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Comunicação
e Responsabilidade Social Comunicação no Terceiro Setor Assessoria de Imprensa / Relacionamento com a mídia Comunicação Interna Publicidade/Marketing Comunicação e Cultura Organizacional Comunicação e Crise nas organizações Auditoria de Imagem das organizações Comunicação Pública (Governamental etc) Diversos |
Comunicação e Crise nas Organizações O mundo, a crise e o espetáculo Resumo
Palavras-chaves: contemporâneo / pós-moderno / mídia / crise / mimese/ espetáculo.
O Mundo Contemporâneo Os últimos trinta anos da história do homem são
marcados, por uma profunda transformação do tempo, da informação
e da velocidade, gerando a obsolescência não só das
suas criações, mas dele próprio num processo de avanço
e retrocesso. O limite do homem contemporâneo é o seu desejo,
e a realização desse, a sua capacidade de alterar o real
através do uso da tecnologia. A sensação de controle
sobre si mesmo e sobre a natureza, o mantém distante da realidade,
criando em sua passagem, um rastro de descontrole e destruição,
numa sucessão de crises e violências na qual nada passa impune,
nem o homem nem a sua criação. A busca pelo mundo perfeito, baseado na queda das fronteiras científicas,
tecnológicas e territoriais, parece ter levado o homem ao descontrole
na sua própria gestão. O poder das nações
se mostra fragmentado. Guerras surgem com o pretexto de controle sobre
a insanidade de ditadores com a mesma violência com que foi gerado
o regime ao qual se propõe destruir; o ecossistema é preservado
como um grande laboratório testado no limite de sua capacidade
de sobrevivência; o poder se sustenta não mais sob a insígnia
da igualdade, mas sob o encastelamento das diferenças. O que se
acreditava ser o grande momento na história da evolução
humana se mostra marcado pela indiferença, pelo descrédito
e pela ausência de alternativas que consigam ser aceitas por todos
os habitantes do planeta. "(...) atual estado das coisas, é o de uma pós-orgia. A orgia é o momento explosivo da modernidade, o da liberação em todos os domínios. Liberação política, liberação sexual, liberação das forças produtivas, liberação das forças destrutivas, liberação da mulher, liberação da criança, das pulsações inconscientes, liberação da arte. Assunção de todos os modelos de representação e de todos os modelos de anti-representação. Total orgia de real, de racional, de sexual, de crítica e de anticrítica, de crescimento e de crise de crescimento". (1996, p. 9) O excesso leva a busca pelo inusitado como paliativo para a ausência
de sentido. A insignificância humana não deve transparecer,
o poder deve se açucarar até se transformar em algo palatável
mostrado como um bem com propósito de salvaguardar a espécie
dos transgressores dessa "orgia", expurgando os fantasmas da
incoerência a categoria do indesejável. "Docemente bárbara, como todo refinado apanágio do poder, ela se manifesta por seus efeitos (...) Por certo, a violência da velocidade faz ninho, por exemplo, com as ameaças verbais e não verbais, as chantagens, o assédio sexual ou moral, as formas preconceituosas e racistas de tratamento, os atos de humilhação e difamação públicas, e assim por diante". (2002, p.259). O avanço científico faz acreditar que temos a capacidade de controle, não só sobre o tempo, mas sobre a vida. Não nos contentamos apenas em recuperar as feridas, mas buscamos a construção de novos seres, melhor capacitados, para viver o grande sonho humano da vida eterna. Para Baudrillhard : "A ciência bio-físico-mecânica dá início ao processo analítico do corpo, e a genética micromolecular não é mais que a sua conseqüência lógica, mas a um nível de abstração e de simulação bem superior, o nível direto do código genético, em torno do qual se realiza toda a fantasmagoria. Cada célula de um corpo se torna uma prótese " embrionária" desse corpo". (1991, p.127) A explosão de imagens e a estetização contagiam o real que passa a ser um apêndice do virtual. A urgência da velocidade e a estética contaminam os sentidos. O real perde a função, passando a ser inexpressivo, necessitando ser ampliado até criar a magnitude permitida antes apenas em sonho. Baudrillhard alega que "(...) até o mais marginal, o mais banal, o mais obsceno estetiza-se, culturaliza-se, "musealiza-se". Tudo é dito, tudo se exprime, tudo toma força de um signo". (1996, p.22) O planeta ficou pequeno não há mais espaço desconhecido,
não existe fronteiras, o domínio do homem se estendeu à
sua permanência no planeta. O controle sobre o futuro adquiriu feições
titânicas, podendo a continuidade da espécie ser decidida
não mais pelo poder divino, mas pela interceptação
de possíveis intrusos na órbita terrestre ou do humor dos
que se sentam no poder. Numa percepção irreal da soberania
do ser humano sobre o seu destino. A Crise O excesso, a velocidade e o grande volume de informações,
aliados à transformação do que é privado em
público se tornaram ferramentas de regulamentação
para convivência, fazendo com que nada passe desapercebido. Todos
e tudo podem ser expostos, dependendo unicamente da possibilidade do evento
se tornar uma grande atração para o público. "O espetáculo que já não é monopolizado por alguns repete a antiga sabedoria do thetrum mundi no conjunto do corpo social. Este último não é mais uma simples metáfora para o uso de alguns sociólogos, mas vem a ser uma realidade concreta nas manifestações cotidianas, cada vez mais desenfreadas." (2003, p.112) Na contemporaneidade, o homem tem na mídia o seu aliado para o conhecimento de tudo o que acontece no planeta, mas se esquece que o interesse pelo poder e pela lucratividade se aproveita do seu gosto pelo exótico e da turbulência como transgressora da rotina, lembrando como alega Japiassu : "Tudo é social. Nada há de universal. Não há ponto de vista absoluto. Nenhum sistema de crenças pode ser considerado como verdadeiro". (2001, p.28) A necessidade do sentido de comunidade faz par com o sofrimento e com
