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Comunicação

Jornalismo Esportivo: o negócio é faturar!
Carlos Henrique Rosalino Baságlia
Bacharel em Comunicação Social e Mestrando em Ciências da Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo

Ofensas, ameaças, e dossiês. Este é o cenário atual do jornalismo esportivo no país que, aliás, mais parece caso de polícia. As recentes trocas de apresentadores nos programas esportivos de domingo à noite reascenderam a velha polêmica em torno da invasão promíscua do merchandising no jornalismo esportivo.

Preocupados com a audiência, os atuais programas de debate esportivo da televisão brasileira transformaram-se em jocosas feiras livres, verdadeiros camelódromos televisivos, nos quais apresentadores, que mais parecem artistas circenses, desfilam produtos dos mais variados, desde marcas de cerveja, aparelhos de barbear, provedores de internet, suprimentos para informática, até redes bancárias, supermercados, aguardentes, materiais de construção, concessionárias de veículos, dentre outros.

Os membros da banda podre do jornalismo esportivo não aceitam receber críticas, e são famosos por suas picuinhas com colegas de profissão, afinal acreditam que estão acima do bem e do mal. Embebidos em vaidade, os "garotos-propaganda" do futebol (prefiro não classificá-los como jornalistas, afinal, seria desonroso para a categoria) julgam-se a principal atração dos seus programas, mais importantes que a própria informação, mas, na verdade, não passam de "carne de panela" do jornalismo esportivo. A vaidade os consome a tal ponto que os impossibilita de desempenhar a atividade jornalística.

Há um código de ética entre os garotos-propaganda do futebol. Quando um membro da panelinha da imoralidade jornalísta é questionada, outro entra em cena. Infelizmente, para estes, ética só mesmo para fim espúrios.

Esses engodos da comunicação fazem de tudo pelo merchandising. Não estão nem aí se o produto que estão anunciando é idôneo, de qualidade e responsável socialmente. O negócio do momento é faturar. E o que é pior, aproveitam para faturar em cima de seus convidados. Sacanagem pura!!!

Esses "jabazeiros" do futebol vivem gabando-se pelo número cada vez maior de anunciantes que, atraídos pela capacidade circense destes, investem somas vultosas em dinheiro para que vomitem seus produtos goela abaixo de consumidores que estão mais interessados em acompanhar como foi o desempenho do seu clube na rodada de final de semana.

Definitivamente, merchandising e jornalismo são atividades incongruentes. Todo jornalista (ao menos os sérios!!!) necessita trabalhar com absoluta independência e liberdade. Quando submetem-se a este tipo de promiscuidade, a informação perde credibilidade e a notícia fica em segundo plano.

A isenção da informação não deve ser encarada como uma virtude, mas como um dever, um padrão de comportamento, um comprometimento profissional. Em países como Estados Unidos e Inglaterra, é inconcebível um "jornalista" endossar produtos mediante a inserção de merchandising durante os programas. Entretanto, aqui no Brasil, os jabazeiros de plantão contam com a conivência dos diretores das suas emissoras, que incentivam está prática abominável.

Em programas de ficção ou de entretenimento o merchandising é totalmente aceitável, uma vez que a informação não é o foco, mas sim o entretenimento e a diversão. Agora, o que não pode, é esses engodos defenderem a tese de que os programas esportivos são entretenimento, como subterfúgio para justificarem a introdução venérea do merchandising. Não é este o caso.

Então, melhor não citar nomes. Seria dar crédito demais para quem não merece. Esse gostinho, a banda podre do jornalismo esportivo não terá. Prefiro enaltecer as qualidades de jornalistas do "nipe" de Armando Nogueira, Juca Kfouri, José Trajano, Tostão, Jorge Kajuru e Heródoto Barbero, dos quais sou fã de carteirinha. Estes, além de idôneos e imparciais, resistem à publicidade e lutam pela informação acima de tudo. Apesar de não ter uma procuração para defendê-los publicamente, o faço porque possuem algo que todo jornalista sério deveria ter: ética, profissionalismo e credibilidade, requisitos que estão em falta no jornalismo esportivo brasileiro.