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Comunicação
e Responsabilidade Social Comunicação no Terceiro Setor Assessoria de Imprensa / Relacionamento com a mídia Comunicação Interna Publicidade/Marketing Comunicação e Cultura Organizacional Comunicação e Crise nas organizações Auditoria de Imagem das organizações Comunicação Pública (Governamental etc) Diversos |
Comunicação e Responsabilidade Social Enxergando além do visível Resumo O presente Case "ENXERGANDO ALÉM DO VISÍVEL", apresenta os objetivos, a justificativa e os resultados deste trabalho. Realizado pela empresa CIPEL, na cidade de Santa Maria/RS, durante o ano de 2003, o projeto trata da inclusão social de jovens portadores de uma necessidade especial - a deficiência visual - nas aulas do Pré-Vestibular desta instituição e das estratégias de comunicação para a viabilização do mesmo. O Projeto: apresentação Ao ser procurada por dois alunos deficientes visuais buscando matrículas no Curso Pré-Vestibular, a Rede Cipel, na sua Escola de Santa Maria, RS, entendeu que tinha uma situação atípica para resolver: conhecimento de que eles tinham direito à vaga não bastava para acolhê-los para dentro da sala de aula. Era uma situação inusitada, nova para àquela instituição e ações precisavam ser providenciadas para garantir o processo de ensino-aprendizagem dos novos vestibulandos. Assim, a Rede Cipel implementou, através do Curso Pré-Vestibular, durante o ano de 2003, o presente projeto. Os objetivos - Investir na capacidade, principalmente, dos jovens buscando a promoção
da inserção e da inclusão social.
Com esta visão de inclusão para todos, a Rede Cipel quis contribuir, mobilizando a sociedade a participar de ações sociais que garantiram condições de cidadania. O CIPEL, teve o propósito de despertar o espírito solidário visando a estimular e promover mudanças de atitudes para acelerar o processo de conhecimento e de integração social, assumindo assim, sua responsabilidade pública. A Metodologia O projeto "Enxergando Além do Visível", buscou parcerias com empresas, associações e pessoas físicas, que se dispuseram a colaborar com doações na campanha para a aquisição do material em braile. O Cipel entendeu que oportunizar condições de estudo para estes jovens portadores de uma necessidade especial (deficiência visual) fez parte da sua postura de prática de cidadania empresarial que impacta a comunidade e promove o desenvolvimento social. Constata-se, como empresa, que a educação é o grande diferencial na construção de uma sociedade mais justa, solidária e digna. O Desenvolvimento Você já imaginou como é assistir uma aula de matemática, química, física, biologia, geografia ou outra disciplina sem poder enxergar qualquer gráfico, gravura ou mapa? Acompanhar o desenvolvimento de uma equação sem poder vê-la? Aprender uma língua estrangeira sem visualizar a diferença da língua? Enfim, ter aula de história, português, literatura, ou redação, no cursinho, onde a exposição é muito rápida e os tópicos pincelados em alta velocidade, sem em nenhum momento estar vendo o prof. e os seus gestos de explicações? Após ter os alunos em sala de aula, apresentá-los aos ambientes, aos colegas e permitir que conhecessem cada estilo e tom de voz do professor de cada disciplina, percebeu-se a necessidade de adquirir as apostilas em braile. Nesta etapa várias dificuldades foram encontradas, como por exemplo: a escassez de instituições que fazem a transcrição para o braile, as entidades do Estado estarem super lotadas e não poderem atender ao ensino pós-médio e particular e, o custo elevado nas instituições particulares que prestam tal serviço. Com a permissão dos dois jovens, pode-se dizer no presente trabalho, que estes são oriundos de famílias humildes e não poderiam, por condições próprias, adquirir tal material. A partir desse momento, viveu-se uma "verdadeira corrida contra o tempo" para encontrar locais que aceitassem reproduzir