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Comunicação
Da Divulgação Científica à Comunicação
Jorge Duarte
Jornalista, relações-públicas,
mestre e doutor em Comunicação Social. Professor do UniCEUB,
atua na Assessoria de Comunicação Social da Embrapa.
Jon Lomberg, um artista que colabora em projetos de divulgação
na área espacial, conta uma experiência sobre a dificuldade
de trabalhar em organizações que atuam com ciência:
"Uma vez participei de uma reunião convocada pela Nasa para
melhorar suas comunicações. Sentados ao redor da mesa, com
o Administrador da Nasa, estavam vários burocratas, uma dúzia
de cientistas, alguns professores, alguns escritores de ciências,
mas exceto por mim e um outro artista/astrônomo, não havia
ninguém perito em apresentação visual da ciência,
nenhum desenhista de museu, nenhum diretor de arte de revista, nenhum
produtor de filme ou fotógrafo, nenhum produtor de televisão,
nenhum mago de efeitos especiais, nenhum gênio em computação
gráfica. Só de olhar a lista de presentes já ficava
claro qual era o problema da Nasa em relação à comunicação.
E é um problema que não é restrito só à
Nasa." De fato, o problema não é apenas com a Nasa.
Mesmo com a equipes especializadas e estruturas adequadas, ainda existe
certa incompreensão não apenas sobre papel e exigências,
mas também sobre o potencial do uso da comunicação
para ajudar as instituições de ciência a definirem
e atingirem seus objetivos.
Instituições públicas que atuam com ciência
são atores sociais mantidos pela mesma sociedade que percebe no
dia a dia problemas sérios em alimentação, saúde,
educação, infra-estrutura, mas que apóia investimentos
em pesquisa porque acredita que, de alguma maneira, está obtendo
ou obterá retorno destes recursos. No âmbito da comunicação,
recebem, processam, geram e distribuem informações, estabelecem
ligações fortes ou fracas com jovens, estudantes, professores,
parceiros, grupos de pesquisa, empregados, comunidades, movimentos populares.
Cada instituição científica possui responsabilidade
social específica não apenas de prestar contas do uso destes
recursos, mas de contribuir com a evolução da sociedade
e ajudar a torná-la mais justa. E, pela ação de seus
integrantes, podem optar por assumir esta responsabilidade ou esconder-se;
podem divulgar que produzem conhecimento, mas também serem ativas
em inserir a ciência nas preocupações e interesses
quotidianos.
No permanente debate que envolve ciência e sociedade, costuma-se
chamar a atenção para a dificuldade de comunicação
destas instituições. Dois personagens têm poder e
responsabilidade nesta questão: dirigentes e comunicadores. Dirigentes
porque representantes públicos das organizações,
algumas vezes as simbolizam, e, em última instância, possuem
a autoridade gerencial e o poder político de decidir e conduzir.
Comunicadores porque técnicos treinados em lidar com a informação,
preparados para orientar a organização, dirigentes e cientistas
a atuar junto à sociedade nas questões que envolvam a ligação
entre produtores e interessados no conhecimento.
E se parece haver certo consenso sobre a necessidade de maior compreensão
da sociedade sobre a ciência, suas características, usos
e possibilidades, como obter maior eficiência na divulgação
científica? Existem três caminhos potenciais:
· Incorporar a preocupação com comunicação
na cultura das organizações de ciência;
· Substituir a lógica de disseminação de informações
pela de facilitar a apropriação das questões de ciência
pela sociedade;
· Atualizar e ampliar os meios de relacionamento e informação
com a sociedade
Albert Einstein certa vez chamou a atenção para a importância
de "que seja dada ao público em geral a oportunidade de entrar
em contato conscienciosa e inteligentemente com os esforços e os
resultados da pesquisa científica. Não é suficiente
que cada resultado seja apreendido, elaborado e aplicado apenas por uns
poucos especialistas no campo. Restringir a parte principal do conhecimento
a um pequeno grupo enfraquece o espírito filosófico e conduz
à pobreza espiritual". Todos concordamos com a frase, mas
note-se que Einstein destaca a importância da democratização
da ciência de modo a estabelecer níveis mais altos de incorporação
de sua prática pela sociedade. Esta percepção sugere
a necessidade de existirem mecanismos e processos para que as pessoas
conheçam, envolvam-se, participem, discutam, questionem a ciência
e não apenas sejam informadas sobre seus avanços.
A noção de ir além da informação lembra
triste constatação de Richard Feynman, Prêmio Nobel
de Física, que durante dez meses, em sua segunda visita ao Brasil,
ministrou cursos de ciências, particularmente Física. Ao
fim do período, desconsolado, relatou às autoridades brasileiras
que o País estava ensinando seus estudantes a decorar fórmulas
e conceitos, mas não a lidar com eles. Não havia preocupação
em educar para a interpretação e reflexão. Como na
situação descrita por Feynman, parece haver uma tendência
em informar as pessoas sobre os avanços da ciência e não
em dar-lhes efetivas condições de que compreendam melhor
o mundo que as cerca e de se envolverem em seu processo.
