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Case
Políticas de Comunicação: O Caso
EMBRAPA
Heloiza Dias da Silva
Jornalista, com especialização em Divulgação
Científica pela UnB, foi chefe da Assessoria de Comunicação
Social da Embrapa de 1996 a 2002. Atualmente é mestranda em Comunicação
pela UMESP
Resumo
As mudanças ocorridas nos universos da comunicação
e da gestão empresarial, notadamente a partir da década
de 90, tem requerido das organizações, sejam elas privadas
ou públicas, a ampliação e o refinamento dos conceitos,
o redirecionamento e aprimoramento dos canais de relacionamento com seus
públicos e a consolidação da comunicação
como insumo estratégico. Ao apresentar a experiência da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa na construção
de sua política de comunicação o presente artigo
objetiva demonstrar ser possível estender conceitos e práticas
de qualidade e de gestão à comunicação empresarial.
Busca apresentar também alguns exemplos dos mecanismos utilizados
pela empresa para inserir estrategicamente a comunicação
em sua Política Geral de Administração e incorporá-la
em todas as instâncias da organização.
Introdução
Enquanto atividade, a comunicação sempre existiu de alguma
forma, no interior de uma organização e entre esta e seu
ambiente externo. Mas enquanto subsistema formalmente vinculado à
estrutura de uma organização, a Comunicação,
no Brasil, é um fenômeno relativamente recente. Antes da
década de 1970, as atividades de comunicação desenvolvidas
pelas empresas ou entidades eram fragmentadas e exercidas por profissionais
de outras áreas, mas, a partir dessa década algumas mudanças
importantes passaram a ocorrer como a gradual implantação
de uma cultura de comunicação nas empresas e sua gestão
por profissionais especializados. A Comunicação Empresarial
ganhou status nas organizações, transformando-se num campo
de trabalho profícuo e atraindo profissionais de todas as áreas.
As mudanças políticas, sociais, econômicas e tecnológicas
que começaram a acontecer a partir de 1980 passaram a exigir um
relacionamento mais estratégico das empresas com os seus públicos.
As organizações brasileiras se depararam com demandas comunicacionais
inéditas por força do fim do ciclo dos governos militares
e a volta da democracia e, na década de 90, por inúmeras
outras transformações: mudança do papel do Estado
na economia, abertura comercial, processo de privatização
de empresas estatais, desregulamentação de atividades econômicas
e aquisições maciças de empresas nacionais por grupos
estrangeiros, a tendência de fusões empresariais e a instituição
do Código de Defesa do Consumidor. A busca por excelência
passou a ser determinante não só para o sucesso da empresa,
mas para a sua própria sobrevivência em um mercado competitivo
e globalizado. A interação entre organizações
e sociedade tornou-se mais complexa. Integrar a comunicação,
em suas diferentes formas de processamento aos objetivos e metas das organizações
passou a ser um desafio.. As empresas, sejam públicas ou privadas,
preocupadas com qualidade total de seus produtos e serviços, passaram
a ter também a obrigação de buscar a qualidade total
na comunicação com os seus públicos . Os modelos
de gestão empresarial voltaram-se para a relação
com clientes, fornecedores, acionistas, empregados e com a comunidade,
levando as organizações a um reposicionamento da comunicação,
menos operacional e mais estratégico, integrada ao processo de
tomada de decisões. A comunicação começou
a ser vista como instrumento de inteligência competitiva, e como
tal passou a requerer planejamento, capacitação e adoção
de práticas modernas de coleta, tratamento, recuperação
e transmissão das informações (Bueno, 2003).
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, órgão
vinculado ao Ministério da Agricultura e Abastecimento, como instituição
líder na geração de conhecimentos e tecnologias para
o agronegócio do mundo tropical, não ficou passiva frente
as mudanças que se vislumbravam e investiu fortemente em um Novo
Modelo de Gestão e uma nova Agenda Institucional, onde a comunicação
assumiu posição estratégica, ao lado das áreas
de Pesquisa e de Transferência de Tecnologia.
