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Comunicação
Os novos tempos da comunicação e do relacionamento
com os públicos no setor supermercadista
Aislan Ribeiro Greca
Formado em Relações Públicas
pela Universidade Estadual de Londrina, trabalha como consultor em comunicação
para a rede de Supermercados Fatão e é pós-graduando
em Publicidade e Propaganda
A globalização é um fator que também está
presente no setor supermercadista. Hoje, várias são as empresas
que estão expandindo suas ações em nível mundial,
gerando marcas famosas, como as de grandes redes, que estão na
maioria dos países desenvolvidos e emergentes.
No entanto, saber como cada país, ou região de uma nação
responde sobre uma determinada ação comunicacional desenvolvida,
não é algo fácil de se fazer quando as empresas agem
por base de uma estratégia global. O problema das grandes redes
de supermercado, ou de qualquer empresa varejista, é a relação
direta que esta tem com o consumidor, pois ele é diferente em cada
lugar, com suas mais diversas culturas e formas de percepções.
É o que defende Quelch, ao afirmar que "é preciso dedicar
atenção à adaptação ao local"
(apud ROTHENBERG, 2001, s/p). Ele defende ainda, que após se ter
conquistado um grupo particular de clientes, é necessário
observar as preferências locais do restante dos consumidores e públicos.
Sendo assim, "no caso das estratégias de marketing e comunicação
há uma descentralização da gestão em beneficio
das unidades locais" (MATTOS, 2000,s/p.), ou seja, essas estratégias
são definidas de acordo com as demandas de uma determinada região
tentando-se assim, desmassificar ao máximo o consumo e o relacionamento
entre a comunidade em que a empresa está inserida.
Esta busca pela desmassificação está trazendo para
o setor supermercadista a necessidade de aproximar-se cada vez mais de
seus clientes com o objetivo de obter um relacionamento mais intenso e
duradouro, contribuindo para a geração da fidelidade. Assim,
surge a tendência de se criar os chamados "supermercados de
bairro", estabelecimentos montados estrategicamente para atender
preferencialmente a uma determinada região, em um espaço
físico menor, se comparado aos hipermercados, com custo de operacionalização
baixo, mas oferecendo tudo que o consumidor necessita em um pequeno espaço.
Deste modo, utilizando-se como chamariz, principalmente, o fator conveniência.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira
de Supermercados (ABRAS), a conveniência, ou seja, a proximidade
do estabelecimento com a casa ou trabalho é o fator mais importante
para o consumidor escolher e freqüentar um determinado supermercado,
sendo este mencionado por 52% da população entrevistada
abrangendo todas as classes sociais de A a E. "É importante
enfatizar que a proximidade tem o mesmo peso tanto para clientes de pequenos
estabelecimentos quanto para os de grandes lojas" (LUKIANOCENKO,
2003). Desta forma, é possível observar que no varejo o
aspecto emocional e o relacionamento são elementos que estão
intimamente ligados ao sucesso do negócio. Empresas de referência
já enxergaram estas características e hoje colhem os frutos
de um trabalho de adaptação aos novos tempos.
(...)temos, como nunca antes, um brasileiro mais crítico ,
decidido e consciente de seu papel nas relações de consumo.
Em paralelo a esse perfil mais reivindicador, ele é também
mais emocional, capaz de trocar de loja ou de marca por um atendimento
mais atencioso ou por um serviço diferenciado.(SOUSA, 2003, s/p.)
Investir em comunicação, principalmente quando se busca
um resultado em longo prazo, é algo que demanda audácia
e confiança no seu negócio, sendo que no varejo isto tem
que estar muito mais presente, pois as respostas do consumidor sobre as
ações e práticas são instantâneas, levando
a empresa do sucesso ao fracasso quase que de imediato.
Vale ressaltar que todas as estratégias de comunicação
devem ser embasadas em um planejamento de Comunicação Corporativa
e Organizacional envolvendo os mais diversos públicos, como por
exemplo os públicos: interno, clientes, imprensa, fornecedores
e comunidade. É o que defende Jorge ao afirmar que:
A comunicação empresarial deve integrar e coordenar todas
as funções e atividades inerentes. Ela não deve subordinar-se
a outras áreas, como Marketing, RH ou Financeiro, como acontece
em algumas empresas, não só no Brasil, como nos Estados
Unidos e em outros países. Subordinada a outros departamentos,
fica praticamente impossível administrar a comunicação
de forma estratégica. (JORGE, 2000, s/p)
Ele complementa dizendo que a comunicação organizacional
"contribui para a eficácia organizacional e corporativa quando
ajuda a conciliar os objetivos da empresa com as expectativas de seus
públicos estratégicos".
Deste modo, o trabalho com o público interno é fundamental
quando a empresa se encontra no setor varejista, pois quem se relaciona
com o cliente é o funcionário, sendo este um elemento importante
presente no atendimento e no relacionamento. "Se o consumidor é
a alma do negócio de qualquer empresa, quem interage constantemente
com ele? A resposta será o funcionário, direta ou indiretamente".
