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Artigo
Comunicação no Mercosul
Karin Villatore
Graduada em Jornalismo pela PUC-PR, especialista em Marketing Empresarial
pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e com Mestrado não
concluído em Administração pela UFPR. Sócia-diretora
da Lide Multimídia (empresa de Comunicação Empresarial)
e professora universitária das disciplinas de Comunicação
Dirigida e Redação Publicitária.
A globalização e a formação de blocos econômicos
parecem representar um fenômeno irreversível. A globalização
da economia mundial leva os países a tentarem maximizar suas vantagens
competitivas em todos os mercados possíveis, servindo para alavancar
as mudanças internas e a inserção competitiva do
mundo. Essa atual estrutura se apresenta dominada por dois fatores aparentemente
contraditórios: por um lado a “internacionalização”
dos circuitos produtivos e a “transnacionalização”
dos movimentos de capitais e dos investimentos; por outro, a “emergência
dos novos espaços geoeconômicos”, que são as
zonas econômicas preferenciais, seja numa área de livre-comércio
ou como um mercado comum.
A inserção nos blocos econômicos mundiais, as conquistas
trabalhistas e a influência na tecnologia são fatores relevantes
para as mudanças na comunicação organizacional. Um
dos maiores desafios desta década consiste na preparação
para a inserção das empresas nos mercados mundiais. Significa,
em linhas gerais, melhoria dos níveis de qualidade dos produtos,
maior agressividade nas vendas, rapidez na absorção de tecnologia,
criação de joint-ventures, identificação de
nichos de produtos e nichos geográficos, adaptação
das empresas às diferenças locais, regionais e internacionais,
melhor preparação de quadros e reorganização
de estruturas internas com redução de organograma e simplificação
de processos.
Até 1990, o Brasil adotou um modelo de desenvolvimento fechado.
O processo de abertura econômica promovido pelo governo de Fernando
Collor de Mello, adicionado ao processo de globalização,
estimulou uma entrada ampla de empresas no Brasil, ao mesmo tempo em que
organizações brasileiras se internacionalizaram. Este processo
fez com que a aquisição de habilidades de negociação
e de comunicação intercultural seja cada dia mais importante
para os administradores brasileiros, uma vez que a atuação
profissional de caráter internacional é cada vez mais comum.
Comunicação na globalização
A necessidade de um intercâmbio de informações rápido
e preciso tem colocado a comunicação como um dos pontos
centrais de importância no processo de globalização.
O aumento da complexidade, as condições cada vez maiores
de incerteza e a freqüência das mudanças nas organizações
são alguns dos motivos.
A comunicação pode representar dois terços ou mais
do total de tempo despendido por essas pessoas.
Existe uma série de definições para comunicação
e sobre o modelo de sistema de comunicação. Adotaremos aqui
o seguinte sistema:
FEEDBACK
Os elementos poderiam, então, ser definidos da maneira apresentada
a seguir:
Repertório - rede de referências,
valores e conhecimentos de uma pessoa.
Emissor - fonte, primeiro componente deste sistema.
Mensagem - informação a ser transmitida.
Código - conjunto de sinais, por convenção
preestabelecido, que se destina a representar e transmitir determinada
mensagem. Português
Canal - sensação captada pelos
órgãos sensoriais. Voz
Veículo - suporte ou revestimento da mensagem.
Ar, jornal
Receptor - quem recebe a mensagem, destinatário
da mensagem.
Ruído - interferência no processo
de comunicação, que prejudica a compreensão da mensagem
por parte do receptor.
Mercosul
No dia 26 de março de 1991, os governos da Argentina, do Brasil,
do Paraguai e do Uruguai assinaram o Tratado de Assunção,
que criou o Mercado Comum do Cone Sul, comumente conhecido como Mercosul.
O Tratado prevê a criação de uma zona de livre comércio
e uma união aduaneira, com livre circulação de mercadorias,
serviços e fatores de produção (trabalho e capital).
As negociações seguiram uma estrutura orgânica: Conselho
do Mercado Comum (condução política), Grupo Mercado
Comum (órgão executor) e Subgrupos técnicos ( dentre
eles o de Comunicações). Os quatro países assinaram,
em dezembro de 1994, o Protocolo de Ouro Preto, que estabeleceu ao Mercosul
uma personalidade jurídica e uma estrutura institucional.
O Mercosul aprovou a Resolução número 45, que abre
possibilidade de parcerias, além de negociações com
o México. O Chile e a Bolívia foram os primeiros países
a manifestarem oficialmente a intenção de se integrar ao
novo mercado, seguidos do Pacto Andino – Peru, Venezuela, Colômbia
e Equador, além da já referida Bolívia.
Cultura no Mercosul
A questão da cultura no Mercosul , segundo os autores, é
mais relevante do que para outros blocos econômicos, como o Nafta.