Esta situação pode ajudar a explicar porque a dificuldade
de inserir notícias de ciência na mídia, a freqüente
incapacidade do jornalista em tratá-las e do cientista em explicá-las,
ainda sejam os temas mais comuns nos debates no âmbito da divulgação.
A mídia ainda é vista como a principal forma de relacionamento
com a sociedade, com todos os problemas e limitações conhecidos.
Na realidade, mesmo quando competente - e temos bons exemplos disso -
a divulgação por meio da imprensa é apenas complementar,
uma parte do processo. Nosso tema prioritário deveria ser a identificação
de alternativas para que as questões sobre ciência penetrem
no âmago da sociedade.
O desafio maior das instituições é fazer com que
as pessoas não apenas tenham interesse pela ciência - uma
etapa já superada, todas pesquisas mostram - mas que nela encontrem
respostas a sua curiosidade em compreender a natureza, a sociedade, seu
semelhante. Por isso, é pouco provável que apenas pela ciência
estar presente no noticiário signifique que as instituições
científicas e veículos de comunicação estão
cumprindo seu papel de educar ou ajudar o cidadão. A tarefa de
educação científica exige muito mais do que freqüentes
60 segundos no horário nobre ou página cativa em alguns
jornais de boa tiragem.
Sabemos que programas, revistas e editorias especializadas atingem ínfima
parte da sociedade - em geral aquela com boa base de conhecimento prévio
para entender o próprio noticiário científico. Pesquisas
mostram que o problema ocorre até em áreas mais populares.
Um exemplo: próximo da última eleição, depois
de 40 dias de maciça campanha em rádio, tvs, revistas e
jornais, nas ruas, apenas 49% dos entrevistados pelo Datafolha em São
Paulo (todos com telefone) sabiam o número do candidato do governo
à Presidência da República (era 45). Apesar do conflito
com o Iraque durar mais de uma década e ser tema diário
de boa parte da mídia dos Estados Unidos (com fartas ilustrações),
pesquisa da National Geographic Society mostrou que 87% da população
não sabia onde ficava o Iraque em um mapa-múndi. Além
disso, 49% dos entrevistados não localizaram Nova York e 11% o
próprio País. Imagine-se a dificuldade da ciência
sobressair, ser percebida e compreendida num mar de informações
fugazes, desconexas, irrelevantes, contraditórias e confusas em
que estamos, de certa maneira, afogados.
A imprensa, nossa principal fonte de informação sobre o
mundo, atua mais no sentido de distrair do que de dar profundidade a qualquer
assunto. Para dificultar a tarefa, material produzido por especialistas
em ciência tende a ser confinado a veículos segmentados,
editorias específicas, a horários ingratos, fazendo perder
a conexão com a realidade e os interesses do dia a dia do público.
No mínimo, as alternativas de explicação que a ciência
pode oferecer a cada assunto deveriam ser incorporadas a todo noticiário
e não apenas restrita a alguns guetos - quando chegam a existir.
Tudo bem que tratemos a divulgação científica a partir
das instituições como um tipo de sacerdócio, mas
devemos ter um agir estratégico mais abrangente e efetivo, que
inclua a criação de possibilidades de aproximação,
de novas conexões com a sociedade. Isto pode implicar no aumento
de nossos fazeres e em assumirmos tarefas que imaginamos além de
nossa capacidade, mas acho que, como as instituições de
ciência, precisamos recusar o risco da sonolência e da auto-indulgência.
Comunicador e dirigentes devem assumir papel de destaque no processo de
inserir mais ativamente suas instituições de ciência
na sociedade.
No 6º Congresso Mundial de Bioética, realizado em outubro,
em Brasília, foi divulgada a estimativa de que 75% da população
mundial, ou 4,5 bilhões de pessoas, não tinham acesso ao
desenvolvimento científico e tecnológico. Nesta ocasião,
o presidente do Congresso, o professor Volney Garrafa, da Universidade
de Brasília, disse que "o poder científico e tecnológico
não está gerando distribuição. Temos uma ciência
antidemocrática, excludente". A comunicação
eficiente liderada por instituições científicas pode
reduzir a distância entre produtores do conhecimento e sociedade,
ajudar as pessoas a ter acesso, a discutir, a se envolver e não
apenas saber que a ciência existe e produz avanços. E há
poucos profissionais mais preparados para identificar informação
relevante, tratá-la e fazê-la fluir do que o jornalista,
o relações públicas, o comunicador. Falta ampliar
o papel para criar maneiras de aproximar as pessoas, torná-las
parte do mundo da ciência, fazer com que o conhecimento seja como
que energia vital presente nos nervos da sociedade e não apenas
nas páginas dos jornais e na tela colorida de nossa televisão.
