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Comunicação
e Responsabilidade Social
Comunicação
no Terceiro Setor
Assessoria
de Imprensa / Relacionamento com a mídia
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Publicidade/Marketing
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e Cultura Organizacional
Comunicação
e Crise nas organizações
Auditoria
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Comunicação
Pública (Governamental etc)
Diversos
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Diversos
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• Resenha
Artigo
Papel e atuação de jornalistas e relações-públicas
em uma organização, segundo jornalistas
Márcia Yukiko M. Duarte e Jorge Duarte
Marcia Yukiko Matsuuchi Duarte é relações-públicas
e advogada, Mestre em Comuni-cação Social na Universidade
de Brasília. Atua no Senado Federal e é professora de pós-graduação
no Instituto de Ensino Superior de Brasília.
Jorge Duarte é jornalista e relações-públicas.
Doutor em Comunicação Social pela Umesp. Atua na Embrapa
- Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. É professor
de graduação no UniCEUB.
Resumo
O presente estudo é baseado em textos redigidos por 262 jornalistas
de quatro capitais brasileiras, que dissertaram sobre o papel e a atuação
do jornalista e do relações-públicas em uma orga-nização
não-jornalística. A análise revela que os jornalistas,
em sua maioria, não conhecem a atividade de relações
públicas. Ao mesmo tempo, apresentam-se mais como responsáveis
pela formação da imagem da organização do
que pela informação do público.
Palavras-chave: Jornalistas - Relações-públicas
- Comunicação Organizacional
Introdução
O jornalista tende a ser descrito, no imaginário coletivo, como
o profissional que atua com apuração, edição
e apresentação de informações a serem consumidas
pelo público de algum veículo de comunicação
de massa. O uso do título de jornalista pressupõe a vinculação
do profissional à imprensa escrita ou aos meios de comunicação
audiovisuais. A ligação a setores de propaganda, relações
públicas ou divulgação tende a ser condenada pela
deontologia da profis-são na maior parte dos países. Relações-públicas,
por sua vez, atuam na administração do relacionamento entre
uma organização e seus diversos públicos, o que,
em tese, incluiria os meios de comunicação de massa.
São profissões que têm funções e atividades
essencialmente diferentes, embora exista uma vinculação
original. A prática de relações públicas tem
sua origem na divulgação de informações para
a imprensa, a partir do interesse surgido, no início do século
XX, por parte de empresários interessados em agir politicamente
na esfera pública (Habermas, 1984, p. 226). O pioneiro desta prática
é um bom exemplo. Ivy Lee, um ex-jornalista, estabeleceu um sistema
de relacionamento com a mídia, para pro-moção de
seus contratados e atendimento ao jornalista, que veio ajudar a dar as
bases do que seriam as relações públicas. Ao fazê-lo,
ele não era considerado um jornalista, mas um divulgador. A prática
das organizações de manter um bom relacionamento com diversos
públicos acabou consolidando-se e sendo representada na profissão
de relações públicas. Ivy Lee, sintomaticamente,
passou a ser conside-rado por muitos o "pai das Relações
Públicas".
Nos Estados Unidos, muitos relações-públicas têm
formação em jornalismo, mas ao atuar na divulgação
jornalística, são considerados relações-públicas
ou publicists. Na Europa, a exigência da "carta" emitida
por sindicatos, para permitir a atuação do jornalista, traz
implícita a impossibilidade de trabalho em algum tipo de divulgação.
A interpretação corrente é que são atividades
como água e azeite. Misturá-las traz previsíveis
implicações éticas cujas conseqüências
não são sequer discutidas. No Brasil, as profissões
de jornalista e de relações-públicas possuem uma
sobreposição, uma região de sombras.
As duas profissões foram regulamentadas, no Brasil, na década
de 1960 e passaram a exigir diploma de curso superior. Se no jornalismo
a regulamentação serviu para garantir mercado aos profissionais
oriundos das faculdades, em relações públicas limitou
as possibilidades de expansão do exercício e do aprimoramento
da atividade pela precariedade do ensino e pela má-fama que o Regime
Militar, particularmente, trouxe à profissão . Apesar de
a regulamentação da profissão de relações-públicas
prever a administração do relacionamento com os vários
públicos, a tarefa de ligação entre organizações
e a imprensa, desde a primeira metade do século XX, foi geralmente
atribuída a jornalistas, que não chegaram a perder o título
para exercer a atividade. Eles atuavam no que se chamava inicialmente
de "gabinetes de imprensa" e, posteriormente, de "assessorias
de imprensa".
Na década de 1980, o ambiente em que as organizações
estavam inseridas trazia como novidade a redemocratização,
competitividade comercial, exigência de visibilidade pública,
necessidade de prestação de contas à sociedade. Já
na profissão de jornalismo havia redução das equipes
nas redações, aumento do número de profissionais
de jornalismo saídos das faculdades e o início da quebra
do preconceito contra as assessorias, que passaram a se profissionalizar.
O mercado de assessorias tomou vigor e passou a ser o escoadouro de jornalistas
que não encontravam espaço nas redações ou
estavam em busca de melhores salários e maior tranqüilidade.
