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Comunicação Interna
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Comunicação
A importância da comunicação
interna nas organizações
Emanuel João de Figueiredo é jornalista e trabalha na Midiática
Comunicações
A Comunicação Interpessoal
A comunicação entre quem
informa (emissor) e quem é informado (receptor), caracteriza-se
pelo ato de comungar idéias, ou seja, pelo estabelecimento de um
diálogo entre duas pessoas. É pelo diálogo que a
comunicação realmente se efetiva. É interessante
saber que a comunicação interpessoal já fora pensada
por Aristóteles (384-322 a.C.) em sua obra Retórica, em
que ele já afirmava que a comunicação era composta
de três partes: quem fala, o discurso e a audiência.
Nele, ocorre a circulação da informação e
é imperativo que, ao ser transferida, ela seja compreendida pela
pessoa que a recebe. A informação é o que está
contido no processo da comunicação e é por este motivo
que não podemos dizer que as duas palavras são sinônimas.
Comunicar-se é ter uma ponte de compreensão entre você
e outras pessoas, de tal forma que possam compartilhar aquilo que sentem
e sabem. É com essa ponte que você pode atingir os outros
com idéias, fatos, pensamentos, sentimentos e valores. Utilizando-a,
você pode cruzar com segurança o rio de mal-entendidos que
muitas vezes o separa dos outros.
O maior obstáculo da comunicação entre duas pessoas,
ou seja, da comunicação interpessoal, é o desconhecimento
de que o receptor não é uma extensão do emissor da
mensagem e vice-versa. Portanto, um não sabe o que se passa dentro
do outro.
Nesse sentido, a psicanálise afirma que o homem vive extremamente
centrado em si mesmo e acredita que os outros são parecidos consigo,
sentem as coisas da mesma forma e, em essência, pensam como ele.
Como sempre, o homem projeta nos outros sua maneira de ser e de pensar.
Falando em outras palavras, esse amontoado de mal-entendidos involuntários
é resultado de uma comunicação que surge com a premissa
de que as pessoas irão entender tudo exatamente como se fala. E
não é bem assim! A comunicação de verdade
parte da premissa de que o outro não é uma extensão
de quem transmite a mensagem.
Existem claro, outros fatores psicológicos que interferem no processo
comunicacional. O estado psicológico da pessoa que fala ou da que
escuta é relevante para o processo. É um tema interessante
para ser aprofundado, mas nessa leitura, será abordada somente
a compreensão de que 'quem fala' não é uma extensão
de 'quem escuta'.
No processo comunicacional interpessoal, todos nós transitamos
no papel de fontes e receptores de informações. Uma hora
temos a postura da fonte e no próximo instante, assumimos a postura
do receptor, do ouvinte. Estar em ambos os papéis forma a dinâmica
do diálogo.
A Modernização Do Processo Comunicacional
Qual foi a primeira tentativa de comunicação entre dois
seres humanos? Sabe-se que, primeiramente, o homem fez uso dos símbolos
e dos sinais. Depois, usou a fala e a linguagem e, em seguida, a escrita
e a impressão. Hoje, na era digital, nos comunicamos via satélite,
e velocidade e distância não são mais obstáculos.
Todavia, o processo de comunicação deixou de ser composto
simplesmente por um emissor, uma mensagem e um receptor. Atualmente, ele
apresenta mais um ponto básico, que é o meio, o veículo
ou a mídia, que transmite a mensagem. Portanto, o processo comunicacional
é composto pela: Mensagem - é a expressão da idéia
que se quer transmitir; Fonte - é o emissor dessa idéia;
Meio ou mídia - é o que leva a idéia, o veículo
e o Receptor - é aquele que recebe a idéia.
A escolha do veículo/meio/mídia para a transmissão
de uma mensagem é fator importantíssimo para torná-la
efetiva ou não. Por exemplo, na comunicação feita
pela televisão, a mensagem é transportada eletronicamente
e atinge o receptor através da visão e da audição.