(GIANGRANDE,1997, p.33) Farias defende que:
É necessário buscar a participação dos
funcionários e também da direção no processo
de uniformização da identidade empresarial. Treinamento,
integração, conhecimento do produto/serviço que a
organização oferece, programas de motivação,
processos de busca da excelência da qualidade, podem ser vistos
como atividades muito diversas entre si. Mas não. Devem ser feitas
antes mesmo de se pensar em abrir canais diretos de atendimento ao público.
(FARIAS, 1998, p. 61)
Ele acrescenta ainda que "a Comunicação Corporativa
estará dando seus primeiros passos quando os componentes da organização
estiverem engajados no processo de identificação da empresa
e uniformização do discurso empresarial". Deste modo,
as políticas, sejam elas de atendimento como as de padrões
de qualidade, devem estar alicerçadas e interligadas, buscando-se
com isso, a uniformização da identidade empresarial. No
entanto, esta uniformização deve ser flexível, capaz
de se adaptar ao local em que a empresa está inserida, principalmente
na questão de atendimento, pois o consumidor de uma metrópole
é muito diferente do consumidor de uma cidade litorânea ou
de uma cidade de porte médio do interior.
Devido a esta necessidade de uma uniformização e identificação,
é de suma importância a participação do gerente
das lojas na comunicação e relacionamento com os clientes
e funcionários, pois é ele quem deve ter a percepção
necessária para moldar as políticas da empresa à
realidade em que se esta inserida. Farias (1998) destaca que a conscientização
de toda a direção e gerência da necessidade de uma
mudança é fator primordial para que esta possa ocorrer.
Sem a participação da direção todo o processo
se torna mais difícil.
Fontes fiéis e sem parcialidade é o que a sociedade busca
das empresas na hora em que a mesma exige uma posição da
organização, as pessoas hoje buscam credibilidade nas informações
e não se deixam mais levar pelas propagandas enganosas, elas querem
a verdade. Segundo Ries (2003), a propaganda carece de credibilidade,
sendo considerada pelo público uma mensagem tendenciosa, sendo
assim, uma comunicação séria, aberta e ampla no intuito
de manter um relacionamento duradouro com a sociedade é o que realmente
pesa na decisão de um cliente sobre qual empresa ele irá
optar.
Hoje, o supermercado que briga somente no preço é visto
aos olhos do consumidor como uma commodite, pois todos fazem isto. O consumidor
espera mais benefícios dessas empresas além de preço
baixo, eles querem ser bem atendidos, ver o supermercado participando
de ações juntamente com a comunidade e ser totalmente responsável
social e ambientalmente.
Mais bem-servido, o consumidor adiciona novos valores e crenças
aos seus critérios de escolha e de julgamento de empresas e marcas.
Em todos os níveis sociais cresce a consciência da dimensão
ética, da cidadania, da valorização dos direitos
humanos e do respeito à capacidade de consumo. Questões
como meio ambiente, reciclagem de embalagens, responsabilidade social
e até mesmo o tratamento dispensado pela empresa aos seus colaboradores
pesam e muito na hora de escolher onde ele vai gastar seu dinheiro. (SOUSA,
2003, s/p.)
Na visão de Lazzarini, o que um supermercado necessita para obter
uma vantagem competitiva é estreitar o "relacionamento de
valor com o cliente", para isto ele aponta seis engrenagens:
1. Ambiente - É preciso avaliar as constantes mudanças
no perfil do consumidor.
2. Estratégias - É necessário se perguntar: como
meu negócio estará nos próximos cinco anos? E buscar
lacunas no mercado para atender necessidades não atendidas.
3. Táticas - Buscar o conjunto integrado de ações
de curto e médio prazo e que dão sustentação
e estratégias.
4. Dinâmica de preços - Dados da ACNielsen usados na pesquisa
Líderes de Vendas apontam que a variação de preços
dos produtos foi menor que a do índice geral, o que fez as marcas
líderes perderem participação. Por isso é
importante ter sempre informações que norteiem a definição
de mix e preços.
5. Consumidor - É preciso conhecer os fatores que direcionam ou
influenciam sua escolha pelo supermercado.
6. Elemento humano - O funcionário da loja faz a diferença
se tiver campo fértil para se desenvolver e satisfazer o cliente.
(LAZZARINI apud. SOUSA, 2003, s/p.)
Analisando sobre este contexto, percebe-se que as relações
públicas e as áreas da comunicação atuando
nas mais diversas "engrenagens", auxiliam com competência
as empresas na construção do chamado relacionamento de valor.
Na atualidade, o que diferencia um estabelecimento do outro é a
capacidade deste se comunicar e relacionar com os seus públicos,
e isto a comunicação organizacional, aliada a estratégias
de Relações Públicas, podem efetivamente fazer a
diferença. A comunicação é matéria
prima básica para agregar valor institucional a um supermercado,
no entanto, ela tem que estar alicerçada a um planejamento capaz
de integrar o ambiente interno com o externo, adequando a empresa às
novas demandas que surgem neste mercado globalizado e cada vez mais competitivo.
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