Mesmo assim, os jornalistas enfrentaram preconceitos com os colegas de
redação, onde era comum a acusação de "vendidos
ao sistema, capitalistas, incompetentes". Ao mesmo tempo, os relações-públicas
nunca chegaram a atuar neste mercado, até mesmo por não
serem aceitos como interlocutores nas redações.Todos esses
fatores contribuíram para que entre 40% e 70% dos jornalistas brasileiros,
no fim da década de 1990, atuassem em algum tipo de assessoria
de imprensa, prática com aceitação e até estímulo
dos sindicatos de jornalistas, que, em muitos casos, criaram comissões
específicas para apoio à atividade. A revista IstoÉ
Dinheiro (Barbosa, 2001) estimou em 30 mil o número de assessorias
de imprensa no País, a maioria de pequeno porte. Não apenas
órgãos públicos e privados, mas pessoas físicas
como jogadores de futebol, atores, manequins possuem assessor de imprensa
ou divulgador, tarefa quase sempre executada também por jornalista.
Particularmente em grandes empresas, muitos profissionais ampliaram suas
área de atuação e transformaram-se num tipo de executivos
de comunicação, administrando grandes estruturas, as-sumindo
funções de gerente, diretor, assessor de comunicação
social, com ingerência em áreas como comunicação
interna, relacionamento com clientes, mas, em geral, mantendo o título
de jornalista. A prática de assessoria de imprensa disseminou-se
na sua função primária, informar a imprensa, mas,
em muitos casos, passou a ter um significado mais amplo, tornando-se um
guarda-chuva para várias atividades. Uma busca na internet identifica
assessorias de imprensa que promovem eventos, produ-zem moda, atuam com
publicidade, fazem sites. Cláudia Rodrigues (2000) afirma que as
assessorias de imprensa, "de maneira geral, fazem um serviço
de marketing da empresa".
Assim, o jornalista passa a ter três possibilidades de atuação
no Brasil: a primeira, em meios de comunicação de massa,
sua vertente tradicional. Outra é o que Chaparro (1994) chama de
papel de extensão das redações, ou seja, o jornalista
em uma organização não-jornalística, ligado
às normas da profissão e atuando exclusivamente no fornecimento
de informações de caráter jornalístico, "socializando
discursos particulares" e usando "o jornalismo apenas naquilo
em que ele é insubstituível: a informação
e a análise da atualidade". A terceira é quando o jor-nalista
passa a ser um "comunicador empresarial" (Duarte, 2001), atuando
com suporte explícito a estratégias de marketing e promoção,
produzindo fatos, editando informações e administrando áreas
amplas de comunicação e cada vez mais longe do que prevê
sua formação de origem.
O resultado desta situação é que profissionais de
jornalismo e de relações públicas coexistem nas organizações,
públicas e privadas, com muita variação de áreas
de atuação. Na prática, assessores de imprensa (jornalistas)
passam a agir numa faixa da atividade de relações públi-cas,
sendo cada vez mais comum coordenarem sistemas de comunicação
complexos . Já os relações-públicas não
fazem relacionamento com a mídia no Brasil e também estão
perdendo espa-ço na comunicação organizacional. Ou
seja, o título de relações-públicas, obtido
mediante curso superior de quatro anos, perdeu espaço no mercado
profissional, particularmente para o de jor-nalista. Moura (2001), ao
apresentar um estudo comparativo sobre as profissões de jornalismo
e relações-públicas no âmbito da comunicação
empresarial, diz que não existe a função de assessor
de imprensa como atividade profissional específica, ao contrário
do que ocorre em relações públicas, que prevê
esta prática. E conclui afirmando que "é clara a sobreposição
de ações". Também afirma que "o trabalho
técnico de jornalismo deve ser executado por jornalista. Porém,
é fundamental que as técnicas de jornalismo sejam utilizadas
no desenvolvimento das ações de relações públicas",
para concluir que as duas atividades estão "interligadas"
e que as duas categorias não deveriam deflagrar discussões
a partir de interesses classistas, mas unir esforços "para
a melhoria da comunicação com base nas convergências
existentes".
Procedimentos metodológicos
O objetivo deste trabalho é identificar a percepção
do jornalista sobre seu papel e do profissional de relações
públicas em uma organização não-jornalística.
Para realizá-lo, foram analisados 262 textos de jornalistas das
regiões Centro-Oeste, Norte e Sudeste do Brasil, especificamente
das cidades de Brasília (126 textos), Goiânia (25 textos)
Belém (22 textos) e Rio de Janeiro (89 textos), redigidos em 1999,
em prova para concurso público na área de assessoria de
imprensa em uma empresa pública ligada ao governo do Brasil.
O edital do concurso previa vagas para jornalistas e relações-públicas,
assim como para outras atividades. As atividades seriam desenvolvidas
em uma empresa pública, cujas características organizacionais
não diferem substancialmente de uma empresa privada. Embora ligadas
ao governo, as empresas públicas brasileiras têm autonomia
e regime de contratação de empregados similar ao da iniciativa
privada.
Entre as exigências do concurso estava a conclusão de curso
superior em Jornalismo e experiência de um ano na profissão.
Estas condições permitem caracterizar a maior parte dos
candidatos como jornalistas diplomados, experiência de pelo menos
um ano, interessados em trabalhar na área de assessoria de imprensa
de uma empresa pública, com salário ao redor de US$ 700.
Embora não houvesse informação oficial, a expectativa
era de que apenas o primeiro colocado em cada cidade fosse chamado, exceto
em Brasília, onde havia possibilidade de serem chamados dois ou
três aprovados.
A questão proposta na prova e que se tornou objeto de nossa análise
foi a seguinte: "Discorra, em aproximadamente 20 linhas, sobre a
atuação e o papel do jornalista e do relações-públicas
em uma empresa pública". Ela foi apresentada no mesmo dia
a todos os 262 candidatos à vaga de jornalista. Fazia parte da
prova "subjetiva" , composta de cinco questões, e não
havia "gabarito" prevendo respostas corretas ou erradas. Consulta
aos organizadores do concurso permitiu saber que os principais critérios
para avaliação desta questão, em particular, foram
qualidade da redação, consistência da argumentação
e exposição coerente do pensamento do autor.
