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Comunicação
A comunicação interpessoal como agente
de mudança
Rodolpho Weishaupt Ruiz
Doutorando em Comunicação Empresarial. Professor na UMESP
- Universidade Metodista de São Paulo e na ESPM Business School.
Especialista em reestruturação empresarial, atua como consultor
em estratégia. No momento, exerce as funções de assessor
de planejamento estratégico no IMS - Instituto Metodista de Ensino.
Em muitos projetos de consultoria que realizei cada vez mais tenho notado
que a comunicação frente a frente entre as pessoas tem agido
com muito mais eficiência do que os modelos tradicionais de comunicação,
que são ferramentas úteis para a disseminação
das informações gerais sobre o projeto. Isso se dá,
pois todo projeto de reestruturação organizacional é
complexo e delicado ao mesmo tempo.
Estamos nesse tipo de projeto, redesenhando os processos internos da organização,
alterando o modelo mental por parte das pessoas de como as coisas vinham
sendo feitas, além de fazermos alterações na pirâmide
do poder da empresa. Tarefa nada fácil para o gerente do projeto
que se utiliza dos house organs da organização. Por meio
desses veículos comunicacionais é que se pretende dar o
foco, a velocidade, os objetivos do projeto entre outras coisas, para
que se possa disseminar as informações que são úteis
do projeto para a organização.
Porém, ao estarmos em uma reunião para decidirmos a realização
de uma tarefa específica qual não é a surpresa que
as pessoas não estão suficientemente informadas sobre o
que se está acontecendo. Porque isso ocorre se nos utilizamos do
jornal mural, de folhetos grampeados junto ao holerite, emails, boletins
digitais, links no site da organização e até jornalzinhos?
Como parte de um projeto, além da discussão de suas fases,
objetivos e métricas existe toda uma estratégia de comunicação.
Dentro dessa estratégia utiliza-se, até para reduzir custos,
dos atuais veículos de comunicação que se dispõe
dentro da organização.
Procura-se adaptar a linguagem do projeto com seus termos técnicos
à realidade dos empregados utilizando-se de expressões que
possam trazer esclarecimento e amplo entendimento sobre o que se espera
da organização frente ao projeto de reestruturação
organizacional.
O que se busca é a tríade do envolvimento, do comprometimento
e da cumplicidade dos empregados diante dos desafios que um projeto amplo
de reestruturação organizacional impõe - pois sem
as informações que estão tácitas e que precisam
ser explicitas durante todo o projeto -, fazendo com que a organização
não fique mais refém de informações que estão
na memória dos funcionários e sim que os processos ao serem
revistos possam refletir como a organização está
desenhada e que os novos documentos escritos possam refletir os processos
futuros com seus indicadores que levem toda a organização
a um novo patamar de excelência.
Tenho percebido que todo esse processo comunicacional funciona em parte,
ou seja, cria nas pessoas uma certa expectativa do que esta por vir, porem
não as integra totalmente aos desafios. Nas reuniões presenciais
é que se acaba por perceber o quanto de duvidas, o quanto de descrença,
o quanto de desconfiança existe diante do novo que está
por vir. E para reverter essa situação nada como estar frente
a frente com as pessoas. Porem o melhor resultado é obtido estando
frente a frente e uma a uma. O trabalho pode ser difícil e demorado,
porem o resultado para mais adiante no projeto compensa. Na realidade
o que se pretende é que haja uma maior interação
entre as pessoas chave da organização para que elas façam
o mesmo com seus subordinados e assim todos, numa conversa um a um possam
ter o entendimento de todo o processo. Entendo que assim, todos os house
organs, servem como apoiador a esse processo e não como sendo uma
ferramenta única para realizar todo o processo comunicacional.
As pessoas precisam de estimulo, querem ser ouvidas e desejam contribuir.
Como conseguir isso sem estar frente a frente com elas? As reuniões
com os grupos de trabalho servem como instrumento balizador desse processo
comunicacional, porem a melhor reunião é aquela que começa
quando a reunião oficial acaba. Trocar impressões com o
líder do grupo, ouvi-lo de como ele e o seu grupo estão
se sentindo diante dos desafios, promover o sentido de inclusão
no processo e a importância que todos tem nesse processo só
pode ocorrer numa relação interpessoal.
É nesse espaço de tempo que se busca o comprometimento,
se observa às falhas e se mostra claramente o que se espera de
cada um. É o momento quando as pessoas podem se abrir com o gerente
do projeto e expor suas desconfianças, pois entendemos aqui que,
esse gerente do projeto tem a aceitação de todos e goza
de bom trânsito entre os demais. É nesse espaço que
há o repartir de expectativas e de ajustes para atingir um amplo
entendimento.
Entende-se que dinheiro, tempo e todos os recursos materiais são
fatores dos quais dependem os projetos para sua viabilidade. O gerente
do projeto pode até ter domínio sobre esses fatores, mas
há de se ter domínio sim sobre o processo comunicacional
para que não haja deslizes. Há necessidade de influenciar
as pessoas que comandam o projeto por meio de seus grupos de trabalho
para que agreguem valor com um mínimo de interferência negativa.
O importante aqui é que haja atratividade entre as partes envolvidas
nesse processo comunicacional para que se estabeleça a comunicação
e que essas partes busquem juntas o melhor meio de compreensão
das expectativas. Com isso é possível prever falhas, preparar
melhor as fases seguintes, ter melhor movimentação dos grupos
de trabalho e fazer as coisas acontecerem.
O sucesso de projetos de reestruturação organizacional dependerá
necessariamente desse relacionamento interpessoal cabendo ao gerente de
projeto promove-lo junto aos seus lideres dos grupos de trabalho, identificando
os fatores sobre os quais ele não tem domínio, para que
possa ao analisar as possibilidades, influenciá-los a seu favor
para prevenir possíveis alterações de rota buscando
assim a integração das pessoas ao projeto.
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