as apostilas, pois os alunos já estavam em aula e espalhou-se uma "incrível corrente de solidariedade" em busca das doações. Os contados foram crescendo, cada vez mais gente querendo ajudar foi aparecendo e os exemplos de vida da Arlete e do Rodrigo, não contagiavam mais apenas a comunidade escolar, mas a vizinhança, a cidade. Assim, as apostilas foram confeccionas em três lugares diferentes: Centro Louis Braile (POA/RS), APADEV (Caxias do Sul/RS) e Associação dos Portadores de Deficiências da Escola Rocha Pombo (Pato Branco /PR), totalizando um valor de R$ 1459,35 (um mil e quatrocentos e cinqüenta e nove reais e trinta e cinco centavos). Todo este total foi arrecadado através de doações de colegas do cursinho, de campanha feita entre os próprios professores, de amigos e familiares dos vestibulandos, de empresários e associações que foram contatados, por cidadãos que foram sensibilizados por reportagens de mídia espontânea televisiva e escrita e pelos próprios alunos deficientes que ganharam meia-bolsa do Curso e repassaram o valor restante para a Campanha. Estratégias de Comunicação da Campanha Após a elaboração do projeto para contato com empresas, associações e/ou entidades que pudessem entrar como parceiras no projeto, em busca dos recursos para a aquisição do material em braile, a idéia "tomou corpo" e começou "a ser comprada" por muitos que conheciam a realidade. Alunos, professores e conhecidos começaram a buscar as contribuições. Releases foram enviados para a mídia local, a qual foi bastante receptiva e prontamente contribuiu na divulgação. A TV exibiu reportagens da campanha com depoimentos e pedidos dos próprios alunos que trouxeram resultados no mesmo dia. Os jornais, além de espaço para matéria, abriram para artigos em páginas com temáticas sociais. As reportagens sobre a Campanha e demais informações foram espalhados nos murais da Escola para disseminar a idéia para todos os alunos e, não apenas, para os colegas de cursinho. Os alunos portadores da necessidade especial participaram de eventos de confraternização da Escola, juntamente com suas famílias, assumindo a sua posição de colegas e promovendo a integração. Um exemplo a ser citado, é que numa atividade como o simulado, a Arlete, empatou com uma colega no primeiro lugar. Todas as ações juntas, foram de fundamental importância, para a divulgação e consolidação da imagem da empresa perante a sua comunidade. Os Resultados A Arlete Vanessa Costa da Rosa e Rodrigo Gonçalves da Silva marcaram presença como fortes exemplos de vida. Exemplos para o nosso dia-a-dia de determinação, imensa força de vontade e modelo de que o grande sentido da vida está em lutar pelo que se acredita, driblando os obstáculos e mostrando aos outros que uma deficiência aos olhos da sociedade, pode ser completamente superada quando se tem um objetivo de vida. A Arlete e o Rodrigo foram estímulo para os colegas, professores e comunidade escolar em geral.... Foram pontuais, assíduos e mostraram-se muito estudiosos, fazendo todos acreditar e confiar no que, no início de 2004, tornou-se uma realidade: foram chamados de Bixos 2004. Ela do Curso de Pedagogia, da Universidade Franciscana, UNIFRA/SM, e ele do Curso de Letras Espanhol, na Universidade Federal de Santa Maria, UFSM. Destaca-se que o Rodrigo precisou parar o Cursinho na metade do ano, mas que segundo depoimento da sua avó, estudava em casa em torno de 12 horas por dia. As apostilas encontram-se na biblioteca da Escola para que possa, servir, em outras situações, a mais jovens em condições semelhantes. Destaca-se, que este foi apenas o início de uma grande caminhada que precisa ser feita em favor dos portadores de necessidades especiais em nossa sociedade. Iniciativas simples, de acolhida, de promoção de vida que viabilizam a caminhada de quem a sociedade em, muitas vezes, deixa à margem. Assim como estes jovens citados, milhares de outros estão em busca de seus ideais e