A questão exigia que o jornalista apresentasse sua visão
sobre o papel e a atuação de jornalistas e relações-públicas
em uma empresa pública. A resposta tendia a ser sintética,
mas permitiu aos candidatos definirem o papel de cada profissional, listarem
algumas atividades que julgassem convenientes e estabelecerem paralelos
entre ambos.
A empresa que aplicou as provas liberou as respostas dois anos após
a realização do concurso, com o compromisso de que não
houvesse a circulação dos textos para outras pessoas. O
material recebido para análise foi cópia das folhas originais
com a resposta, incluindo anota-ções dos avaliadores, sem
indicação de autoria dos textos ou de quem os avaliou. Embora
não tenha sido solicitado o sigilo quanto ao nome da empresa, os
pesquisadores optaram por mantê-lo.
Os autores buscaram examinar objetivamente o que pensam os respondentes
sobre o as-sunto, sem qualquer intenção de julgar as afirmações
quanto a qualquer critério de correção ou acerto.
A análise baseou-se exclusivamente no conteúdo manifesto
apresentado pelos jornalistas, buscando interpretar as respostas apresentadas
para a questão proposta. Ao mesmo tempo, por se tratar de um estudo
qualitativo, não existiu a pretensão de que houvesse representativida-de
das respostas para o universo de jornalistas brasileiros, mas sim uma
exploração do assunto, sugerindo hipóteses para estudos
específicos e indicadores que permitam compreender melhor a questão
proposta. A amostragem é considerada não-probabilística
e intencional. Apesar destas características, no julgamento dos
autores, é possível acreditar que os respondentes formem
um grupo apropriado a fazer certa extrapolação dos resultados
(Klump, 306).
Foram examinados todos os 262 textos. Pela forma com que o estudo foi
desenvolvido, este trabalho pode ser caracterizado como uma análise
de conteúdo tendo como objeto as respostas à questão
proposta. O exame, realizado a partir do conjunto de técnicas colocadas
à disposição pelo método de análise
de conteúdo, permitiu evitar uma percepção impressionística
do objeto de estudo. A codificação das respostas buscou
dar formato adequado para análise e interpretação
das respostas, evitando ambigüidades, não obstante a grande
variedade de abordagens proporcionadas por uma questão aberta.
Os resultados foram obtidos a partir do exame sistemático e objetivo
das respostas dos jornalistas, com um agrupamento das visões apresentadas
pelos autores em categorias de análise, estabelecidas após
o estudo do conjunto de textos. Os autores deste trabalho examinaram todas
as respostas à pergunta, buscando identificar uma codificação
(Bardin, 1977, p. 103) da variedade de respostas que uma pergunta aberta
permite. A partir desta pré-análise houve a perspectiva
de estruturar as respostas em sete categorias de análise (Gomes,
1979, p. 30). Posteriormente, foi reduzido o número de categorias,
de modo a permitir a manutenção das regras básicas
de exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência
(Bardin, 1997, p. 97-98). Assim, a partir do primeiro exame de todas as
provas e da forma de abordagem utilizada pelos candidatos, decidiu-se
dividir os resultados obtidos em três categorias de análise,
que permitiram o completo aproveitamento de todos os textos e uma melhor
descrição e avaliação: 1. definição
do papel do jornalista; 2. definição do papel do relações-públicas;
3. descrição unificada de papéis do jornalista e
do relações-públicas.
Este trabalho tem foco qualitativo, mas eventualmente são citados
dados numéricos que possam contribuir para melhor compreensão
dos resultados obtidos. Destacamos que praticamente todos os textos (96%)
permitem identificar um papel atribuído ao jornalista, mas a maioria
dos respondentes (60%) não soube nem tentou definir um papel e/ou
atuação para o relações-públicas em
uma empresa. Assim, do total, apenas 40%, em algum momento, indicam papel
e/ou atribuições do relações-públicas.
Um grupo, 43% dos respondentes, optou, em algum momento, por atribuir
papéis similares para o jornalista e o relações-públicas,
apresentando idéias genéricas relativas à prática
dos dois profissionais.
Papel e atribuições do jornalista
A definição do papel e das atribuições do
jornalista foi apresentada com clareza e especificidade por quase todos
os participantes da pesquisa - 253 (96%). A partir do material analisado,
avaliando apenas a percepção do respondente sobre este aspecto,
foi possível identificar os resultados que se expõem na
seqüência.
1. O papel do jornalista pode ser sintetizado
no termo "assessor de imprensa", utilizado pela grande
maioria dos respondentes em suas avaliações. Em aproximadamente
20% dos casos, a palavra "jornalista" sequer é citada.
Exemplo:"Papel do jornalista - o assessor de imprensa é o
responsável pela divulgação ...." (prova 06).
Toda atividade que diga respeito a qualquer forma de contato com a mídia
foi considerada como sendo da responsabilidade do jornalista. Nesse contexto
também foi incluída a realização de eventos
considerados "jornalísticos", como coletivas e visitas
de jornalistas à organização. Em tais casos, o jornalista
é o responsável pela organização e o profissional
de relações públicas atua apenas de forma complementar,
auxiliando-o no atendimento aos visitantes.
2. O papel prioritário é administrar o
fluxo de informação para os veículos de comunicação.
