 |
Comunicação
e Responsabilidade Social
Comunicação
no Terceiro Setor
Assessoria
de Imprensa / Relacionamento com a mídia
Comunicação Interna
Publicidade/Marketing
Comunicação
e Cultura Organizacional
Comunicação e Crise nas organizações
Auditoria de Imagem
das organizações
Comunicação Pública
(Governamental etc)
Diversos
|
|
Comunicação e Crise nas Organizações
• Comunicação
• Artigo
• Case
• Resenha
Comunicação
Crises nas organizações: oportunidades
de aprendizado e até de crescimento
Danielle Machado Teixeira
Formada em Comunicação Social, com Habilitação
em Jornalismo pelo UNI BH, Centro Universitário de Belo Horizonte,
desde dezembro de 2003. Fez estágios em todas as áreas:
assessoria de imprensa, rádio, tv, jornal impresso e webjornalismo.
Toda organização enfrenta, a certa altura de sua criação
e aparição no mercado, crises internas e externas. O diferencial
neste caso, está em como a Instituição, seja ela
pública ou particular, lida com esses momentos de dificuldades.
Dado o surgimento e a identificação desta conjuntura de
incertezas e dificuldades, seja qual for ela, o primeiro passo a seguir
é aceitar e identificar a existência dessa crise. O próximo
passo é escalar uma equipe ligada a esta situação
dentro, ou se for preciso fora, da empresa para auxiliar na busca de soluções
dos conflitos ou crises, junto a quem 'comanda' a organização.
Em um terceiro momento é preciso planejar ações e
estratégias para se desenvolver ao longo de um determinado período
pré-definido, afim de superar estes problemas, que são,
sem resquício de dúvida, momentâneos.
A Comunicação surge em um determinado momento, trazendo
estratégias que auxiliam a organização no gerenciamento
de solução das crises internas e externas. Geralmente as
crises externas estão ligadas a imagem da empresa e as internas
são mais direcionadas ao público interno da mesma.
Um exemplo de problema externo seria o que ocorreu com a Petrobrás
em julho de 2000. Segundo informações pesquisadas no site
Folha on line, da Folha de São Paulo, o vazamento de 4 milhões
de litros de óleo bruto no Paraná, resultaria em demissões
na diretoria da Petrobrás. Na época, aquele foi um dos maiores
acidentes ambientais da empresa nos últimos 25 anos. Imagine o
trabalho que deve ter dado para o Departamento de Comunicação,
através de sua Assessoria de Imprensa, esmerar a imagem da empresa
perante a sociedade e seu público-alvo também!?! Esta crise
não foi só financeira, mas também ambiental. Um problema
que tomou uma proporção considerada gigantesca não
só pelo fato de se perder quatro milhões de litros de óleo
bruto no Paraná, mas principalmente pelas conseqüências
que esse acidente geraria. Mas, vê-se hoje, quatro anos depois,
que o objetivo primordial de se manter a imagem da Instituição
Petrobrás intacta foi alcançada, uma vez que ela continua
sendo uma empresa conceituada nacional e internacionalmente. Percebe-se
então através desse exemplo que as crises devem mesmo ser
pensadas como oportunidades de aprendizado e até de crescimento.
Mesmo que sejam crises extremamente negativas, de tudo deve-se e pode-se
tirar o máximo proveito.
Um exemplo de crise interna seria um fato existente em muitas organizações
atualmente: o problema do recurso financeiro. A partir deste problema
grave, podem ocorrer outras crises, internas e externas, e gerar várias
conseqüências à organização. Uma empresa
que apresenta problemas de recursos financeiros, pode a certa altura,
enfrentar não só uma forte crise interna, mas também
uma situação que abale o meio externo.
Neste sub-tema de Comunicação, optei por apresentar uma
reflexão real e atual de crise interna e, simultaneamente, externa
em uma organização e a interferência e importância
da atuação da Comunicação. Trabalhando já
há alguns anos com Assessoria de Imprensa e atualmente montando
o Departamento de Comunicação em uma empresa do ramo médico-hospitalar*
percebi que esta Instituição particular enfrenta crises
externas e internas.