As pessoas que compõem nossas instituições de ciência
vivem tensões antagônicas em seu fazer comunicativo. Têm
responsabilidade pela democratização da informação
e uso do conhecimento, mas percebem a necessidade de investir na construção
de uma imagem pública que lhes garanta credibilidade e recursos;
têm responsabilidade pela geração do conhecimento,
mas administram verbas escassas; defendem a crença no primado da
ciência sobre o mercado, mas incorporam as regras de mercado sobre
a ciência; tomam cuidado com o personalismo, com a simplificação
da ciência e evitam como podem as pressões da imprensa pelo
novo, pelo drama, pelo fantástico, mas muitas vezes se entusiasmam
e sucumbem aos holofotes da mídia gratuita. Elas questionam a competência
dos jornalistas em tratar dos temas de ciência, mas pouco fazem
para preparar suas equipes em entender e lidar com a imprensa. Preocupam-se
com a educação da sociedade para a ciência, mas investem
em sistemas assimétricos de comunicação. As regras
do jogo da sociedade atual incluem o conhecimento público sobre
o trabalho das instituições, mas elas têm responsabilidades
maiores em comunicação.
Sob este aspecto, também o comunicador que atua na área
científica tem papel mais complexo e importante do que o que tradicionalmente
assume ou lhe impõem. Ele deve ser um agente de mudanças
na própria organização para estimular o desenvolvimento
social. O comunicador deve utilizar o fato de estar tão próximo
do dirigente e dos cientistas não apenas para facilitar a democratização
da informação mas também para mediar relacionamentos,
abrir janelas para o mundo exterior, criar situações de
interação do cidadão com a ciência, permitir
que seu trabalho torne a sociedade mais esclarecida e consciente. Ele
é, por natureza, um mediador privilegiado e deve estimular o estabelecimento
de diálogos entre os diversos grupos que produzem a ciência
e o cidadão, que é a fonte dos recursos para a ciência
e o beneficiário final de seu uso pelas instituições
que a produzem. A consciência do papel de facilitador do acesso
às questões e resultados da ciência pode evitar que
cada novo produto da ciência seja vendido como uma nova maravilha
que breve estará ao alcance de toda a população ou
a tarefa de estender tapetes vermelhos e ser a trombeta do cientista.
O primeiro e difícil passo parece ser o convencimento e o desenvolvimento
de capacidade nos dirigentes e cientistas para compreensão das
possibilidades da comunicação e da necessidade de também
serem atores ativos no processo, estabelecendo canais diretos de comunicação
com a sociedade. Todo comunicador contratado pelas instituições
de ciência deveria ter como um de seus principais objetivos criar
auto-suficiência comunicativa nos dirigentes e técnicos,
arraigada naturalmente na própria instituição, que
permita avançar na educação sobre ciência na
sociedade. Em resumo, institucionalizar processos de comunicação
que fluam por toda a organização, em todos os níveis.
Deste modo, é curioso que um dos primeiros e maiores desafios do
comunicador seja comunicar sobre comunicação - conscientizar
sobre seu papel, possibilidades, a riqueza de suas alternativas e resultados.
Muitas vezes faltam a nós, comunicadores, o poder de sedução,
talvez um pouco de talento e energia para mostrar nossa capacidade de
ajudar a organização a cumprir seu papel de incorporar a
ciência ao sistema social.
A partir desta compreensão, o divulgador perde a cômoda atribuição
de repassador de informações, de técnico em práticas
difusionistas, para assumir uma nova postura nas organizações.
O nome de sua função não é divulgação,
mesmo compreendida em sua acepção mais ampla, que sugere
sensibilizar, mobilizar. Divulgação remete a tornar público,
difundir, anunciar, informar. Acho que o nome do jogo é comunicação.
Comunicar em seu sentido mais amplo, de tornar comum, partilhar, envolver.
A comunicação da ciência deve partir da definição
de objetivos, políticas, prioridades, opções. Para
esta tarefa devemos assumir perspectivas de ação estratégica,
com um conjunto de procedimentos orientados por políticas institucionalizadas
que realmente sejam efetivadas. A comunicação terá
papel fundamental, como costumam rezar os discursos, quando estiver integrada
aos processos de fazer e disseminar a ciência, da elaboração
do projeto de pesquisa à integração dos resultados
ao tecido social.
Um desafio fundamental é criar mecanismos de aproximação
com a sociedade, estabelecer instrumentos e fluxos que permitam ao cidadão
integrar-se às questões de ciência, suas políticas,
implicações, prioridades; que levem à formação
de uma cultura de interesse pela ciência na sociedade, a uma verdadeira
campanha permanente de popularização da ciência. Instrumentos
que institucionalizem a comunicação nas organizações
e estabeleçam processos de educação científica,
de cidadania ativa, de fomento à cultura científica.