Fazem parte desta atividade: divulgar; informar; produzir; redigir; definir
o quê, como e quando divulgar; facilitar o acesso da imprensa; manter
boas relações com a mídia; elaborar pautas; servir
como fonte; viabilizar a publicação de matérias de
interesse da empresa; etc. O vocábulo "facilita-dor"
é freqüentemente utilizado para sintetizar as atribuições
do jornalista, pois se considera que ele vai "facilitar" o acesso
da mídia em geral à empresa. Muito mais do que operar como
"fonte", o jornalista mantém o que é chamado de
"bom relacionamento" com a mídia, para obter, em especial,
a "boa vontade" da imprensa, "espaços" de divulgação
de matérias de interesse da organização, a "promoção"
da imagem institucional. Exemplo: "O jornalista, em uma empresa pública,
deve atuar como um facilitador, uma pessoa que mantenha abertos os canais
entre a empresa e os meios de comunicação. É ele
quem vai conduzir o acesso dos jornalistas até a fonte ideal"
(prova 246).
3. Ao jornalista é atribuída a responsabilidade
por todos os produtos de divulgação de caráter jornalístico
da organização. É quase unânime a argumentação
de que ele é o responsável pelo fluxo da informação
(no âmbito interno e externo da empresa). Ou seja, é ele
quem "cuida", "administra" a informação.
O jornalista cuida da divulgação, produção
e seleção da notícia. É ele quem define o
que será divulgado, como e quando, assumindo a responsabilidade,
até mesmo, de orientar os dirigentes sobre o assunto. Os respondentes
afirmam que o jornalista tem autonomia para identificar e divulgar notícias,
mas vinculam esta prática à existência de diretrizes
gerais da organização. Poucos subordinam sua atuação
à determinação ou avaliação com dirigentes,
ou seja, estariam mais preocupados em atuar segundo os interesses da organização
e não exatamente conforme orientação dos administradores.
Eles propõem a definição sobre o que deve ser feito
em sua área. A atividade específica de "cuidar"
do fluxo de informação foi caracterizada pela citação
de várias ações consideradas como parte do processo
de produção da notícia, a saber: elaboração
de textos e releases; criação de roteiros, programas de
rádio e tv; elaboração de publicações
jornalísticas em geral; formulação e promoção
de pautas; divulgação; con-trole do material publicado via
produção e análise de clipping; contato direto com
os profissio-nais da mídia; defesa da instituição
quando da divulgação de informações erradas
pela imprensa. Exemplo: "Ao jornalista fica atribuído o papel
de organizar as informações..." (prova 105). Fo-ram
formalmente identificados: elaboração e manutenção
de mailing list (imprensa); elaboração e análise
de clippings diários; elaboração de pautas; house
organ; releases; textos em geral; boletins internos; vídeos; programas
institucionais; folders, cartazes e outros materiais impressos; jornais
e outras publicações destinadas ao público interno
e externo.
4. Com base nas respostas apresentadas, para o jornalista,
o foco do relações-públicas está no relacionamento
pessoal, lidando ele com todos os procedimentos, contatos, articulações
que dizem respeito à imagem e aos públicos da organização,
menos a imprensa. Desse modo, é como se o relações-públicas
fosse um canal de comunicação amplo, enquanto o jornalista
é um técnico especializado em informar aos públicos,
em se comunicar com os diversos públicos, via instrumentos de comunicação:
publicações, sites, vídeos, imprensa. Neste aspecto
é função do jornalista promover o "bom relacionamento"
com diversos públicos por meio dos chamados instrumentos jornalísticos.
A função de assessoria de imprensa, nas respostas, além
do natural destaque para a atuação junto à imprensa,
incorpora a necessidade de o profissional ser o mediador, a ponte, o facilitador
da comunicação entre a empresa e os seus vários públicos
(interno e externo), numa aproximação bastante grande com
a prática de relações públicas. O jornalista
assume-se, explicitamente, como um "elo", "ponte",
"mediador", "canal" que faz a união entre a
empresa e seus vários públicos, internos e externos. No
detalhamento de suas atividades, entretanto, é possível
perceber que o jornalista se assume como "informador", alguém
que disponibiliza informação editada e adaptada a cada público,
em geral por instrumentos com características jornalísticas.
Esta intermediação abrange todos os públicos da organização:
o público interno (usualmente dividido em diretoria ou equipe do
primeiro escalão e os empregados); público em geral (são
citados fornecedores, credores, afiliados, prestadores de serviço
etc.); público externo (considerado em geral como a "sociedade",
a "comunidade"); e a mídia (termos comuns: imprensa,
veículos de comunicação de massa). Exemplo: "Todo
o relacionamento es-tabelecido entre a empresa e o público interno
e externo é território de trabalho do jornalista" (prova
194). A imprensa é o único público com o qual o jornalista
assume a responsabilidade e exclusividade, não apenas de informar,
mas também de estabelecer contato pessoal.
5. Fica caracterizada nas respostas a necessidade de
o jornalista assessor de imprensa manter uma preocupação
constante e até assumir a responsabilidade pela "imagem da
empresa". Grande parte dos respondentes afirma claramente
que, ao atuar na ligação com a imprensa, o jornalista é
o profissional responsável pela imagem da organização.
Cerca de 50% dos respon-dentes afirmaram, de forma direta (com o uso expresso
do vocábulo "imagem") e indireta (indicando e utilizando
outros termos sinônimos como "bom nome", "marca",
"conceito", "identidade" etc.), que cabe ao jornalista
o papel de "cuidar da imagem" da instituição,
tendo sido utilizados principalmente as seguintes expressões: transmitir,
preservar, construir, trabalhar com, manter, criar e divulgar a imagem
da empresa. Esta responsabilidade seria assumida mediante o uso eficiente
dos meios de comunicação à sua disposição.