O Mercosul aponta a um mercado comum- com penetração cultural
- , enquanto o Nafta é apenas uma zona de livre comércio,
com circulação de mercadorias e não de pessoas.
A questão cultural já mobilizou os grupos que estão
viabilizando a criação plena do novo mercado. No dia dois
de agosto de 1995 aconteceu uma reunião especializada em cultura.
A Ata de Assunção, dentre outras questões, estabeleceu
os seguintes procedimentos: declaração do guarani como uma
das línguas históricas do Mercosul; promoção
do ensino do espanhol e português em todos os países e consolidação
dos programas integracionais sub-regionais de fronteira. Já o Protocolo
de Integração Cultural do Mercosul foi aprovado no dia 17
de dezembro de 1996 pelo Conselho do Mercado Comum, reunido em Fortaleza.
O Brasil, por meio de seu Poder Executivo, encaminhou o Projeto de Lei
que cria, em caráter obrigatório, o ensino da língua
espanhola nas escolas de primeiro e segundo graus. O projeto de lei 4004/93
foi encaminhado pessoalmente pelo então presidente Itamar Franco.
Mercosul/Povo heterogêneo
Muitos autores pregam a heterogeneidade dos povos do Mercosul, alegando
que as diferenças antropológicas, culturais e lingüísticas
do novo mercado são tão profundas como as dos países
da Europa e do Pacífico. E estas diferenças - mal compreendidas
ou ignoradas - podem fazer fracassar qualquer modelo de união econômica
ou de integração.
A questão da cultura e da comunicação no Mercosul
tem provocado polêmica entre os teóricos que a estudam. Uma
vertente acredita na homogenia sul-americana, enquanto outro grupo prega
que as populações do Mercosul são heterogêneas.
As economias dos países que compõem o Mercosul diferem não
apenas em termos econômicos e sociais, mas também em termos
culturais e institucionais, sendo que estes dois últimos aspectos
têm sido relativamente negligenciados na literatura recente sobre
integração latino-americana. Nem mesmo em agregações
do tipo América Latina, onde certos elementos geográficos,
históricos e culturais podem até ter uma certa identidade
comum, as disparidades se apresentam menores do que os traços comuns.
Já na outra vertente defende a homogeneidade cultural latino-americana
dizendo que as bases culturais comuns de língua, religião,
história e tradições afins congregam os países
do Mercosul, que compartilham um mesmo processo civilizatório.
Aqui a cultura joga sua função globalizadora e coercitiva,
como definidora das identidades e dos pertences nacionais (...) . A Iberoamérica-
em razão de sua cultura - constitui um dos conjuntos de nações
mais homogêneas do mundo. Não está construída
sobre a base de ‘exclusões’, senão de ‘incorporações’
através de um grande provedor unificador em seu território.
Porém, nas páginas seguintes do mesmo artigo, Recondo lembra
que no território paraguaio coexistem diversas culturas, com uma
população bilingüe e constituído por 17 grupos
étnicos e comunidades urbanas e rurais. A fórmula de nossa
integração assim concebida deveria ser: unidade na diversidade.
Hoje, mais do que nunca, é nossa comum transformação
cultural o grande fator dinâmico da integração latino-americana.
Os países latino-americanos são resultado de uma sedimentação,
justaposição e cruzamento das tradições indígenas,
hispano-coloniais católicas e das ações modernas
nas áreas política, educacional e de comunicação.
A mestiçagem interclasses gerou formações híbridas
em todos os estratos sociais.
Comunicação Intercultural
Palavras como símbolos se transformam em barreiras quando seus
significados não são compartilhados. Mesmo emissores de
uma mesma língua não compartilham exatamente o mesmo significado
para cada palavra. - Jandt
Os sistemas social e cultural determinam em parte as escolhas de palavras
que as pessoas fazem, os objetivos que têm para comunicar, os canais
que usam para certa espécie de mensagem etc.
Uma comunicação entre duas pessoas ou grupos de pessoas
com repertórios diferentes não consegue ter sucesso. A frase
ou palavra transmitida pelo emissor poderá até ser compreendida
pelo receptor, mas o sentido real da mensagem chegará com ruído
MODELO DE COMUNICAÇÃO ENTRE CULTURAS
FEEDBACK
Existem quatro principais obstáculos da comunicação
intercultural.
- O primeiro e mais notório é a linguagem.
- O segundo diz respeito à comunicação não-verbal.
A barreira é formada quando não existe um código
verbal compartilhado. Nessas situações, as pessoas descobrem
que suas crenças sobre a universalidade dos sinais de mão
e expressões corporais não são verdadeiras. Além
disso, a comunicação não-verbal é mais inconsciente
e não controlada, se comparada com a comunicação
verbal.
