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Comunicação
e Responsabilidade Social Comunicação no Terceiro Setor Assessoria de Imprensa / Relacionamento com a mídia Comunicação Interna Publicidade/Marketing Comunicação e Cultura Organizacional Comunicação e Crise nas organizações Auditoria de Imagem das organizações Comunicação Pública (Governamental etc) |
Comunicação e Crise nas Organizações Comunicação Administração de crises: a importância
da comunicação Definindo Crise Muito se fala sobre administração de crises hoje em dia,
mas poucas organizações adotam os princípios dessa
prática, principalmente no que diz respeito à comunicação.
Durante uma crise, a empresa deve manter os colaboradores, clientes, acionistas,
fornecedores, imprensa, grupos de pressão, sociedade e governo
informados sobre o problema ocorrido e as ações que estão
sendo tomadas para solucioná-lo. Qualquer falha nessa comunicação
pode gerar novas crises ou destruir a imagem da corporação. "Em contraste com os desastres naturais, sobre os quais freqüentemente temos pouco controle, falhas humanas provocam crises em função de ações ou de inações impróprias [...]. Em princípio, falhas humanas podem ser previstas e, exatamente por esse motivo, o público se sente escandalizado quando ocorrem [...] (apud ROSA, 2001, p.21). Caldini afirma que um simples boato pode se transformar em uma crise: "No primeiro estágio da crise, acontece a simplificação do boato. Uma grande história resumida. No segundo estágio ocorre o exagero. Os detalhes mais agudos são aumentados e a história ganha dramaticidade. No terceiro estágio, a opinião pública interpreta o boato de acordo com a sua visão de mundo, com os seus valores. Nesse momento, se não se gerenciou a crise, os efeitos podem ser devastadores." (CALDINI, 2000, p.116-118). Porque as crises acontecem Todas as organizações estão vulneráveis a crises. A diferença é que algumas, mais preparadas, principalmente do ponto de vista da comunicação, administram melhor os problemas. Outras deixam que os fatos, ou boatos, destruam a sua reputação. "A maioria das crises de imagem, se bem administrada, pode ser superada [...]" (FORNI, 2002, p.363). Segundo Rosa (ROSA, 2001, p.132-134), as crises podem ser dos seguintes tipos: " desastres industriais - explosões, incêndios, contaminações. Uma característica comum a todas essas crises é que elas
não têm local fixo para acontecer. Um desastre ambiental
no Brasil, por exemplo, é noticiado também em outros países,
e em tempo real. Como diz Mitroff, no passado, as crises se limitavam
ao âmbito da comunidade. Hoje, qualquer acidente interfere nas condições
ambientais, sociais ou econômicas do planeta (apud FORNI, 2002,
p.367). As grandes crises de imagem oferecem a oportunidade para os veículos de informação travarem uma batalha num campo comum (a crise), utilizando armas semelhantes (a capacidade de investigação, de aprofundamento do tema), para que, ao final do desafio, o melhor acabe vencendo (ROSA, 2001, p.25). Nessa corrida por uma informação nova, ou simplesmente pelo melhor ângulo do espetáculo, a imprensa acaba cometendo alguns erros, como, por exemplo, o famoso caso da Escola Base, em 1994, e as denúncias sobre a compra de bicicletas superfaturadas pelo ministro Alceny Guerra, no governo Collor. Como administrar uma crise de imagem Existe uma regra básica com a qual todos os autores concordam:
prevenir ainda é a melhor forma de administrar uma crise de imagem.