O "cuidar da imagem" da empresa está associado à
idéia de que o jornalista, ao controlar o fluxo de informação,
ao mediar a co-municação com a mídia e ao manter
o bom relacionamento com os veículos de comunicação,
está apto a construir uma imagem positiva da instituição
à qual esteja vinculado. Em razão da sua capacidade de argumentação
com a imprensa e seus agentes, o jornalista seria um personagem sempre
em evidência e também referencial para a formação
da "boa imagem" da organiza-ção. Exemplo: "O
jornalista, como todo funcionário, deve 'vestir a camisa' da empresa
preservando-a e defendendo-a, uma vez que ele é a imagem da empresa"
(prova 257). Além disso, por ser uma figura em geral oriunda do
meio, tem maior credibilidade junto aos seus pares e supõe-se que
haja um compromisso da empresa em divulgar a verdade, por meio dele, pois
ele manterá o seu compromisso com o público em geral, mesmo
estando subordinado às diretrizes de uma instituição.
Da mesma maneira, indireta, mas claramente, o jornalista assume que os
instrumentos jornalísticos são fortemente capazes de criar
(é comum indicarem que possuem um poder muito grande) e manter
determinada imagem de uma organização, cabendo a ele ter
consciência deste seu papel. Os itens mais citados como responsáveis
pela formação da boa imagem são as publicações
jornalísticas empresariais e os meios de comunicação.
6. Verifica-se que é quase unânime a idéia
de que o contato com a mídia e seus representantes é competência
exclusiva dos jornalistas. Ele é o único profissional
da comunicação que pode promover "um bom relacionamento"
com a imprensa, considerando-se para tanto os jornalistas em particular,
bem como a imprensa de um modo geral. Os respondentes deixam subentendidas
as justificativas, centradas na idéia de que "só jornalista
pode tratar com outros jornalistas". As razões para tal argumentação
não são apresentadas de modo claro, talvez como se fosse
óbvio, mas explicações podem ser encontradas nas
respostas: (a) há uma espécie de identificação
com o trabalho jornalístico de ambos os lados, ou seja, um jornalista
compreende o trabalho de outro jornalista e, portanto, não vai
dificultar a apuração da notícia e, muitas vezes,
vai cooperar com o fornecimento de boas matérias; (b) o preconceito
em relação à sua postura de fonte da empresa dilui-se
e estabelece-se uma relação de maior confiança e
respeito; (c) jornalista tem um compromisso ético com a "verdade"
dos fatos e por isso tende a ser mais sincero e honesto ao informar e
divulgar.
7. No que se refere ao "público interno",
os principais papéis atribuídos pelos respondentes ao jornalista
são: (a) informar; (b) promover a integração
e a interação entre a direção e os empregados
e entre estes; (c) criar uma identidade para a empresa, especialmente
via publicações jornalísticas destinadas exclusivamente
ao público interno, como house organs, informes, revista interna
etc.; (d) promover a política do "vestir a camisa" da
organização, de modo que este pensamento possa transparecer
no ambiente externo a ela, colaborando para sua "boa imagem";
(e) mobilizar os empregados para o cumprimento das diretrizes da organização,
fomentando neles a cooperação e o engajamento em projetos
e processos sistemáticos de obtenção de resultados.
8. O jornalista acredita utilizar o acesso à
mídia para, por meio dela, transmitir, divulgar, preservar, criar
boa imagem para sua organização. Há um entendimento
coletivo, ainda que não expresso, de que a mídia tem um
enorme poder sobre a opinião pública (de influenciar, de
incentivar mudanças, de romper preconceitos etc.), e ganhar a sua
confiança e boa vontade é a garantia de mais espaço
para a divulgação da organização e também
de veiculação de matérias positivas ou, no mínimo,
neutras.
9. Contraditoriamente em relação à
sua percepção de responsabilidade pela imagem da organização
e pela necessidade de "vestir a camisa", o jornalista acredita
possuir certa neutralidade e imparcialidade perante todos os públicos,
em especial a mídia, concretizando seu compromisso de só
informar a verdade dos fatos, com objetividade, mas permanecendo fiel
às diretrizes da organização. Exemplos: "Internamente,
o jornalista tem de ser fiel à empresa para a qual trabalha, independentemente
de mudanças políticas; ele será uma espécie
de pára-raios da empresa, pois todos os assuntos que vierem a extrapolar
o ambiente da empresa serão questionados junto ele" (prova
112). "O jornalista (...) deve ser íntegro e imparcial, ter
uma boa relação com a grande imprensa, a imprensa local,
salvaguardando sempre a imagem da empresa em que trabalha" (prova
86).
10. É facultado ao jornalista o dever de "defender"
a imagem da organização quando ela é exposta de forma
negativa na mídia ou quando fatos considerados errôneos são
publicados. Foi apresentado de modo natural o direito e o dever
do jornalista de intervir junto aos veículos de comunicação
quando a imagem da sua organização está sendo comprometida.
Exemplos: Ao dominar os assuntos da organização, "é
possível divulgar e proteger o nome da empresa de in-formações
errôneas." O assessor de imprensa deve "atuar como mediador
nas relações com outras empresas, buscando as melhores soluções
e vantagens para a empresa que representa" (prova 260). "Cabe
ao assessor defender a empresa da linguagem abusiva, das informações
equivocadas e esclarecer fatos ou assuntos mal divulgados ou distorcidos
que prejudicam a imagem e a credibilidade da empresa" (prova 202).