- Um terceiro obstáculo da comunicação intercultural
diz respeito aos valores. Os valores determinam o que achamos que é
certo, bom, importante e belo. Achamos difícil aceitar que o que
é certo é relativo, dependendo da cultura.
- O quarto e último aspecto se refere aos medos comuns e não
entendimentos, que resultam de comunicações interculturais
e influenciam a participação dos indivíduos nesse
processo. É natural que sintamos medo de algo que ameace nossos
valores.
Negociação Intercultural
Num âmbito intercultural, o ruído pode derivar de gestos
ou comportamentos que parecem insuficientemente ou demasiadamente corteses,
pela própria vestimenta ou pelo ambiente que parece não
se encaixar com a ocasião. Na maioria das descrições
sobre a personalidade do negociador brasileiro, a principal é a
qualidade do individualismo. Os executivos também parecem ser pobres
ouvintes e têm a característica de falar ao mesmo tempo.
Por esses fatores, eles tendem a ter baixa orientação interpessoal
(IO).
Brasileiros não apresentaram nenhum período de silêncio
durante a negociação (intervalo de 10 segundos de silêncio,
contabilizados a cada meia hora) contra 5.5/ 6 dos japoneses e 3.5 dos
norte-americanos. Os brasileiros tocam mais nos negociantes durante a
negociação, com 4.7 toques ( considerados a cada meia hora),
contra nenhum dos outros negociantes. O estilo de conversa do brasileiro,
segundo a pesquisa, sugere que inclua muito mais interrupções
e que seja mais longo ( 51 minutos, contra 24 dos norte-americanos e 33
dos japoneses). Os brasileiros, como já foi revelado anteriormente,
tendem a falar simultaneamente por períodos extensos de tempo,
parecendo “lutar pelo espaço”.
O processo de negociação é um estudo da psicologia
social. Quando os jogadores foram socializados em diferentes culturas
(...) mais atenção deve ser dada para o que vai dentro da
cabeça dos negociadores em ambos os lados da mesa. A comunicação
depende da existência de uma razoável similaridade entre
os comunicadores. Nossas percepções fazem com que seja quase
impossível ver algo que é conflitante para o outro. Costumamos
projetar no outro o significado que temos das coisas. Constantemente,
atribuímos motivos aos outros.
De forma geral, os processos de negociação interculturais
têm alto índice de fracassos devido à dificuldade
de transposição de barreiras culturais, legais e econômicas.
Normalmente, as barreiras culturais são mais difíceis de
transpor do que as barreiras legais ou econômicas.
Até o tempo no qual as negociações acontecem varia
de uma sociedade para outra. O processo de negociação internacional
usualmente será mais longo e mais complexo. Além disso,
a própria percepção do tempo pode mudar. Na maior
parte da América Latina, as pessoas agem como se o tempo fosse
uma fonte sem limite, enquanto os norte-americanos geralmente acreditam
que a socialização pré-negocial deve ser mínima
e os franceses adoram debater.
Quando este princípio simples é esquecido, tende-se a prolongar
o tempo necessário para o entendimento das partes ou pode provocar
impasse.Durante a negociação, multas são inseridas
com a passagem do tempo, mas muitos negociadores colocam na questão
da pressa um prêmio disfuncional. Quanto menor a zona de similaridades,
mais tempo leva para chegar a uma concordância. O negociador que
quiser esperar mais, provar ser mais paciente, terá mais sucesso.
Muitos pesquisadores examinaram a relação entre comportamentos
de comunicação e o processo temporal de negociações.
Alguns autores descobriram que as afiliações partidárias
ficam mais difíceis de ser detectadas enquanto a negociação
prossegue, e que negociações de sucessos ficam mais caracteristicamente
igualitárias enquanto o tempo prossegue. O uso da estratégia
varia dependendo do estágio temporal do processo de negociação.
Quanto mais a negociação progride, os negociantes ficam
mais iguais interpessoalmente se as afiliações partidárias
ficam mais difíceis de detectar.
As principais barreiras ao sucesso de processo de negociação,
são:
a) Diferenças na percepção sensorial lógica
- equívocos na interpretação das atitudes de cada
negociador podem levar ao fracasso do processo. Em negociações
internacionais, discussões são freqüentemente prejudicadas
porque as parte usam tipos distintos de lógica, tanto para a tomada
de decisão, quanto para a interpretação de códigos
de comunicação;
b) Diferenças em prioridades na tomada de decisões - pessoas
provenientes de culturas diferentes tendem a priorizar diferentes aspectos
de um acordo. Desenvolver habilidades como a sensibilidade, a atenção
aos detalhes e a percepção às pequenas variações
no comportamento das pessoas são requisitos importantes para administradores
que estão trabalhando em ambientes culturais diversos do seu;
c) Diferenças no uso e no entendimento de códigos de comunicação
- embora a língua seja uma das formas de expressão cultural,
sabe-se que a estrutura de funcionamento da cultura é muito mais
complexa.