Educar para a ciência não significa apenas ensinar a compreender
quando falamos de ciência ou divulgar a última novidade saída
dos laboratórios, mas ajudar a pensar cientificamente, interpretar
as implicações dos avanços da ciência e tecnologia,
imaginar como podem ajudar cada um a ter uma vida melhor. E comunicadores-educadores,
neste caso, não seriam apenas jornalistas, relações-públicas,
publicitários, mas também físicos, químicos,
biólogos, agrônomos, engenheiros, dirigentes, técnicos
- ou seja, todos aqueles comprometidos com os desafios que a sociedade
impõe às instituições que atuam com ciência.
A preocupação com a comunicação é um
território a ser conquistado nas organizações. Por
isso, o primeiro passo deve ser dado no próprio local de trabalho,
com a criação de uma filosofia de Comunicação
e de políticas que sistematizem e institucionalizem o assunto,
conscientizando e dando competência a dirigentes, cientistas, equipes
de trabalho, de maneira a torná-la um esforço e um compromisso
coletivo e não a de apenas um ou dois abnegados. O objetivo deve
ser criar o que poderíamos chamar de "cultura de comunicação",
que permita avançar para aproximar a sociedade das questões
de ciência, ver, sentir, tocar, despertar vocações,
estimular o debate, tornar a ciência parte de cada vida, fazer com
que o cidadão tenha uma relação lúdica com
a ciência, incorporando-a a seu universo, tornando-se crítico,
participante e capaz de refletir sobre ela. Assim, antes ou ao mesmo tempo
em que avançamos na educação para a ciência
na sociedade, deveríamos priorizar uma educação para
a comunicação em nossas instituições de ciência.
Existem experiências tradicionais e bem sucedidas em incorporar
eficientemente a ciência a cada segmento da sociedade: concursos,
museus, cartazes, mesas-redondas, prêmios, oficinas, debates, palestras
em escolas, campanhas, eventos tipo feiras de ciência, exposições
itinerantes, portais na Internet, histórias infantis, eventos,
vídeos, folhetos, revistas, livros, sites, visitas dirigidas, brinquedos,
lojas de ciência, quadrinhos. Já educar internamente para
a comunicação talvez possa requerer o estabelecimento de
percentuais de tempo dedicados a divulgação nos projetos
de pesquisa, incorporação da comunicação ao
próprio projeto ou aos sistemas de avaliação, institucionalização
de políticas específicas, elaboração de manuais,
promoção de debates internos, treinamento para uso da mídia
e de instrumentos pedagógicos, mecanismos de conscientização,
mobilização e estímulo. Cada comunicador e instituição
teria que identificar ou fazer seu próprio caminho, mas as alternativas
são variadas e desafiadoras.
Um último exemplo, para concluir: José Reis é tido
como o maior divulgador científico de nosso tempo. Ele ficou conhecido
principalmente por fazer o que tem sido classificado como jornalismo científico,
ao lançar, editar revistas e escrever mais de seis mil artigos
na imprensa sobre ciência em veículos de grande circulação,
particularmente na Folha de S. Paulo. Mas teve atuação bem
mais ampla. Ele ajudou a ciência a ter capilaridade na sociedade
brasileira, fez as instituições discutirem, se envolverem
e promoverem a ciência e a incorporou à realidade das pessoas
por uma série de diferentes meios, canais e processos. Já
em 1944 escreveu normas para publicação de artigos técnicos
em língua portuguesa. Depois fez literatura infantil, ensinou ciência
em salas de aula, envolveu-se com a criação de instituições
como a Estação Ciência, o Laboratório Nacional
de Luz Sincrotron, o Instituto Oceanográfico da USP, a Fapesp,
a SBPC, idealizou e incentivou a criação de clubes, feiras,
concursos e prêmios de ciência, traduziu livros, fez panfletos,
foi um "caixeiro-viajante da ciência", no feliz título
do perfil sobre ele publicado na revista Scientific American. Não
apenas os comunicadores, mas também as instituições
deveriam ser como que caixeiros-viajantes da ciência.
Referências bibliográficas
Krieghbaum, Hillier. A ciência e os meios de
comunicação de massa. Rio de Janeiro: Correio da
Manhã, 1970.
Feynman, Richard Phillips. Deve ser brincadeira, sr.
Feynman! Brasília: UnB; São Paulo: Imprensa Oficial
do Estado, 2000
Lomberg, Jon. A Apresentação visual da ciência. In:
Terzian Y. e Bilson, E. (org) O Universo de Carl Sagan.
Brasília: UnB; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2001.
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