Papel e atribuições dos relações-públicas
Na descrição do papel do relações-públicas,
por parte dos jornalistas respondentes, houve menos clareza, tendo sido
comum a tentativa de tergiversar, ser vago, pouco afirmativo no atendimento
à pergunta. Do total de 262 respostas, apenas 106 (40%) das provas
que foram consideradas válidas tinham algum tipo de afirmação
que permitiu aos autores da pesquisa tratar da questão sobre a
especificidade do papel do relações-públicas. Sobre
este material é que foram feitas as considerações
que seguem.
1. Pelo exposto na introdução, a primeira
e principal conclusão é que o jornalista, de modo geral,
não tem clareza sobre o papel do relações-públicas
em uma organização. Os respondentes foram, em sua
maioria (60%), incapazes até de fazer uma tentativa de definir
este papel, assim como as atribuições do relações-públicas.
É possível inferir, pelas respostas analisadas, que não
possuíam conhecimento suficiente para abordar o assunto, embora
a divisão de tarefas em uma organização fizesse parte
da literatura sugerida no edital do concurso. Reforça esta análise
o fato de que os demais respondentes, em sua maior parte, utilizaram considerações
vagas, evitando afirmações objetivas ou precisas.
2. O principal papel identificado como sendo específico
do relações-públicas é o de "criador"
da "imagem institucional", sendo praticamente esta a única
função que lhe é atribuída. Não
fica clara a dimensão que se dá a esta "criação",
até porque o jornalista também assume a responsabilidade
pela imagem da instituição. Para cumprir sua responsabilidade,
o relações-públicas vale-se da promoção
de eventos e de outras ações pontuais para construir, promover,
preservar o bom nome, a marca, o conceito da organização
(todas essas expressões utilizadas como sinônimo de imagem).
As demais atividades caracterizadas como típicas do profissional
de relações públicas estão, na verdade, indiretamente
ligadas à necessidade de se criar, transmitir e preservar a idéia
da "boa imagem institucional", termo cujo sentido não
é explicitado, mas cujo contexto sugere relação com
"apresentação, maquiagem, visual", não
implicando, necessariamente, que o conteúdo seja bom. Exemplos:
"É responsabilidade do relações-públicas
contatar o público externo com simpatia, transparência e
profissionalismo, promovendo ações que divulguem, de forma
positiva, o nome da empresa para o público externo. O relações-públicas
é o cartão de visitas de uma empresa pública e deve
procurar interagir com a sociedade" (prova 96). "O profissional
de relações públicas cuida, principalmente, da comunicação
interna da empresa, integrando os empregados. Para tanto, utiliza várias
estratégias: eventos, murais, envio de cartões para os aniversariantes
da empresa, entre outras" (prova 111). "(...) criar o máximo
de eventos possível, aproximando os vários públicos
da organização. Isso difunde a imagem institucional da empresa
e, por tabela, auxilia o trabalho do jornalista. O relações-públicas
vai trabalhar com todos os públicos da empresa, menos aquele formado
por jornalistas, que é da alçada do jornalista da empresa"
(prova 45). "(...) reforçar a imagem da empresa junto ao público
in-terno e também ao externo, (...) promover eventos e programar
e/ou atuar em festividades, acontecimentos sociais, sempre com vistas
à integração entre funcionários e a diretoria
da organização" (prova 130).
3. Algumas tarefas parecem mais cristalizadas na opinião dos jornalistas
que definiram o papel dos relações-públicas:
as técnicas são centradas na melhor forma de expor a empresa,
seus funcionários, seus diretores, de modo a obter, no âmbito
interno, a cooperação, a integração e a motivação
dos empregados (que foram considerados importantes agentes de difusão
da imagem positiva da organização) e, no âmbito externo,
conseguir a simpatia, a compreensão, a aceitação
da organização e de sua política de atuação.
Tal postura é claramente identificada quando da enumeração
de algumas atividades consideradas como sendo responsabilidades típicas
do profissional de relações-públicas, a saber: realização
de festas para os funcionários da empresa, congressos, seminários,
cur-sos, palestras, visitas à instituição, campanhas
de cunho social, eventos culturais, artísticos e esportivos, apresentação
de corais, festas de confraternizações, maratonas, aniversários
etc. A atuação junto ao público interno é
fortemente vista como tarefa do relações-públicas
e voltada para a motivação, integração e mobilização
deste público, a fim de que ele possa refletir junto à sociedade
o bom conceito da organização.
4. Instrumentos como house organs são identificados
como exclusivos dos jornalistas. O relações-públicas
pode colaborar eventualmente na produção, fornecendo informações
consideradas típicas da profissão, como aniversariantes
do mês, datas comemorativas, eventos sociais etc. Exemplo: "O
relações-públicas organiza eventos, congressos, seminários.
Pode fazer visitas a clientes e recebê-los cordialmente sempre que
necessário. Participa do jornal (ele pré-seleciona feriados,
datas comemorativas, aniversários de funcionários, etc.)"
(prova 184).
5. A principal atribuição do relações-públicas
seria a organização de eventos não-jornalísticos,
destinados à promoção da organização
e do seu bom conceito. Os respondentes deixam claro que os eventos
onde haverá um envolvimento e um contato direto com a mídia
são de responsabilidade do jornalista da organização,
como a realização de entrevistas coletivas, a exposição
de membros da diretoria e de empregados na mídia e as visitas de
jornalistas dos veículos de comunicação. Exemplo:
"Ao profissional de relações-públicas cabe a
responsabilidade pela imagem da empresa junto aos seus distintos públicos.