Como negociar no Mercosul
a) As diferenças culturais
Devemos assumir que sim, somos diferentes. Seguindo os estudiosos da corrente
histórica e política preponderante, os povos latino-americanos
têm fortes distinções entre si.
Num âmbito geral, segundo pesquisas, o brasileiro tende a ser o
negociador menos formal. O contato físico e a tentativa de aproximação
são comuns ao negociador brasileiro. Em contrapartida, o executivo
argentino tende a ser extremamente organizado e burocrático. O
argentino muito comumente traz em seu poder documentos e um advogado para
acompanhar a discussão. A presença do advogado, para muitos
negociadores brasileiros, é vista como um fator negativo, como
se o argentino não tivesse confiança na seriedade do trabalho.
Já os executivos paraguaios tendem a ser ainda menos organizados
que os brasileiros. Sem documentos e sem uma idéia estruturada
sobre a negociação, as questões são resolvidas
por meio do diálogo, onde o que mais vale é a solução
momentânea.
2) As diferenças lingüísticas
Quanto à questão idiomática, nos países do
Mercosul, existem, além de algumas línguas oficiais, castelhano
e português, as línguas do substrato aborígena (guarani,
quichua, aymara, mapuche e vários dialetos araucos e tupis), falados
por milhões de habitantes:
Fonte: Aguayo
Um artigo da revista The Economist ( 1996) ilustra esta questão:
b) (...) Os defensores do Mercosul clamam que a língua é
sua arma secreta : enquanto a União Européia fala uma dúzia
de línguas, o Mercosul fala apenas duas-e elas são parecidas
o bastante para dispensar intérpretes. Será verdade? (...)
O problema é que, enquanto os brasileiros entendem o espanhol falado
sem muita dificuldade, o português nasal não é fácil
para uma pessoa que fale espanhol entender. Diz-se que uma das mais tensas
disputas internas do Mercosul foi momentaneamente agravada por má
compreensões lingüísticas. (...) Pedro Malan, ministro
do Brasil, não só fala bem espanhol mas- como o Sr. Cavallo
- excelente inglês. Foi a língua que eles mais usaram em
suas freqüentes ligações telefônicas.
Por isso, é imprescindível que o executivo brasileiro que
enfrenta uma negociação no Mercosul tenha bom conhecimento
da língua espanhola.
3) Diferenças legais e econômicas
Nem todas as legislações brasileiras são iguais as
de outros países do Mercosul. Empresas pesquisadas assumiram que
perderam licitações devido a erros jurídicos cometidos
em suas propostas de serviço.
A área legal é hoje a número um em termos de publicação
de livros e periódicos que tratam do Mercosul. O executivo brasileiro
deve, então, aproveitar a vasta literatura e se enquadrar aos dispositivos
jurídicos do novo mercado.
A compreensão da situação econômica do país
onde está sendo feita a negociação também
é ponto imprescindível na negociação. A oferta
de um trabalho que ao encontro das necessidades de um país é
ponto fundamental no sucesso da negociação. Esse conhecimento
pode ser obtido por meio da leitura de periódicos e livros sobre
o país em destaque. Na chegada ao novo país, é sumamente
importante que o negociador brasileiro compre, assim que pisar em solo
estrangeiro, o principal jornal local.
Emerge a sugestão de que, executivos que vierem a participar de
negociações junto a outros países do Mercosul, devem
se ater às seguintes questões:
- conhecer a língua espanhola, mesmo que não plenamente;
ler com profundidade todo o material possível sobre a economia
do país com que vão negociar;
- ter como ponto de apoio legal um advogado local, além de advogado
brasileiro;
- estudar a cultura local, principalmente no que tange às questões
ligadas ao estilo de negociação;
- ter contato com o maior número possível de pessoas que
já tenham negociado com outros países do Mercosul e estabelecer
uma relação de intercâmbio de informações
e de experiências;
- intercalar o local das rodadas de negociação entre o país
de origem do negociador e o outro país do Mercosul.
Quanto às empresas que estão estabelecendo vínculos
comerciais no Mercosul, as sugestões que surgem são as seguintes:
- estabelecer um programa de treinamento da língua espanhola para
os funcionários que vão atuar no novo mercado;
- propiciar um canal de comunicação interdepartamental entre
os diversos setores da organização que tiverem negociação
ou experiência comercial no Mercosul;
- fomentar os funcionários com todos os tipos possíveis
de veículos de comunicação pertinentes sobre o mercado
do Cone Sul;
- estabelecer estratégias e metas específicas para as negociações
nesse novo mercado, tendo em vista a heterogeneidade cultural entre o
Brasil e os outros países do Mercosul.
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