A Comunicação na Embrapa
Até a década de 1980, a Comunicação na Embrapa
era considerada processo de pouca prioridade, em que pese os vários
esforços realizados, em diferentes momentos, por profissionais
ou setores envolvidos com a área. A partir de 1982, surgiram algumas
iniciativas voltadas à definição de diretrizes e
à normatização de ações de comunicação.
Ainda que isoladas, essas iniciativas geraram importantes documentos,
cujas propostas, no entanto, não foram efetivadas. Em 1990 houve
a primeira tentativa de elaboração de uma política
de comunicação, que acabou se limitando a um documento orientador.
Em 1993, os primeiros sinais de que a comunicação começaria
a ser tratada como uma das prioridades da empresa surgiram com a aprovação
de um projeto voltado para a construção de uma "Política
de Comunicação para a Embrapa".
A questão entretanto continuou sendo tema freqüente de discussões
entre os profissionais da área que, por falta de diretrizes para
a comunicação, atuavam de forma desarticulada. Os Centros
de Pesquisa da empresa, dispersos geograficamente, adotaram posturas independentes
em termos de comunicação, atuando de forma isolada e descoordenada,
fazendo com a que a Embrapa fosse vista pelos públicos de maneira
fragmentada, enfraquecendo a sua imagem e comprometendo a integridade
de sua identidade. A própria logomarca da empresa era utilizada,
nas peças de comunicação e em publicações
técnicas, sem qualquer padrão visual, à mercê
de diferentes tamanhos, formatos e cores.
Da fragmentação à visão integrada
Mais visíveis desde o final dos anos 80, as novas exigências
do ambiente externo ganham forças nos primeiros anos da década
de 90 e passam a demandar da Empresa uma postura mais transparente, ágil
e orientada para o mercado, o que enfatizou ainda mais a necessidade de
se estabelecer um sistema de comunicação organizado e diretrizes
gerais para a área. Mais do que gerar informações,
tecnologias e serviços, a empresa deveria atrair e conquistar a
estima e boa vontade de seus públicos. Era preciso atuar tanto
na busca de qualidade e rapidez nas soluções para as necessidades
da sociedade, quanto no fortalecimento de sua reputação
e reconhecimento institucional. Priorizou-se assim, em 1995, o desenvolvimento
de um amplo programa de comunicação da Embrapa com os seus
públicos, orientado por uma política de comunicação
empresarial, a qual, juntamente com as Políticas de P&D (Pesquisa
e Desenvolvimento) e de Transferência de Tecnologia, dariam a partir
de então, sustentação à política de
administração da Empresa.
A comunicação foi definida como um dos projetos gerenciais
estratégicos e o objetivo era elaborar uma política de comunicação
que permitisse maximizar a interação da empresa com os seus
públicos e consolidar seu conceito e imagem junto à sociedade.
Para a execução desse projeto foi constituído um
grupo de trabalho, sob a coordenação da Assessoria de Comunicação
Sócial-ACS e com representantes das áreas de pesquisa e
transferência de tecnologia, negócios, assessoria parlamentar,
informação, informática e recursos humanos. Desse
Grupo participaram ainda representantes de vários Centros de Pesquisa
da Empresa e um consultor externo, o professor Wilson da Costa Bueno,
Doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo
-USP, especializado nas áreas de Comunicação Empresarial,
Jornalismo Científico e Comunicação Rural.
O trabalho de elaboração da política começou
em 1995 e foi concluído em maio do ano seguinte, quando a diretoria
da empresa aprovou o documento que, a partir de então, iria nortear
todas as ações de comunicação da Embrapa.
Como estratégia principal para internalizar a política e
deflagrar efetivamente esse processo foram realizados seminários
regionais os quais reuniram 254 profissionais ligados direta ou indiretamente
à Comunicação, além de gerentes da empresa.