Mala direta é uma maneira de comunicação que usa
o sentido visual e que pode chegar ao público-alvo por diversos
meios. O importante é ter em mente que a seleção
do canal/meio/veículo é determinante da efetividade da comunicação.
Na comunicação interpessoal num ambiente corporativo, habitualmente
se pode usar o telefone ou passar um e-mail para o seu receptor. É
necessário pensar na mensagem que se quer transmitir e escolher
qual desses pode melhorar a compreensão. Muitas vezes, usar o telefone
é mais compreensível e rápido do que usar a palavra
escrita em um e-mail. E vice-versa.
Em 1947, Claude Shannon e Warren Weaver, tendo em vista o desenvolvimento
tecnológico em que vivemos, pensaram em mais dois aspectos importantes
do processo comunicacional: a codificação e a decodificação.
A codificação é responsável pela transformação
da mensagem num formato que seja aceito pelo meio que será transmitido.
Por exemplo, quando a mensagem for comunicada pelo rádio, ela será
elaborada de forma oral e obedecerá às técnicas do
rádio. Quando for televisionada, ela deverá ser transformada
em imagem, texto, locução etc. e estará de acordo
com as técnicas da televisão. Se for pelo meio escrito,
a mensagem deverá ser transformada em palavras escritas e assim,
sucessivamente.
A decodificação é a operação de traduzir
a mensagem para o receptor. Por exemplo, quando usamos o aparelho celular,
nossa mensagem é codificada e lançada pelo meio - antenas,
para chegar a um outro aparelho celular que decodifica a mensagem e a
transforma novamente em voz para ser entendida por quem está na
outra ponta da linha, o receptor.
Shannon e Weaver trouxeram igualmente um outro aspecto do processo comunicacional,
o ruído. Tecnicamente, é ele que afeta a qualidade do sinal.
É o "vírus" da comunicação.
Torna-se ruído da comunicação tudo aquilo que possa
atrapalhar o entendimento da informação a ser transmitida.
Alguns autores abordam o que seriam "ruídos", definindo-os
como sendo uma paralinguagem. São mensagens secundárias
que dificultam o receptor a entender o que está sendo transmitido.
Por exemplo, existem os sonoros como o hum-hum, assim como os cacoetes
"não é verdade?", "veja bem", "está
me entendendo?", "cara", "enfim", "né",
"viu" e tantos outros. Esses cacoetes em excesso na mensagem
podem comprometer o entendimento da mesma.
Hoje em dia, o gesto e até mesmo o silêncio são pontos,
dentre outros, considerados como parte do processo comunicacional. O gesto,
a mímica e a atitude podem mudar ou valorizar a mensagem. Exemplo:
uma demora numa resposta pode passar a idéia de descaso, desatenção.
Se respondermos a um convite para um jantar com "infelizmente não
poderei comparecer", esta mesma mensagem carrega um significado se
for transmitida logo após o convite, e outro, se for passada na
véspera do evento. O silêncio, além do popular "quem
cala, consente", pode também significar desprezo, esperteza.
Tudo isso hoje é arsenal de comunicação.
O Processo Comunicacional e a Era da Gestão
do Conhecimento
Podemos dizer que, a partir de 1890, com o advento da energia elétrica,
o homem começou a trilhar um caminho tecnológico que o levaria
a viver mudanças de comportamento cada vez mais rápidas.
Em 1930, com o aparecimento do petróleo e do automóvel,
ele sai dos trilhos das ferrovias, desfruta da liberdade de deslocamento
e prova o gostinho da mobilidade, com o surgimento da aviação.
Em 1980, vivencia a realidade virtual, e tempo e distância passam
a ficar cada vez mais curtos. Surgem infinitas possibilidades de conexões
e grandes fluxos de informações graças ao crescimento
tecnológico. O ser humano, para a sua sobrevivência, desenvolve
uma nova organização social e econômica e, para lutar
pela sua ascensão profissional, tem que adquirir, ampliar e administrar
o conhecimento. A força do seu poder na sociedade passa a ser diretamente
proporcional ao seu capital intelectual bem administrado. Bem-vindos à
Era do Conhecimento!