No caso de congressos, feiras e recepções, por exemplo,
é o relações-públicas que vai estar à
frente da organização, cabendo ao jornalista a divulgação
de informações para a imprensa e a recepção
dos jornalistas" (prova 143).
6. Outro papel identificado como sendo do relações-públicas
é o de servir de "elo", de "canal" de comunicação
entre a organização e seus públicos, para promovê-la
e fortalecer a sua imagem. Desse modo, ele pode obter a simpatia
dos públicos, propiciar o entendimento, a integração,
a solução de conflitos, a motivação de todos
em prol do bom relacionamento e da construção de um "conceito
positivo" da organização. O "bom relacionamento"
promoverá um aumento da confiança na organização,
bem como o respeito por ela e por seus membros. Por funcionar como "elo",
o relações-públicas é considerado como um
"solucionador de problemas", desde que não relacionados
à imprensa. Ou seja, uma vez que ele trata dos "relacionamentos",
os problemas advindos desse "relacionamento" também são
da sua área de competência. O papel de promover uma harmonia
geral incluiu, ainda, em um número menor de respostas, a tarefa
de "antecipar problemas". Exemplo: "O relações-públicas
não deve ser um simples 'reparador' de atitudes mal tomadas. Seu
trabalho precisa se articular diretamente com a chefia e ele deve antecipar
qualquer reclamação: pedir desculpas e remediar antes que
o público reclame ou anunciar melhorias é seu papel"
(prova 210).
7. Apesar de a pergunta ter sido aberta e, portanto, não comportar
interpretação numérica, é interessante citar
que, dos 262 respondentes, apenas dois registraram entre as atribuições
do relações-públicas a realização de
pesquisas de opinião; um respondente citou o contato com
a imprensa; quinze abordaram o atendimento à direção
da organização e outros quinze, o auxílio a jornalistas.
Menos que dez citaram a elaboração de políticas e
estratégias de comunicação. As "publicações"
identificadas como sendo da responsabilidade do relações-públicas
são folders, folhetos, cartas e comunicados.
Papéis conjuntos
Um grupo de 113 jornalistas (43% do total de respondentes) deu, em algum
momento, atribuições e papéis conjuntos para jornalistas
e relações-públicas. Para maior clareza: neste grupo
todos deram definições para jornalista e a grande maioria
deu alguma definição específica para relações
públicas, que os fizeram ser incluídos nas categorias anteriores,
mas em algum momento abordaram papéis e atribuições
dos dois profissionais como que unificadas. Estes papéis e essas
atribuições conjuntas são focalizados na seqüência.
Cumpre destacar que, apesar de 43% ser um índice importante, não
foi possível notar as respostas analisadas nesta categoria como
seguras, objetivas, consistentes. Para os autores do trabalho, elas sugerem
ser uma tentativa dos respondentes de não demonstrar eventual desco-nhecimento
do papel do relações-públicas. Ou seja, parecem ser
respostas propositadamente vagas, na tentativa de, respondendo à
questão, não incorrer em erros ao tratar da atividade de
relações públicas. Um dos indicadores desta conclusão
é que todas as tarefas citadas como sendo papéis de ambos
os profissionais não foram especificadas, detalhadas ou exemplificadas.
Grande parte das argumentações se fixa mais em princípios
do que em ações. Curiosamente, alguns fazem afirmações
enfáticas sobre a existência de diferenças entre o
trabalho dos dois profissionais, mas não foram capazes de estabelecê-las
ou exemplificá-las.
1. A tarefa conjunta mais apontada foi a de "cuidar da imagem"
da organização. Para descrevê-la foram utilizados
também os verbos "transmitir", "preservar",
"construir", "trabalhar com", "promover".
Os jornalistas tendem a afirmar que ambos os profissionais devem "cuidar
da imagem" da organização.
2. Outra função, em segundo plano, é a de atuar como
"ponte", "canal" de comunicação entre
a organização e os seus públicos. A idéia
está ligada diretamente à ação de informar,
divulgar e controlar todo o processo de seleção e mediar
a distribuição da informação. Há citações
isoladas, especificando estes públicos: sociedade em geral, mídia,
público interno e público externo. "Enfim, o jornalista
e o relações-públicas são a boca e os ouvidos
de uma empresa, que vão garantir a sua existência em um âmbito
muito maior do que o meramente institucional e físico: o âmbito
do reconhecimento público" (prova 150).
3. A terceira tarefa identificada é a de "administrar a informação",
mediante atividades ligadas ao processo técnico de seleção
e distribuição da informação, como a seleção
de meios, momento e conteúdo. Os dois profissionais são,
até mesmo, chamados de agentes da comunicação, vistos
como importantes fontes de informação e servindo também
como "facilitadores" da comunicação, viabilizando
um contato mais rápido e mais preciso da imprensa com a organização.
4. Outra tarefa de ambos é a de promover o "bom relacionamento"
com os vários públi-cos de interesse da organização:
sociedade, mídia, público interno e externo. No que tange
em especial ao público interno, há uma ênfase na tarefa
de promover a integração, a valorização e
a conscientização dos funcionários para criação
de um espírito de cooperação com a organização
e da formação de um bom conceito da empresa junto à
sociedade/comunidade. Os profissionais têm um papel político
na estratégia da organização com os seus públicos.
Eles falam por ela, agem por ela e cuidam da formação da
sua imagem. Exemplo: "(...) o profissional de comunicação
tende a se tornar um assessor político, antes de ser um jornalista
ou relações-públicas" (prova 254).