Os seminários e a realização de uma ampla campanha
interna para mostrar a comunicação como um compromisso de
todos os empregados, e não de um departamento ou área, foram
decisivos para que a comunicação começasse a ser
compreendida como processo estratégico em uma empresa que até
então basicamente restringia sua atuação de comunicação
ao apoio à difusão de tecnologias. Uma nova concepção
- a de Comunicação Empresarial - se impôs como fator
imprescindível no relacionamento da Embrapa com a sociedade, em
geral, e com segmentos de público, em particular, e como insumo
fundamental para o fortalecimento da imagem da empresa.
A política de comunicação representou, enfim, o marco
para a organização do processo de comunicação
na Embrapa. A instalação de estruturas físicas e
organizacionais nos Centros de Pesquisa - áreas de comunicação
empresarial (ACEs), a criação dentro do Sistema Embrapa
de Planejamento de um programa para abarcar todos os projetos e atividades
de comunicação conduzidos na empresa,, treinamentos e contratação
de novos profissionais foram as primeiras ações resultantes
do esforço da Empresa que já pretendia ser reconhecida pelos
seus padrões de excelência, tanto em suas pesquisas quanto
na sua relação com a sociedade brasileira.
As ações de comunicação da Embrapa, com a
parceria de outras áreas e setores da empresa, voltaram-se assim
não apenas ao suporte ao processo de transferência de tecnologia,
mas também, e necessariamente, ao fortalecimento da marca e a busca
pela qualidade na comunicação institucional (ou corporativa),
de modo a honrar os conceitos diretrizes e valores na Política.
Diversas foram, a partir de 1996, as estratégias e instrumentos
utilizados sejam para normatizar ou efetivar as disposições
contidas na Política sejam para apoiar a internalização
dos novos conceitos e a mudança da cultura interna. Manuais de
Atendimento ao Cliente, de Editoração, de Eventos, de Identidade
Visual, de Redação de Textos Jornalísticos vieram
padronizar os procedimentos de comunicação e dar unicidade
aos discursos e ações da empresa. Iniciativas voltadas para
melhorar o atendimento aos públicos receberam reforço com
campanhas internas comportamentais, com a criação dos SACs
(serviços de atendimento ao cidadão/clientes) e da Ouvidoria
e com treinamentos nos serviços de recepção, atendimento
telefônico, transporte e secretaria. Uma nova visão de valorização
do cliente e cidadão ganhava corpo na Embrapa. Paralelo a isso,
pesquisas de satisfação do cliente começaram a ser
realizadas tanto para subsidiar a avaliação de desempenho
dos centros de pesquisa e das unidades da Administração
Central quanto para nortear os processos de melhoria das atividades conduzidas
pela Empresa. Vale ainda lembrar a instituição da auditoria
de qualidade no atendimento, via "cliente misterioso", ou como
internamente era chamado"cliente fantasma", cujo principal mérito
foi acompanhar e orientar o processo de adoção por todos
os empregados - da diretoria ao pessoal de apoio -, dos princípios
gerais de excelência no atendimento ao cliente/cidadão. Diferentemente
do que se vê ainda no mercado, todo esse processo foi conduzido
pela área de comunicação e não pela área
de marketing.
Uma nova Marca
Consolidar a percepção da marca Embrapa, dentro da política
de maximização do relacionamento com diferentes públicos
exigia que a empresa definisse de maneira mais efetiva sua identidade
visual. Isso porque a marca, até então (1995) era usada
nos diferentes Centros de Pesquisa, sem qualquer padrão. Em função
disso contratou-se, no início de 1995 um estudo de identidade visual
para a Embrapa cujo objetivo era o de propor um manual para o uso correto
da logomarca da Empresa em suas peças impressas e audiovisuais.