Hoje, o mundo empresarial sabe que o conhecimento gerado dentro de suas
organizações precisa ser gerenciado e, para algumas empresas,
o seu valor é muito maior do que seu patrimônio físico.
Devido à necessidade de se entender melhor essa nova postura corporativa,
surge, na administração das organizações,
a chamada Gestão do Conhecimento.
Segundo Karl Sveiby, "a gestão do conhecimento é a
arte de criar valor a partir dos ativos intangíveis da organização".
Já para o Gartner Group, "a gestão do conhecimento
é 'uma disciplina que promove, com visão integrada, o gerenciamento
e o compartilhamento de todo o ativo de informação possuído
pela empresa. Esta informação pode estar em um banco de
dados, documentos, procedimentos, bem como em pessoas, por meio de suas
experiências e habilidades". (1)
O conhecimento dentro desse contexto se refere especificamente àquele
gerado dentro das práticas profissionais num ambiente corporativo.
Podemos dizer que ele é a experiência adquirida no desenvolvimento
das funções profissionais. Como o professor Jayme Teixeira
Filho (2) explica, ele é algo inseparável das pessoas e
não se encontra apenas nos documentos, bases de dados e sistemas
de informação, mas também nos processos de negócio,
nas práticas dos grupos e na experiência acumulada pelas
pessoas.
Por sua vez, o professor Gilson Galvão Moraes (3) entende que o
capital intelectual adquirido por uma pessoa se caracteriza pela construção
de conhecimentos e dados transformados em informações relevantes.
Esses conhecimentos e dados possuem significados específicos e
se encontram "(...) disponibilizados com qualidade, de forma prática
e veloz para a consecução de resultados econômicos,
financeiros e sociais, exigidos pela sociedade da informação."
Segundo texto publicado no site do Centro de Referência em Inteligência
Profissional (4), conhecimento "é algo pessoal, vivenciado
por alguém. Diferente de dados e informações, que
podem ser armazenados, manipulados e processados pelos computadores."
No site sobre gestão do conhecimento da universidade do Texas (5),
EUA, o conhecimento de uma organização está contido
no seu capital humano, ou seja, nas pessoas que trabalham nela. Em outras
palavras, ele é propriedade dos indivíduos que têm
a possibilidade de sempre renová-lo e com isso, torná-lo
mais importante do que o ativo tangível (patrimônio físico)
de uma organização. Portanto, adquirir informação
é saber apenas dos significados das coisas, e adquirir conhecimento
é praticar e agir, a partir da aquisição da informação,
diante de determinada tarefa profissional.
Em resumo, na sociedade da informação, o conhecimento é
a principal fonte de riquezas. Gerenciá-lo é fundamental
para que as organizações e as pessoas obtenham sucesso.
Gerir o conhecimento de uma organização significa diferenciá-la
pelo que ela sabe executar e pela maneira como emprega essa sabedoria.
É atitude crucial para torná-la mais eficiente e melhor
posicionada na competitividade do mercado.
A Era do Conhecimento indica que ascender nessa nova economia tem muito
a ver com o capital intelectual útil dos trabalhadores de uma empresa.
Para ambos, empresa e trabalhador, é imperativo atentar para o
conhecimento e manter-se em dia numa constante busca do aprendizado.
Notas
1) Parágrafo extraído do texto A Era do Conhecimento -
Como e para facilitar a passagem da sua realidade para a Era do Conhecimento,
do professor Gilson Galvão Moraes.
2) http://www.gerenciandoconhecimento.com.br/frames.htm
3) http://www.eradoconhecimento.com.br
4) http://www.crie.ufrj.br
5) http://www.bus.utexas.edu/kman
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