Na parte externa, descobri a partir de uma breve e superficial pesquisa
com clientes e também a partir da experiência em um determinado
período na parte comercial da empresa, tendo contato direto com
os clientes, que a imagem da Instituição está um
pouco maculada, ou seja, manchada, no que diz respeito não à
marca da empresa, mas sim ao atendimento ao seu público-alvo e
ao cumprimento da entrega dos produtos. Incrível foi perceber através
dessa breve pesquisa de mercado que a questão do preço não
foi ressaltada como um problema para nenhum cliente, seja ele revendedor
da organização ou o que chamamos de consumidor final, que
compra para consumo próprio. A partir da descoberta desta crise
externa pela qual a empresa está passando, sugeri à Diretoria,
como Coordenadora do Departamento de Comunicação e como
jornalista (não como especialista em Marketing), uma pesquisa de
mercado mais aprofundada, a um baixo custo, feita pelo Sebrae-MG em um
curto período de tempo. A partir do resultado desta pesquisa, o
Departamento de Comunicação, com o auxílio de uma
estagiária, especialista em Marketing, que seria contratada, faria
um planejamento estratégico para solucionar esta crise externa.
Na parte interna da organização, a crise apresenta dois
pontos muito importantes: a falta de recurso financeiro para todas as
ações internas (e também externas) e reclamações
constantes quanto a algumas atitudes de um dos sócios-diretores.
Sabe-se que a crise interna financeira é momentânea devido
aos altos valores que não foram liberados pelo Governo em licitações
ganhas pela organização. Porém, é preciso
pensar nos dias de hoje, no agora. Para isso fizemos um planejamento de
eventos, de acordo com as verbas disponíveis da empresa, para os
seis meses que antevinham na Instituição. Incluímos
neste esboço de Comunicação especificamente, ações
como a reestruturação do site, a participação
em Congressos (que já ocorre todo ano), a implantação
de uma espera telefônica, de um atendimento digital e de uma mensagem
eletrônica, impressão de um novo modelo de cartões
de visita e de catálogos com os produtos da organização,
a implantação de um mural interno, colocação
de placas nas salas, a criação de um Manual de Condutas
e de um portifólio, entre várias outras ações
necessárias a organização, que se encontrava bastante
desorganizada na parte de comunicação e até da administração.
Estas estratégias de comunicação que seriam desenvolvidas
pela organização teriam o intuito justamente de solucionar
conflitos ou crises internas e externas e para melhor gerenciá-las
e organizar a Instituição. Apresentamos o projeto, buscando
sempre as melhores verbas e também os melhores serviços
(uma questão difícil, mas não impossível de
se conciliar). A Diretoria, que acarreta um outro grande problema: a centralização
de todas as tomadas de decisões em si mesma, não deu um
retorno sobre o planejamento, cobra resultados imediatos e não
possui recurso financeiro para cumprir pelo menos a primeira ação.
O resultado é que nenhuma dessas atitudes sugeridas pela Comunicação
foi concluída até hoje, quase seis meses depois. Nem mesmo
as que não requerem verba, mas necessitam da aprovação
da Diretoria, tiveram algum desfecho findando em seu cumprimento.
O segundo ponto importante que está gerando uma crise grave interna
na organização é o fato de algumas atitudes de um
dos sócios-diretores não corresponderem aos padrões
aceitáveis do seu público interno, ou seja, o funcionário.