de seus sonhos. Que abram-se cada vez mais as portas destes caminhos! Que a comunicação assuma o seu papel de disseminar propostas tão importantes para o desenvolvimento social de nossas comunidades e cada empresa, dentro de sua missão, viabilize projetos que dêem sentido à cidadania corporativa. Depoimentos "Meu nome é Arlete Vanessa Costa da Rosa, tenho 23 anos, sou deficiente visual e encontrei no cursinho a solidariedade e a acolhida que estava buscando. No Cipel o pré-vestibular é excelente, os professores são ótimos, muito atenciosos, dedicados e as aulas são maravilhosas, pois eles chamam a atenção para tudo, o que nos deixa sempre atentos e faz com que gravemos a matéria. Além disso o valor é bem acessível. Agora, estamos na luta pela aquisição do material, o que vai ajudar eu e o Rodrigo acompanharmos o ano todo de aulas e podermos enfim, OUVIR nossos nomes no listão dos aprovados do Concurso Vestibular 2004". (Arlete, Maio de 2003) "Listão sempre é bom, mas este... Ter tido o privilégio de acolhê-los na Escola foi uma chance de conhecer outro mundo. Acredito que os professores foram heróis fazendo verdadeiras manobras lá na frente, de uma aula de cursinho, onde a lei é que tudo seja muito rápido e muito dinâmico. Mas mais heróis são eles que assistiam às aulas com percepção, dedicação e atenção invejáveis, deixando muito vestibulando normal, perante os olhos da sociedade, pra trás. Só tê-los no cursinho não era suficiente e no caminho pra adquirir verba destinada à transcrição do material em braile encontramos juntos, resquício de solidariedade num mundo de portas frias e janelas fechadas. Pessoas da comunidade tocaram-se tanto quanto nós que convivíamos momento a momento com eles. Professores, colegas, amigos, vizinhos, desconhecidos que viram na TV ou leram no e se dispuseram a dar sua contribuição. As apostilas finalmente foram transcritas. Conhecemos a dificuldade de bater de porta em porta para ser atendido num país de terceiro mundo com alguma deficiência. Hoje, com o coração batendo mais forte, sabendo que a Arlete já é bicho de Pedagogia na UNIFRA e ao ver o nome do Rodrigo como bicho de Letras Espanhol na UFSM, percebo que o sentido da vida está mesmo em irmos em busca do que acreditamos, mesmo que pareça difícil, mesmo que digam que não será possível, mesmo que a sociedade tente dizer que não existem meios ou que não conseguiremos. Eles não puderam VER seus nomes estampados nos listões, mas puderam ouvir e sentir a alegria que tomou conta de todo mundo que os acompanhou. Enquanto trabalhei lá, lembro que a Arlete só faltou um dia de aula, para ir na procissão de Corpus Christi. O Rodrigo só não ia quando não tinha ninguém para acompanhá-lo. Ela foi uma das primeiras no simulado. Ele teve que parar o cursinho mas estudava aproximadamente 12 horas por dia. São meus grandes exemplos de vida! Nunca vou esquecê-los: eram os primeiros a chegar no cursinho, não chegavam atrasados e sempre tinham uma conversa agradável. Agora, é uma nova etapa! Em época de listão, as casas de vestibulandos se enchem de esperança, expectativas, planos animadores e sonhos. Sei que se cursar uma faculdade não é um caminho sem espinhos para nós "teoricamente normais" para eles será uma batalha dia-a-dia. Como chegar no campus, acompanhar as aulas apenas ouvindo, tentar copiar e registrar tudo o que é falado, contar com a solidariedade para ir no xerox, no banheiro, no bar. Encontrar uma maneira de obter uma parte do material. Mas, pelo que pude conhecer deles, não faltará determinação e vontade para vencer dia-a-dia, dificuldade a dificuldade. E será uma nova emoção quando ouvirmos os nomes deles, daqui 4, 5 ou 6 anos, dessa vez, na solenidade de colação de grau. Obrigada a todos que os ajudaram e acolheram. Obrigada Arlete e Rodrigo
por nos mostrarem o sentido da vida e nos mostrarem o que é realmente
enxergar na vida!!!"
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