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Comunicação

Venderam a matéria: Chega de notícias tipo SPAM, o leitor quer conteúdo
Fabiana Franco
Jornalista, mestranda em Comunicação e Saúde pela Universidade Metodista de São Paulo - Umesp


Os "Frankfourtanos" que me perdoem, mas o leitor saber o que quer e está cansado de ser enganado. Os consumidores de notícias possuem referenciais críticos do que ouvem, lêem ou assistem e conseguem distinguir o que eles querem consumir, mas como selecionar o que é bom no meio de tanta notícia SPAM?

Agarrada na liberdade de expressão e na repugnação da censura, garantida inclusive pelo Código de Ética do Jornalista (artigo 5º), a imprensa está exagerando na divulgação de notícias repetitivas, desnecessárias ou com conteúdo pejorativo. É lamentável que nossa mente não seja equipada com dispositivo anti-SPAM. Ficamos então expostos a conteúdos desagradáveis à nossa moral e aos nossos princípios e recebemos diariamente informações que gostaríamos de jogar na lixeira.

O questionamento é: por que tanto lixo noticioso? Seria culpa do marketing? Ou do mercantilismo que tomou conta das redações? Acho que a culpa é da ausência de responsabilidade social. RESPONSABILIDADE SOCIAL, SIM. A imprensa é composta por um agrupamento de grandes empresas, que vendem seus produtos e faturam milhões anualmente. Por que cobrar responsabilidade dos outros, se as empresas de comunicação não a oferecem? A postura da mídia deve ser pautada pelo equilíbrio, com uma visão de prestadora de "serviço público".

E, se estamos dividindo a culpa, Assessorias de Imprensa e Marketing devem assumir suas parcelas: Com o advento da Internet, as notícias têm que ser produzidas em tempo real, logo são necessárias mudanças tanto na rotina da imprensa, quanto na rotina das assessorias de imprensa que passaram a assumir um papel importante na distribuição das notícias. Ganharam o espaço e agora não sabem o que fazer com ele. Vendem seus clientes a qualquer preço, por qualquer notinha de rodapé.

Digo Vendem, mas na verdade elas compram. Espaços noticiosos em troca de anúncios. Grandes anunciantes viram fontes constantes. Atualmente, os verdadeiros critérios de seleção e edição de matérias ficam dentro de uma "caixa-preta" inviolável e inalcançável pelo próprio repórter que recebe a pauta , tem que desenvolvê-la e torná-la atraente. O dever da boa assessoria é garimpar o que o cliente tem de melhor e encontrar ganchos, tornando as informações atraentes e qualitativas. Essa ainda é a melhor forma de inserir seu cliente na mídia.

Colegas Assessores, o leitor não é cego, nem tolo, sabe perfeitamente que, se seu cliente é fonte única de uma matéria de três páginas, incrivelmente positiva, relacionada com sua empresa, é porque comprou outras três com anúncios. Não é desta forma que seu cliente assumirá diante da sociedade status de persona grata.

A preocupação é até que ponto a mídia está comprometida com este toma lá dá cá? Conotações positivas são constantemente dadas a notícias que podem ser perigosas; espaços destinados a discussões, que originalmente deveriam ser saudáveis, abrem precedentes para que problemas sérios, como o consumo de drogas, álcool ou tabaco, sejam tratados de forma branda, aliviando as conseqüências reais causadas por estes hábitos.

Admitamos, a mídia tem poder, mas quando reproduz somente aquilo que as autoridades querem, deixa de cumprir o seu papel e se transforma apenas em porta-voz dos poderosos.

Imbuídos da filosofia de Augusto Comte, sejamos positivos: Vale acreditar que este processo é reversível, que é possível a retomada do papel da imprensa e do seu compromisso único com a verdade ou, então, estaremos fadados ao niilismo.