Um estudo da marca demonstrou, no entanto, que o problema ia além
da questão de padronização. Pesquisa aplicada junto
a diversos segmentos da sociedade indicou que o nome da Empresa era relativamente
bem conhecido, mas sua marca não. Além disso, os elementos
que a representavam eram parecidos com as marcas de inúmeras outras
empresas, inclusive do exterior, o que abria a possibilidade de que a
Embrapa fosse confundida com outras instituições. Outro
fato que contribuía para a pouca memorização ou identificação
da marca da Empresa era a existência de três elementos concorrendo
entre si: a sigla, o nome da Empresa por extenso e o símbolo que
a representava. Como resultado do estudo, em março de 1996, propôs-se
à diretoria mudança da marca da empresa, onde foram apresentadas
três sugestões que melhor representariam a instituição
(transmitindo a imagem de uma empresa moderna e única) e muito
mais fácil de ser memorizada pela população. Sob
a coordenação da Assessoria de Comunicação,
a escolha da nova marca foi realizada por processo de votação,
aberto a todos os empregados. Um processo democrático mas bastante
polêmico, caracterizado por fervorosas discussões entre aqueles
que defendiam a mudança e os que a ela eram contrários.
Pela maioria dos votos, institui-se assim, a marca que, a partir de então,
viria substituir, paulatinamente, a logomarca usada pela Empresa desde
sua criação, em 1973.
Mas não bastava criar uma nova marca. Era necessário traçar
estratégias para a disseminação e padronização
do seu uso em todas as manifestações visuais da Empresa
- dos formulários, placas de sinalização e veículos
aos folhetos e crachás. Mais do que isso, era importante conjugar
todos os esforços para valorizar a nova marca, principalmente porque
ainda haviam restrições ao seu uso por parte de alguns empregados
da empresa cujos vínculos sentimentais com a marca antiga ainda
eram muito fortes. Estratégias e ações operacionais
para a consolidação da nova marca começaram a ser
colocadas em prática já no mês de abril daquele ano
(1996), e contemplaram desde a elaboração de um manual de
identidade visual (pelo qual as formas de aplicação da marca
foram normatizadas), treinamento dos profissionais e palestras informativas
até a iniciativa inédita, pelo menos no âmbito governamental,
de instituição em cada Centro de Pesquisa da figura do guardião
da marca Embrapa. Os guardiões da marca (hoje mais de 40) são
os profissionais responsáveis em assegurar o uso correto da marca
em todas as ações da empresa, fazendo cumprir as normas
estabelecidas no Manual de Identidade Visual. Foram eles os principais
atores no processo de transição das marcas.
Se a mudança da marca mostrou-se estratégica para a maior
visibilidade da Empresa, a criação de assinaturas síntese
para as Unidades de Pesquisa foi fundamental para o fortalecimento da
imagem institucional. A existência de diferentes razões sociais,
nomes e siglas para identificar os Centros de Pesquisa acabava dificultando
a consolidação da marca Embrapa. A sociedade nem sempre
conseguia perceber que instituições conhecidas como o Centro
de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados - CPAC - ou o Centro Nacional
de Pesquisa de Soja - CNPSo - apenas para citar dois exemplos - eram Unidades
da Embrapa. Não havia, no nome ou na sigla, qualquer elemento que
identificasse a Empresa. Assim, ainda em 1996, e também em consonância
com as diretrizes da Política de Comunicação, as
siglas pelas quais as Unidades da Embrapa eram denominadas foram substituídas
por nomes que sintetizam os produtos, temas ou ecorregiões objetos
da atuação da empresa. Em lugar de CPAC passou-se a usar
Embrapa Cerrados, em vez de CNPSo, Embrapa Soja e assim por diante.
O impacto positivo dessa iniciativa pôde ser constatado principalmente
na análise do clipping do noticiário veiculado pela imprensa.
Nome e imagem da Embrapa passaram a se apresentar à sociedade de
maneira corporativa. A empresa começou a ser percebida como uma
única Embrapa em lugar de dezenas de unidades de pesquisa dispersas
geograficamente e desassociadas institucionalmente.
