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Teoria e Prática da Comunicação
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Comunicação
O profissional estratégico da comunicação
Catarina Donda, relações públicas
formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com especialização
em Marketing. É supervisora de Comunicação Empresarial
da Embrapa, no Centro Nacional de Pesquisa de Algodão.
A comunicação empresarial no Brasil, tal como a conhecemos,
é recente e ainda está em processo de transformação.
Das primeiras atividades de comunicação, executadas de forma
desconexa e amadora, à propagada comunicação empresarial
integrada, foram menos de três décadas e uma considerável
evolução.
A execução de tarefas pontuais e desarticuladas foi substituída
pelo planejamento, que passou a sistematizá-las. Posteriormente,
a comunicação empresarial ganhou status de função
estratégica e, hoje, passa a ser cobrada por resultados que ajudem
no desempenho dos negócios da empresa.
Desde sua implementação, a atividade se profissionalizou,
pensadores e pesquisadores têm contribuído para o arcabouço
teórico da área e surgiram entidades e eventos que incentivam
e fortalecem a atividade. A própria evolução do pensamento
administrativo corrobora a importância da comunicação
empresarial nas empresas, posicionando-a como estratégica no processo
gerencial.
Entretanto, sabemos que a teoria ainda está à frente da
prática. A comunicação empresarial, tal como a idealizamos
- especialmente a comunicação integrada - é até
agora uma meta não alcançada, pelo menos na maioria das
empresas.
Se a comunicação é estratégica, por que, em
geral, o profissional de comunicação fica à margem
do processo de tomada de decisões, sendo chamado apenas na hora
de comunicá-las ou executar tarefas?
Isso acontece em parte porque, tradicionalmente, altos executivos não
têm formação em comunicação e, em geral,
desconhecem a importância que a área tem e o que os comunicadores
podem fazer pela empresa - muito além de produzir house organs,
releases e festinhas.
Mas existe um segundo motivo, igualmente ou mais importante. Se a comunicação
estratégica ainda é uma utopia na maioria das empresas,
um profissional de comunicação capacitado a gerenciá-la
também o é.
O fato de a comunicação ser estratégica não
significa que o profissional de comunicação esteja habilitado
a participar da gestão da empresa. Aliás, nenhuma profissão
habilita, via de regra, ninguém a isso. Não adianta entender
de comunicação (ou engenharia ou administração
etc) se a pessoa não entender o contexto; não conhecer profundamente
o negócio da empresa e o ambiente em que ela está inserida,
não acompanhar as mudanças constantes dentro e fora da organização.
Ter competência e poderes para avaliar, opinar e inspecionar as
ações empresariais é que vai produzir o valor agregado
da função de comunicador empresarial.
Parte da culpa é das universidades, cujos currículos não
habilitam os futuros profissionais a ter uma visão macro de sua
profissão e do mundo, o que os prepararia para participar de processos
gerenciais de forma mais eficaz.
Mas a maior parte da culpa é dos próprios profissionais
de comunicação, que muitas vezes não buscam suprir
essa deficiência. Que não demonstram a importância
do que fazem, não mostram o que sabem e nem lutam por sua participação
nos rumos da empresa.
Demonstrar a importância do que se faz é comprovar, com dados,
números e fatos, sempre amparados em pesquisas, o retorno das ações
de comunicação para a empresa. Mostrar o que se sabe é
permitir que a direção da empresa conheça as habilidades
e capacidade dos profissionais de comunicação que possui,
saiba no que e como eles podem colaborar. Participar de decisões
é um direito que se adquire junto com a confiança dos superiores,
provando que o profissional de comunicação agrega valor
ao processo gerencial. Um comunicador empresarial que pretenda tornar
sua atuação realmente estratégica deve raciocinar
além da parte operacional de sua profissão. É preciso
entender os conceitos, conhecer as tendências, expandir os conhecimentos
para as áreas interligadas à sua e a todas aquelas relacionadas
ao negócio de sua empresa.
Aliadas a estes conhecimentos, características como flexibilidade,
persistência, disciplina, comprometimento, criatividade, senso crítíco
e auto-confiança são essenciais. O comunicador empresarial
precisa, ainda, conhecer fundamentos de direito, economia, sociologia
e psicologia. Ou seja: precisa ser um profissional multidisciplinar, competente
para dirigir uma comunicação integrada, em que a sinergia
entre as diversas atividades da área substitui a segmentação
até então vigente.
Essa é uma conquista lenta e gradativa. Pouco a pouco, os comunicadores
irão conquistar seu espaço, mas é preciso ímpeto
e muita persistência. O que, em última análise, é
muito justo, afinal ser formado nisto ou naquilo não nos dá
prerrogativas de influência sobre as decisões da empresa.
O bom desempenho, o "algo mais", isso sim. E isso vale para
todas as profissões.
Mais do que uma mudança no perfil desejado do comunicador, estamos
vivendo um momento de transição entre a antiga (e ainda
presente) comunicação segmentada e a desejável comunicação
integrada e estratégica. Estas mudanças não poderiam
ser fáceis e nem rápidas, pois toda mudança envolve
ajustes, percalços e, principalmente, tempo. Os erros, as incongruências
e até mesmo o mau uso do termo fazem parte do processo de amadurecimento
dos comunicadores e das instituições.
A sociedade está ficando cada vez mais crítica e consciente,
e o movimento em direção a empresas mais justas e coerentes
é irreversível. A comunicação é parte
essencial disso. Portanto, sua função estratégica,
muito em breve, será uma realidade, até por uma questão
de sobrevivência das organizações. E um comunicador
empresarial capaz de dirigi-la e atuar efetivamente na gestão das
empresas, uma necessidade. Cabe a nós nos preparar para preencher
esse perfil.
Bibliografia
BUENO, Wilson da Costa. Um pouco de história. Disponível
em: <http://www.comtexto.com.br/comempreaulas_htm>. Acesso em 22/03/2005.
NEVES, Roberto de Castro. Comunicação Empresarial Integrada.
Rio de Janeiro: Mauad, 2000.
* Catarina Donda é relações públicas formada
pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com especialização
em Marketing. É supervisora de Comunicação Empresarial
da Embrapa, no Centro Nacional de Pesquisa de Algodão.
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