a perda, lembrando a sensação da humanidade perdida no anonimato
do desenvolvimento. A mídia faz sua parte, exacerbando a emoção,
fazendo fluir a vida e expurgando os fantasmas individuais, numa combinação
corrosiva que leva a apologia da crise seja ela qual for. "Todas as espécies de acontecimentos aí estão, imprevisíveis. Já aconteceram ou estão chegando. O que nos resta fazer é, de certa forma, assestar um projetor, manter a abertura telescópica sobre esse mundo virtual, esperando que alguns desses acontecimentos façam a gentileza de se deixar apanhar". , (1996, p.117) A apologia dos ideais de perfeição para homem contemporâneo
e para as organizações, servem muitas vezes de gatilho para
a crise, que quando exaurida na sua potencialidade pela mídia,
se torna passado, sendo rapidamente substituída por outra crise
e mais outra, numa sucessão de acontecimentos que servem tanto
aos propósitos dos veículos de informação
como também do capital. O Espetáculo A velocidade de propagação da informação, e o poder da mídia têm a força de uma bomba numa situação de crise. Aliados ao gosto pelo show, mídia e público são cúmplices durante o seu desenvolvimento, como na construção de um espetáculo, a mídia escreve o roteiro, a partir do evento desencadeador da crise e de acordo com as necessidades do público naquele momento. Para Debord "O espetáculo nada mais seria que o exagero da mídia, cuja natureza, indiscutivelmente boa, visto que serve para comunica, pode às vezes chegar a excessos. Freqüentemente, os donos da sociedade declaram-se mal servidos por seus empregados midiático; mais ainda, censuram a plebe de espectadores pela tendência de entregar-se sem reservas, e quase bestialmente, aos prazeres da mídia". (2002, p. 171)
"No uso corrompido da linguagem, verossímil, significa tanto quase verdadeiro ou um pouco verdadeiro ou o que ainda pode se tornar verdadeiro. Mas tudo isso a palavra, de acordo com sua formação, não pode designar. O que parece verdadeiro não precisa, por isso, e em grau algum, ser verdadeiro; mas deve positivamente parecer." . (2000, p. 60) Os veículos de informação alimentam o público com o entretenimento. A possibilidade de novelização do fato e sua capacidade de manutenção do interesse público é que determinam o grau de exposição e duração da crise na mídia. Tudo pode vir a ser notícia, os veículos e informação se aproveitam do evento, adaptando-os de acordo com seu interesse e com sua linha de atuação. Gabler conclui que " Só que se a televisão transformou em notícia qualquer coisa que tivesse os rudimentos de entretenimento, também transformou em entretenimento tudo aquilo que tivesse rudimentos de notícia. Na verdade, para a televisão, assim como para os tablóides, o mundo passou a ser visto como uma fonte inesgotável de matéria prima passível de ser processada em programação". (1999, p.81) Os casos O. J.Simpson (1994), Lady Di (1997), Mônica Lewinsky (1998),
Eron (1999) e na versão brasileira os casos como PC Farias (1996),
Shell Paulínia (2001), Suzane Richthofen (2002) e outros, são
demonstrativos da atuação da mídia na capitulação
de eventos com potencial para alimentar os interesses do capital e do
entretenimento. Conclusão Entendemos que os processos que podem levar uma empresa ou pessoa a terem
suas vidas vasculhadas na intimidade e expostas ao escrutínio público,
como fonte de passatempo, não é de maneira alguma fenômeno
exclusivo da pós-modernidade. Mas a capacidade de levar estes eventos
a monopolizadores da atenção do público, através
da velocidade da informação, da vigilância sinóptica
sobre o comportamento e da fuga da rotina através do trágico
ou inusitado, só se tornou possível com o desenvolvimento
tecnológico alcançado pelo homem, característica
exclusiva da contemporaneidade. Bibliografia 1) BAUMAN, Zigmut. Comunidade:a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro, Jorge Zahar,2003. 2) BAUDRILHARD, Jean. A transparência do mal: ensaios sobre os fenômenos extremos. 3a. ed. Campinas, Papirus, 1996. 3) TRIVINHO,Eugênio (org). Sérgio Dayrell Porto.A incompreensão das diferenças: 11 de setembro em Nova York. Brasília, IESB, 2002. 4) BAUDRILHARD, Jean. Simulacros e Simulações. Lisboa, Relógico D'Água, 1991. 5)BAUDRILHARD, Jean. A transparência do mal: ensaios sobre fenômenos extremos. Campinas, Papirus,1996. 6) BAUMAN, Zigmut. Modernidade líquida. Rio de Janeiro, Jorge Zahar,2001. 7) JAPIASSU, Hilton. Nem tudo é relativo: a questão da verdade. São Paulo, Letras, 2001. 8) MAFFESOLI, Michel. O instante eterno: o retorno do trágico nas sociedades pós-modernas. São Paulo, Zouk, 2003. 9) JAPIASSU, Hilton. Nem tudo é relativo: a questão da verdade. São Paulo, Letras, 2001. 10) 2) BAUDRILHARD, Jean. A transparência do mal: ensaios sobre os fenômenos extremos. 3a. ed. Campinas, Papirus, 1996. 11) 3) TRIVINHO,Eugênio (org). Sérgio Dayrell Porto. A incompreensão das diferenças:11 de setembro em Nova York. Brasília,IESB, 2002. 12) DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro, Contraponto,2002. 13) LIMA, Luiz Costa. Mimesis:desafios ao pensamento. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2000. 14) GABLE, Neal. Vida,o filme. São Paulo, Companhia das Letras, 1999.
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