Relacionamento com os públicos e Gestão de Imagem
Ajustar as ações de comunicação ao seu Plano
Diretor e às diretrizes de suas Políticas levou a Empresa
a continuar investindo em novas estratégias para aproximá-la
ainda mais dos diversos segmentos da sociedade. Assim, diversos programas
de comunicação foram conduzidos junto um amplo leque de
públicos , contemplando desde os agentes de transferência
de tecnologia e produtores rurais até empresários, políticos,
cientistas e consumidores.
Aperfeiçoar sempre, parar jamais. Era preciso conhecer com mais
detalhes a percepção da sociedade sobre a Embrapa de forma
a melhor conduzir as atividades de comunicação. Assim, foi
realizada, em 2000 a primeira pesquisa de opinião para identificar
a imagem da empresa junto aos seus principais segmentos de público
(urbano e rural). Os resultados subsidiaram não só o trabalho
de comunicação mas as articulações institucionais
da empresa. Merece ênfase o Plano de Gestão da Imagem da
Embrapa que indica ações de comunicação para
ampliar, consolidar e implementar a percepção correta da
Embrapa junto aos diferentes públicos com os quais a empresa se
relaciona. O Plano de Gestão da Imagem prevê ações
de comunicação segmentada, definidas de acordo com as características
de cada público da empresa.
Comunicação interna
A Política de Comunicação da Embrapa ressalta o estabelecimento
de fluxos de comunicação ágeis e eficientes entre
a direção da Empresa, o quadro gerencial e o universo de
colaboradores, apoiando-se no fato de que o empregado contribui, de forma
decisiva, para a formação da imagem da Empresa. Para que
esses fluxos fossem melhorados, entendeu a Embrapa ser preciso fazer um
diagnóstico do estado da comunicação interna. Era
preciso ouvir os empregados, identificar anseios ligados à comunicação.
Uma pesquisa, conduzida pelo "Instituto Fonte Pesquisa e Análise"
foi, então, aplicada junto a todos os empregados da Empresa e em
paralelo a uma pesquisa sobre Clima Organizacional.
Os resultados da pesquisa sobre comunicação interna apontaram
anseios dos empregados relacionados à comunicação
stricto-sensu (veículos, linguagem, conteúdo) e sugeriram
"sentimentos" a respeito dos impactos que tiveram as mudanças
empreendidas pela Embrapa nos últimos anos e do papel da comunicação
na melhoria da relação com clientes e na construção
dos laços entre empregados(construção de relacionamento).
Esses resultados, aliados aos obtidos na pesquisa sobre clima organizacional,
subsidiaram a elaboração de um Programa de Aprimoramento
da Comunicação Interna. O Programa, por sua vez, foi, pouco
mais tarde, a base para o escopo do Objetivo Estratégico Melhoria
da Comunicação Interna, do Modelo de Gestão Estratégica
- MGE, implantado pela Embrapa a partir de 1999. Reformulação
dos veículos de comunicação interna, criação
de novos, campanhas para internalização de conceitos importantes
para a Empresa, programas de interação entre empregados,
voltados também à participação dos familiares
e reforço da comunicação entre equipes e entre gerentes
e empregados constam do Plano de Ação Estratégica
- PAE conduzido no âmbito da comunicação interna.
Comunicação institucional e Comunicação mercadológica
- uma revisão da política
A busca pela qualidade da comunicação é permanente.
Em 2002, depois de sete anos da edição da Política
de Comunicação, um grupo de trabalho foi criado para a revisão
do documento. Há o entendimento de que políticas, em geral,
devem ser atualizadas e acompanhar as mudanças internas e externas
à organização. Conceitos, valores, diretrizes e procedimentos
devem, portanto, se adequar a novos cenários.
