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Comunicação
e Responsabilidade Social Teoria/Prática
em Comunicação Empresarial |
Teoria e Prática da Comunicação Empresarial • Comunicação A comunicação organizacional
como fato social A maioria das publicações sobre Comunicação Organizacional ou termo eqüivalente (Comunicação Institucional, Comunicação Empresarial, Comunicação Corporativa, Comunicação Estratégica etc) possui como principal característica a abordagem instrumental da comunicação. Essa abordagem se deve, em grande medida, à preocupação dos autores em promover a eficácila comunicacional das organizações, geralmente empresas. Como decorrência dessa perspectiva, a comunicação organizacional padece de uma certa visão internalista, na medida em que a maioria de seus objetos de pesquisa se restringe ao estudo de determinada organização ou, no máximo, ao trabalho comparativo entre organizações. Diante dessa premissa, faz-se necessária uma concepção epistemológica capaz de investigar o fenômeno comunicacional das organizações como fato social. Trata-se, neste caso, de considerar uma perspectiva mais ampla, supra-organizacional, que investigaria a inserção das organizações na sociedade, tendo como objeto privilegiado de análise a comunicação. A Teoria da Administração e sua tributária, a Teoria das Organizações, costumam servir de referência para a Comunicação Organizacional. Entre as principais definições correntes de organização, elaboradas no âmbito dessas disciplinas, encontra-se aquela que a designa como um agrupamento de pessoas direcionado a um fim comum. Diversos autores também se empenharam em definir tipologias organizacionais utilizando critérios diversos, tais como as relações de poder, funções, processos de transformação etc. O fato é que as organizações apresentam matizes diversos e interagem entre si. Mas em que medida a disciplina de Comunicação Organizacional poderia dar conta de investigar o fenômeno comunicacional das organizações em suas diversas configurações? Existiria diferença na comunicação exercida por uma empresa, por uma organização não-governamental, por uma escola de samba, pela imprensa e pelas organizações criminosas? Se até agora a área de Comunicação Organizacional vem adotando uma abordagem primordialmente prescritiva, geralmente voltada para a eficácia organizacional, talvez seja o momento de ampliar seu foco para abordagens mais descritivas, direcionadas à compreensão sobre como realmente ocorre a comunicação organizacional na sociedade. Apesar desse descompasso entre a prescrição e a descrição, é interessante observar que ambos os focos encontram-se presentes em disciplinas como a Administração Estratégica, cujo referencial téorico-metodológico contempla muitas idéias comuns à Teoria da Administração. Em obras recentes como "Safari de Estratégias", por exemplo, Mintzberg, Ahlstrand e Lampel, relacionam uma série de escolas (Escola do Design, Escola do Planejamento, Escola Cognitiva, Escola do Poder etc) e as classificam em um desses focos: prescritivo e descritivo. Na realidade, existe ainda uma terceira opção, representada pela Escola da Configuração, que seria uma espécie de síntese das anteriores. No livro "Imagens da Organização" Gareth Morgan fornece uma série visões sobre as organizações por meio de analogias, muitas das quais coincidem com as concepções de organização inerentes às escolas de Administração Estratégica. No que tange ao estudo das organizações em suas diversas manifestações (igrejas, sindicatos, empresas, organizações públicas etc), o clássico "Organizações complexas", organizado por Amitai Etzioni e publicado originalmente no início dos anos 60 do século passado, procura abordá-las em face dos problemas sociais. Entretanto, quando se trata de obras sobre Comunicação Organizacional, esses autores são até citados, porém como introdução ao conteúdo principal, cuja ênfase recai no instrumentalismo e na prescrição. As idéias presentes em Mintzberg, Morgan e Etzioni não decorrem, necessariamente, em propostas mais abrangentes de investigação no âmbito comunicacional, ainda