionais;
revistas profissionais; e sites gerais e por temas - como, entre, outros,
auditoria de imagem na mídia; comunicação sindical;
defesa do consumidor; gestão do conhecimento; marketing cultural,
esportivo, promocional, político e social; pesquisa de mercado
e de opinião; responsabilidade social; e terceiro setor.
A comunicação empresarial recebe uma significativa contribuição
com essa obra. Pesquisadores, professores, profissionais e alunos da área
encontram nela a sistematização de importantes discussões
sobre a temática, tratada por um autor que tem dela uma visão
ampla e amadurecida ao longo de muitos anos de pesquisa e experiência
prática.
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