A primeira versão da Política previa que as diferentes modalidades
de Comunicação existentes na Empresa - Administrativa, Científica,
Governamental, Mercadológica, Social e para Transferência
de Tecnologia - respondessem pela execução de trabalhos
específicos, sem, no entanto, perder de vista a articulação
entre si. Na revisão - e essa é uma das mudanças
em destaque - as modalidades foram inseridas em dois focos principais
da comunicação - o institucional ou corporativo e o mercadológico,
focos esses já contemplados no primeiro documento.
Para atender ao foco institucional, a comunicação passou
a criar ou reforçar relacionamentos que promovam a legitimação
da Empresa junto a diversos públicos de interesse - colaboradores,
clientes, governo, comunidade científica, imprensa, etc. Nesse
caso, ela prioriza ações, fluxos e canais que contribuem
para a maior visibilidade à gestão administrativa e filosofia
negocial, à prática da responsabilidade social e à
competência técnica e científica da Embrapa. Busca
garantir à opinião pública o acesso a informações
confiáveis sobre a Empresa e, assim, meios para que ela acompanhe
e avalie o desempenho da organização. A comunicação
cumpre papel importante no gerenciamento da imagem institucional, e abarca
as atividades de assessoria de imprensa, relações públicas,
promoção, publicidade e propaganda, jornalismo empresarial
e os programas de identidade visual e de comunicação interna.
A comunicação voltada para o foco mercadológico está
fortemente vinculada ao apoio à transferência de tecnologia
ao setor produtivo. De forma diferente do institucional, o foco mercadológico
é subordinado, mais diretamente às exigências do próprio
mercado. A transparência continua valor essencial, mas muitas vezes
o mercado exige que a informação esteja resguardada para
que o conhecimento adquirido, patrimônio maior das instituições
de ciência e tecnologia, seja protegido.
Em função das mudanças em alguns focos de atuação
da Empresa pelo atual Governo, novos ajustes estão sendo efetuados
neste momento na Política de Comunicação da Empresa,
mantendo íntegro, entretanto, o princípio básico
exposto no documento inicial, definido em 1995: "a comunicação
é um processo que compete a todos e que exige capacitação.
Ela deve vislumbrar, ao mesmo tempo, o cliente e o cidadão e se
constituir num autêntico sistema de inteligência empresarial"
(PCE, 2002).
Ações Corporativas e qualidade em eventos
Sempre em parceria com outros setores da Empresa, as ações
conduzidas pela Assessoria de Comunicação visam especialmente
ao fortalecimento da marca Embrapa e a busca pela qualidade na comunicação
institucional ou corporativa, de modo que ela possa honrar os conceitos,
diretrizes e valores previstos na sua Política. Visam também
ao posicionamento da Empresa na solução de problemas nacionais
e como referência em assuntos de pesquisa agropecuária, no
Brasil e no exterior.
Nesse sentido uma das estratégias adotadas pela empresa foi intensificar
a sua participação em eventos. A Embrapa promove e participa
de inúmeros eventos: feiras e exposições, congressos,
seminários, reuniões, visitas, lançamentos de tecnologia,
dias-de-campo, painéis, fóruns nacionais e internacionais,
de natureza institucional ou técnico-científica. Esses eventos
permitem que a Empresa mostre seu trabalho à sociedade e representam
valiosas oportunidades de negócios para a organização.
Por isso, exigem a correta identificação da Embrapa e padrões
que contribuam para o fortalecimento da identidade corporativa e construção
da imagem positiva. A participação da Empresa em eventos,
então, é cercada de cuidados que visam à qualidade
dos estandes, dos painéis, dos produtos expostos e conteúdos
apresentados e do atendimento ao público. Para que essa preocupação
com a qualidade fosse comum a todas as participações da
Empresa, diversas ações foram desenvolvidas com o objetivo
de disseminar informações e a estabelecer padrões
desejáveis.