O primeiro passo é criar um comitê de gerenciamento de crise,
de preferência antes que o problema aconteça. Esse comitê
deverá apontar os possíveis problemas aos quais a organização
está vulnerável e as ações que deverão
ser tomadas caso aconteçam. O que fazer na Hora H Caldini relaciona algumas posturas que devem ser tomadas pelo porta-voz
durante a crise (CALDINI, 2000, p.116-118): O papel da comunicação na administração de crises O departamento de comunicação das organizações
tem papel fundamental durante o processo de administração
de crises. Como falamos anteriormente, as empresas que transmitirem as
informações sobre o problema ocorrido e as ações
tomadas pela empresa para resolvê-lo de forma correta e eficiente
superam as crises sem arranhar a sua imagem. Cases O caso Tylenol O caso Tylenol, ocorrido em 1982, é um bom exemplo de administração
de crises até hoje. O medicamento foi adulterado com cianeto, matando
sete pessoas nos Estados Unidos. Apesar do grave problema, a imagem da
Johnson & Johnson não foi afetada. O que a Johnson & Johnson fez: " Foi à imprensa e divulgou que o medicamento foi adulterado. " Solicitou à população que o uso do Tylenol em versão cápsulas fosse suspenso. " Recolheu todo o estoque do medicamento dos hospitais, farmácias e demais pontos de venda. " Deu subsídio aos hospitais caso algum caso de envenenamento fosse registrado. " Ofereceu aos consumidores a opção de trocar o medicamento em cápsulas que tivessem em casa pela versão em tabletes, que não podia sofrer sabotagem. " Ofereceu prêmio em dinheiro a quem pudesse dar informações sobre o adulterador Resultados: as explicações dadas pela empresa sobre o ocorrido
foram bem aceitas pela imprensa. "Comprovando a confiança
que a Johnson & Johnson merecia, o setor de Relações
Públicas da empresa catalogou mais de 125 mil recortes de jornais,
com notícias sobre o caso Tylenol, todos eles favoráveis"
(MORAES, s.d.).
Na manhã do dia 31 de outubro de 1996 uma pane elétrica derrubou um avião Fokker-100 da TAM segundos depois de decolar do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A aeronave caiu a dois quilômetros de distância da cabeceira da pista, atingindo 20 casas. O acidente resultou na morte de 99 pessoas, sendo 90 passageiros, sete tripulantes e duas pessoas que estavam em terra (FALCO, 2003, p.35-68). O que a TAM fez, segundo Falco: " A empresa não parou de operar. " Disponibilizou todas as linhas telefônicas da empresa, que geralmente recebiam reclamações e sugestões, para atender as famílias das vítimas. " Alugou um hotel próximo ao aeroporto para acomodar as famílias das vítimas, que receberam também suporte emocional da companhia. " Concedeu entrevista coletiva menos de quatro horas depois do acidente. " Apurou rapidamente as causas do acidente: o problema foi detectado uma semana depois e o resultado oficial, publicado um mês depois do acidente. " A TAM não divulgou a lista com os nomes das vítimas, sem antes informar e confortar todos os familiares. " Para conter os boatos, a empresa divulgou boletins oficiais a cada 12 horas, mesmo que tivesse que repetir 100% o conteúdo do anterior. " Apesar de toda a assistência oferecida pela TAM às famílias das vítimas, algumas ainda brigam na justiça por uma indenização maior. O que o departamento de comunicação da TAM fez: " Tirou a empresa da mídia, suspendendo todas as peças publicitárias em veiculação. " Participou da concorrência para a escolha da companhia aérea que transportaria do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, como ação institucional ... e venceu. Resultados: em julho de 1997, recebeu o prêmio "Melhores e Maiores", da revista Exame, pela habilidade de lidar com a crise (FALCO, 2003, p.35-68). BREITINGER, Jacqueline. A arte de apagar incêndios. Exame. São
Paulo, v.32, nº 15, p. 118-119, julho 1998. O texto, acessado em
maio de 2005, está disponível em: CALDINI, Alexandre. Como gerenciar a crise. Exame. São Paulo,
v.34, nº2, p.116-18, janeiro 2000. O texto, acessdado em maio de
2005, está disponível em: CORREA, Cristiane. Para sair do pesadelo. Exame. São Paulo, v.
35, nº7, p.44-45, abril de 2001. O texto, acessado em maio de 2005,
está disponível em: FALCO, Luiz Eduardo. Vencendo a turbulência. In: ROSA, Mário. A era do Escândalo - Lições, relatos e bastidores de quem vivenciou as grandes crises de imagem. São Paulo, Geração, 2003, p.35-68. FORNI, João José. Comunicação em tempo de crise. In: DUARTE, Jorge. Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia - Teoria e técnica. 2a. ed. São Paulo, Atlas, 2003, p.363-388. LUZ, Cynthia M. Como sobreviver na crise sem crise. Propaganda. São
Paulo, nº 486, p.9-12, agosto de 1993. O texto, acessado em maio
de 2005, está disponível em: MOARES, Mario. Caso Tylenol: um bom exemplo de RP. Disponível
em: ROSA, Mário. A Síndrome de Aquiles - Como lidar com as crises de imagem. São Paulo, Editora Gente, 2001. TORQUATO, Gaudêncio. A tragédia de Bhopal. Revista ADM.
São Paulo, p. 12, fevereiro de 1985. O texto, acessado em maio
de 2005, está disponível em:
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