De acordo com uma pesquisa interna feita pela Comunicação
com quase trinta funcionários da parte administrativa da empresa
em fevereiro de 2004, apontou que esse sócio-diretor especificamente
não age de maneira correta com seu funcionário, não
valorizando o seu trabalho, agindo impulsivamente, chamando atenção
na frente de todos e não assumindo seus erros ou sua inabilidade
para certas ações ou áreas. Quanto a essa crise percebida
através da pesquisa, a Comunicação fez um relatório
de pesquisa interna, com os resultados da mesma (sem apresentar nomes)
e apontando soluções para essas questões e inclusive
demonstrando também outras ações para beneficiar
seu público interno: descontos em cursos de inglês, faculdades
e cursos de informática; parcerias e convênios com algumas
empresas que fornecem lanches; implantação de plano de saúde
para funcionários; encontros de confraternização;
prêmios simbólicos para os melhores funcionários do
mês e outras ações que exaltassem o seu público
interno, mas que, em contrapartida, não gerassem muito ônus
para a organização.
Infelizmente essa e algumas outras ações indicadas pela
Comunicação não foram sequer comentadas pela Diretoria.
Outras estratégias também não foram aprovadas. Por
exemplo, a pesquisa de mercado externo. Segundo eles, ninguém conhece
o mercado tão bem quanto os donos da empresa, que já estão
no ramo há mais de dez anos. Esse argumento fornecido por um sócio-diretor
fez com que não fosse válida a realização
da pesquisa de mercado externo, apontada pela Comunicação
como uma ação para solucionar a crise externa. Ou seja,
a pergunta chave para se melhorar a imagem da organização
e a conseqüente crise externa ficou em aberto: qual a atual imagem
dessa Instituição particular perante o mercado/ o seu público-alvo?
A partir dos vetos da Diretoria, alguns discriminados acima, passei a
me questionar: onde estou errando com esta Instituição?
E para me auxiliar na resposta desta questão e buscar a participação
de todos neste 1º CONVICOM resolvi levantar um debate sobre este
assunto: com base nestas informações, colocadas como reflexão
neste sub-tema Comunicação, o que está faltando para
que esta empresa saia da crise e tenha sua imagem interna e externa melhorada?
Dê sua opinião, faça sua crítica, exponha suas
dúvidas. Com o seu auxílio, levantaremos novas soluções
e ações para aplicar nesta empresa e acompanhar os resultados
e as conseqüências. (SERÁ QUE ISSO PODE SER FEITO? CASO
NÃO POSSA, FAVOR CORTAR TODO ESTE PARÁGRAFO- em itálico-
tem minha autorização.)
É necessário ressaltar a importância das ações
e estratégias planejadas pela Comunicação para gerenciar
a crise, solucionar conflitos e até prevenir futuras conjunturas
de dificuldades. Mas é preciso também que a pessoa ou a
equipe que 'comanda' a organização esteja ciente das questões,
aceite-as, trate-as com transparência e acima de tudo, tenha uma
postura e visão condizentes com a realidade do mercado e de sua
empresa, para tomar as decisões corretas e delegar tarefas a quem
julgar ter competência, paciência, determinação
e perseverança para administrar da melhor maneira e solucionar
os problemas cada um a seu momento. As crises vão continuar a ocorrer
e o papel da Comunicação é e sempre será imprescindível
nestes períodos, para informar o público interno e o externo
sobre o que está ocorrendo e as ações e estratégias
que estão sendo tomadas para a tentativa de deliberar os acontecimentos
e turbulências.
Uma última observação se faz importante neste momento:
é preciso crise, interna ou externa, para se aprender e apreender
sobre o mercado, seu público alvo e também o público
interno. Isso contribui para o crescimento da organização.
Mas até este problema, que se torna um aprendizado, deve ser bem
gerenciado e ter seu limite centrado no esforço para que não
se cometa os mesmos desacertos. Até porque persistir no erro não
é só burrice, mas também falta de perspicácia
para assimilar os problemas e aprender a acertar, com pontos que devem
ser corrigidos sempre.
_____________________________________________________________________
* Não vem ao caso citar o nome da organização, para
não comprometer o desenvolvimento do meu trabalho, a imagem da
empresa para a qual presto serviços atualmente e também
por uma questão de ética.
|
|