subordinado a uma perspectiva intra-organizacional. Ou seja, a externalidade das organizações ainda é concebida a partir da perspectiva interna, sob a denominação de ambiente externo. A visão alternativa seria contemplar a comunicação organizacional sob a perspectiva descritiva, como fato social, numa dimensão supra-organizacional. A noção de fato social encontra-se entre as mais tradicionais da sociologia, podendo ser considerada um dos termos fundadores dessa disciplina, ao ser concebida por Émile Durkheim como reação à perspectiva psicológica da vida humana. Segundo seu autor, o fato social é uma característica cultural de sistemas políticos que eqüivale a mais do que a soma das intenções e motivações dos indivíduos que participam desses sistemas, como as empresas, por exemplo. O autor afirmava ainda que os fatos sociais deveriam ser considerados como se fossem coisas, que só poderiam ser explicados em relação a outros fatos sociais. Embora, desde Durkheim, muita água tenha passado debaixo da ponte, com as devidas críticas pertinentes à sua concepção funcionalista, essa idéia primordial de estudar a , em sua manifestação fenomênica,? e por extensão as organizações ?sociedade sob o olhar um pouco mais distanciado, parece configurar-se, no estágio atual da Comunicação Organizacional, em postura epistemológica adequada. Outra questão importante relativa à Comunicação Organizacional refere-se ao seu reconhecimento como área do campo comunicacional. Neste caso, verifica-se que, embora existam no Brasil e em outros países da América Latina, assim como na América do Norte e na Europa, associações acadêmicas e profissionais específicas para essa área, o mesmo não ocorre, por exemplo, quando examinamos documentos oficiais de classificação de termos como o Thesauros da Unesco, por exemplo. Uma breve pesquisa no sítio da instituição sobre o assunto (http://www.ulcc.ac.uk/unesco/thesaurus.htm) será capaz de revelar que, entre as sete áreas do conhecimento mais importantes para a Unesco encontra-se, realmente, a de informação e comunicação, que ocupa o quinto lugar numa relação em que também se fazem presentes: 1) educação, 2) ciência, 3) cultura, 4) ciências sociais e humanas, 6) política, legislação e economia e 7) países e grupos étnicos. No item específico sobre comunicação é possível encontrar diversos outros termos: comunicação em grupo, comunicação espacial, comunicação interativa, comunicação intercultural, comunicação interpessoal, comunicação massiva, comunicação móvil, comunicação não-verbal, comunicação política e, finalmente, comunicação e desenvolvimento. Nada de comunicação organizacional. Quando o acesso aos termos do Thesauros da Unesco ocorre pela classificação
hierárquica, verifica-se que o item 5-Informação
e Comunicação é subdividido em nove sub-itens, sendo
que apenas dois deles estão mais diretamente relacionados à
comunicação: 5.10 - Política e pesquisa de comunicação
e 5.20 - Indústria da informação, ambos relacionados
à comunicação de massa. O restante diz respeito às
ciências da informação. Outra alternativa seria buscar
o termo Comunicação Organizacional ou equivalente no interior
do campo da Administração, que está inserido no item
6 - Política, legislação e economia e no sub-item
6.75 - Organização e gerenciamento. Mas a Comunicação
Organizacional também não encontra-se lá. Então
alguma coisa está errada. Se o problema for com o Thesauros, então
é possível dizer, por exemplo, que a Unesco não vem
acompanhando o surgimento de novas áreas do conhecimento. Se o
problema for com a Comunicação Organizacional, provavelmente
isso ocorra porque essa área ainda não amadureceu o suficiente
para ser incluída no Thesauros. Talvez seja isso mesmo que esteja
ocorrendo: a Comunicação Organizacional, enquanto área
do conhecimento, ainda não se tornou um fato social para a Unesco.
Da mesma forma com que os fenômenos comunicacionais inerentes às
organizações ainda não se tornaram fatos sociais
relevantes e dignos de consideração em várias obras
especializadas em Comunicação Organizacional.
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