Conclusões
I. O jornalista é responsável pela imagem
e imagem é tudo - Considerando mesmo o fato de a questão
abordar o trabalho em uma empresa governamental, é surpreendente
que os jornalistas pouco mencionem a sua responsabilidade por informar
a sociedade de maneira objetiva e imparcial, disponibilizar informação,
facilitar o acesso da população aos trabalhos da empresa,
democratizar a informação. O trabalho de "extensão"
da redação, como jornalista-residente, responsável
por dissemi-nar informação de interesse público,
é pouco citado. O objetivo do jornalista é informar ao público,
prestar contas, desde que não prejudique a imagem da organização.
A informação sempre se refere à imagem, nunca à
utilidade pública. Os jornalistas claramente assumem-se como "fazedores
de ima-gem", ou seja, responsáveis por apresentar a empresa
à sociedade por meio de seus aspectos positivos. O aspecto central
do trabalho do jornalista seria a "construção"
de uma imagem institucional, de um conceito positivo, promovida via veículos
de comunicação. Assim, a noção de informação
como direito do público é suplantada pela necessidade da
organização de manter uma boa imagem junto aos seus diversos
públicos.
II. O jornalista administra politicamente a informação
- A função de controlar a divulgação de informações
indica que o jornalista não se atribui somente um papel técnico
na organização, restrito à elaboração
de textos e publicações e à definição
de pautas. Ele assume forte papel político na definição
do que é informação e como ela será ou não
divulgada, no jogo político que vai estabelecer com os veículos
de comunicação, nas estratégias de atuação
junto aos diversos públicos da organização etc.
III. Relações-públicas, este desconhecido
- Para o jornalista, o relações-públicas assume a
tarefa vaga de "cuidar da imagem", utilizando para tanto, particularmente,
a promoção de eventos, entre outras ações
não claramente especificadas, mas que permitem a visualização
(e não visibilidade) da organização. Trata-se de
uma imagem externa, para "ser vista", para garan-tir a "boa
aparência" e obter a "boa aceitação"
da sociedade, do público consumidor, dos demais públicos
de interesse. Fica nítida a preocupação dos jornalistas
em diferenciar o papel dos dois profissionais, enfatizando-se que jornalistas
"cuidam da informação" e os relações-públicas
"cuidam dos relacionamentos". Em síntese, há uma
forte opinião entre os jornalistas de que o papel do relações-públicas
está mais vinculado à questão da criação
e manutenção de uma imagem institucional, embora eles não
saibam definir com maior rigor e precisão as tarefas de relações
públicas e suas formas de operacionalização. Embora
não fique claro como isto é feito, o relações-públicas
é considerado ponte, elo entre a organização e seus
públicos, exceto a mídia. É quem realiza ações
objetivando a interação da organização com
seus vários públicos, promovendo o "bom relacionamento",
a harmonia, a mobilização e a cooperação entre
todos, em prol da defesa dos interesses da organização.
IV. Imprensa e publicações, para informar
e formar - A principal característica no que se refere ao
papel do jornalista, a quem também foi designada a função
de "cuidar da imagem", está nos mecanismos utilizados
para concretizar tal tarefa e na concepção do significado
de imagem. A imagem que o jornalista vai "trabalhar" (expressão
dos respondentes) é a que será construída graças
à sua intervenção na mídia, via contato e
bom relacionamento com a imprensa e seus vários profissionais,
bem como à sua concepção das publicações
jornalísticas (ou dos produtos jornalísticos) - destacando-se,
aqui, a presença de um controle supremo do jornalista na definição
do que será divulgado, como, quando e para quem.
V. O impasse final - O que se verifica é
que o jornalista assume a função de formar a opinião
pública a partir da administração das informações
disponibilizadas à sociedade, via imprensa. Os textos, entretanto,
não permitem identificar o reconhecimento de que a natureza deste
trabalho é diferente daquela adotada tradicionalmente pelo "jornalismo
das redações", onde a neutralidade e independência
são conceitos-chave. Revelando o problema, quase todos os respondentes
esboçam tentativas de explicar como o jornalista pode manter o
seu compromisso de servir ao público, de primar pela verdade e
pela objetividade da informação, estando ao mesmo tempo
servindo aos interesses de uma organização à qual
está subordinado e por cuja imagem é responsável.
Paradoxalmente, defendem o papel de compromisso com a informação,
mas a partir de e conforme as diretrizes da organização
e de sua necessidade de manter uma imagem positiva. Fica claro, neste
caso, um impasse não resolvido e uma certa dificuldade em estabelecer
sua própria identidade, resultado da crença no jornalismo
autônomo, imparcial e crítico, mas submetido, pelas novas
circunstâncias profissionais, à dependência e à
parcialidade, características de seu agir nas organizações
não-jornalísticas.
Notas
1)Sobre a história da assessoria de imprensa e das relações
públicas no Brasil, ver, res-pectivamente, Duarte (2003) e Brandão
(2001).
2) Uma novidade é que a Federação Nacional dos Jornalistas
propôs que a atividade de assessoria de comunicação
social "e atividades análogas praticadas pelo meio de comunicação
internet" sejam funções jornalísticas (Jornal
da ABI, 2001), conforme texto de anteprojeto de lei encaminhado ao Congresso
Nacional para ser discutido e convertido em lei.
3) Uma outra prova, realizada no mesmo dia, era de caráter "objetivo",
com questões de escolha simples entre cinco alternativas, com cinqüenta
questões. O tempo disponível para a realização
de cada prova foi de quatro horas. A empresa que aplicou as provas liberou
apenas as respostas da questão em estudo.
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Capturado em 20.02.2002.
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