Além de treinamentos práticos, um Manual de Eventos foi
editado em 1997 para profissionalizar as atividades desenvolvidas nessa
área, sendo um dos instrumentos operacionais da Política
de Comunicação da Empresa. O Manual fornece orientações
quanto à programação e participação
da Embrapa em eventos de qualquer natureza, define critérios e
procedimentos básicos, bem como as normas protocolares e de cerimonial
que devem ser seguidos. O Manual é fundamental para a maior unidade
na apresentação da Embrapa, consolidando a imagem da Empresa
frente a todos os segmentos de públicos.
Modelo de Gestão
A Embrapa foi pioneira na adoção, em 1996, do Balanced Scorecard,
método em que a estratégia da instituição,
traduzida em processos, é estendida a todos os níveis organizacionais
e envolve todos os empregados na sua execução. O método
é a base do Modelo de Gestão Estratégica (MGE) que
permite aos dirigentes e empregados o monitoramento dos passos da Empresa
rumo ao cumprimento de sua missão. Por esse Modelo (atualmente
em processo de revisão), a gestão da empresa foi dividida
em duas partes: estratégica, que contempla a missão, visão,
perspectivas, temas, objetivos e iniciativas estratégica, e operacional,
centrada na forma de organização e divisão do trabalho(processos).
O MGE focaliza o desempenho institucional sob as perspectivas financeira,
clientes, processos internos e aprendizado e crescimento. Cada perspectiva
é desdobrada em objetivos estratégicos e cada um desses
objetivos possui iniciativas, ações e indicadores de desempenho.
A Comunicação foi inserida nesse Modelo e responde por dois
objetivos estratégicos da Empresa: "Aprimorar a imagem de
excelência institucional" e "Fortalecer a Comunicação
Interna". Além disso, em parceria com outras áreas
da empresa, conduz iniciativas em oito outros objetivos estratégicos.
Conclusão
A Embrapa dispõe hoje de metodologia, procedimentos e condições
técnicas para gerenciar a influência recíproca entre
a própria empresa e seus diversos públicos de interesse.
Concebido a partir de uma Política de Comunicação
clara e bem estruturada o Programa de Gestão da Imagem da Embrapa
leva em consideração que atualmente as empresas competem
não só pela participação nos mercados, mas
também pela estima de seus públicos, ou seja, por reputação.
Vários estudos têm demonstrado que, quanto melhor a reputação
de uma empresa, melhores são os resultados e mais forte é
a sua posição no mercado. Imagem ou reputação
institucional é, assim, elemento essencial que afeta a estratégia
corporativa, razão pela qual necessita ser constantemente monitorada
e avaliada.
Ao gerenciar a comunicação a partir desses referenciais
básicos, a Embrapa passou a atuar, a partir de 1996, de forma muito
mais estratégica e eficaz, direcionando seus recursos humanos e
financeiros nessa área para o cumprimento de metas definidas, tanto
em relação ao foco institucional, quanto ao foco mercadológico
para transferência de tecnologia.
O processo de atribuir à comunicação função
estratégica em uma empresa de pesquisa foi pioneira e até
hoje é exemplo para outras organizações. Os resultados
são visíveis. Nunca a sociedade brasileira - entendidos
todos os seus segmentos - procurou tanto a Empresa, o que mostra a maior
interação com os públicos. Notícias sobre
a instituição passaram a ocupar páginas de jornais
das diversas editorias, o que evidencia que a Embrapa, antes restrita
aos espaços agropecuários, tornou-se referência também
pela capacidade de gerar resultados que transformam, para melhor, a economia
do país e a qualidade de vida da população brasileira.
Somam-se a isso os resultados obtidos com o trabalho contínuo de
melhoria da qualidade da comunicação interna, expressos
no aprimoramento dos processos de atendimento ao público e no compromisso
com a comunicação assumidos claramente por todos os empregados-
dos mais humildes aos mais graduados.
Hoje, passados oito anos da implementação da Política
de Comunicação, pode-se observar uma maior conscientização
por parte da Empresa para a importância da comunicação.
Conscientização que ganha força em momentos de crise
e que cresce à medida que se fortalecem a marca da Embrapa e a
imagem da instituição.
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