 |
Comunicação
e Responsabilidade Social
Comunicação
no Terceiro Setor
Assessoria
de Imprensa / Relacionamento com a mídia
Comunicação Interna
Publicidade/Marketing
Comunicação
e Cultura Organizacional
Comunicação
e Crise nas organizações
Auditoria de Imagem
das organizações
Comunicação
Pública (Governamental etc)
Relações Públicas
Teoria/Prática
da Comunicação Empresarial
Diversos
|
|
Comunicação Interna
• Comunicação
• Artigo
• Case
• Resenha
Comunicação
"Rádio peão": do chão
às estrelas, do tático para o estratégico!
Claudemir Bertuolo
Em Comunicação Empresarial, especificamente na comunicação
interna voltada aos funcionários da organização,
nos deparamos com a chamada "rádio peão". Alguns
profissionais da área de comunicação a vêem
como uma grande inimiga, outros como um mal sem fim e outros preferem
pensá-la como sendo uma lenda. O fato é que ela funciona
perfeitamente no dia-a-dia de muitas empresas independente da opinião
dos seus executivos.
Na prática sabemos o que é uma "rádio peão",
mas é possível teorizar sobre ela? Entendemos que sim e
esta é a nossa proposta aqui. Ainda que de maneira rápida,
pretendemos apontar alguns pontos para reflexão desta ação
com a finalidade de projetá-la, justificá-la e/ou revisá-la.
Pensando o objeto é necessário definir o que é uma
"rádio peão". De uma maneira simplista podemos
entendê-la como as manifestações comunicacionais não
controladas que correm pelo caminho da informalidade dentro das organizações.
Pensemos agora na definição a partir das palavras. O substantivo
feminino "rádio" significa a entidade na qual transita
todo e qualquer discurso. O adjetivo "peão" carrega implicitamente
um pré-conceito provavelmente acrescentado para descaracterizar
a entidade já que "peão" está ligado a
"chão de fábrica", "serviçal"
e "pessoa sem instrução". Assim, "rádio
peão" traduzida ao pé-da-letra significa os discursos
manifestados por funcionários incultos do baixo escalão.
Se isso algum dia o fora verdade, hoje sabemos que não tem validade
alguma pois os discursos correm por toda teia organizacional, via comunicação
intrapessoal e o moderno correio eletrônico, do chão de fábrica
ao céu de brigadeiro da alta administração.
Embora o termo "rádio peão" esteja consumado,
apresentamos uma opção em tempos modernos: "boato organizacional".
Boato todos sabemos bem o que é, ou por vítima, ou por participação
ativa na sua disseminação, ou pela escuta. Para ampliar
o conceito tomamos de ORLANDI (2001, p. 135) algumas considerações
sobre boato: "é um fato substantivo da história, fato
de sua relação com o silêncio"; "produz
um efeito de verdade a partir de palavras não asseveradas"(:136);
existe onde "há disputa pelo sentido" (:142) e não
há "um responsável do dizer, mas uma figura fantasmática
que toma o lugar de sua responsabilidade. Desde que se manifesta um autor
socialmente visível o boato não é mais boato"(:137).
Vemos aqui o boato organizacional como a saída para o silêncio
da comunicação formal. Silenciar sobre um assunto não
significa eliminá-lo, a comunicação -discursos e
sentidos - busca o seu curso, ainda que à margem. Cabe aos profissionais
responsáveis pela comunicação criar canais para dar
voz e vez aos funcionários e evitar que falas com toda sorte de
acréscimos e entendimentos se tornem verdades.
Na "disputa pelo sentido"(:142) a empresa perde porque é
uma contra muitos e o que é pior, com diversos sentidos. Alguns
profissionais da área de comunicação aliados a gerentes
que nada entendem de pessoas, buscam a qualquer custo responsáveis
pelo dizer. Ignoram que o sujeito, por princípio, é fantasmático,
que a locução é audível mas é pirata.
O identificável é que, independente do locutor (sindicatos,
líderes oposicionistas, funcionários, ongs etc), é
um dizer que surge do silêncio. Quem silencia, cala, consente e
sente!
Não podemos deixar de registrar no entanto, os dizeres plantados.
Optamos por "dizeres" no lugar do "boato" porque como
diz ORLANDI ao ser identificado o "boato não é mais
boato"(:137). Esses dizeres correm com ar de desautorizados mas tem
fonte conhecida, profissionais (??!!) de comunicação e (in)gerentes
que "plantam" a informação em alguns "laranjas"
e esses, loucos por demonstrarem que são "amigos do rei"
reproduzem o discurso. São informações sobre demissões
principalmente e outras reduções mesquinhas, que têm
como finalidade desestabilizar o grupo (e depois dá-lhes treinamento
sobre trabalho em equipe!) e evitar reclamações e/ou reivindicações.
Outra questão a ser levantada é sobre o sujeito. Quem são
os sujeitos e porquê eles atuam? Os sujeitos são os funcionários
que, como dissemos, não encontram nos canais formais de comunicação
maneiras de manifestação e não se sentem seguros
para emitirem opiniões ou discutir questões por verem a
possibilidade de retaliação por parte da empresa. Encontramos
também no "boato organizacional" funcionários
escondidos por vergonha de manifestar-se.
Quais as implicações do boato na vida organizacional? É
possível afirmar que o maior problema é a desmotivação
e um funcionário desmotivado pode representar queda na produtividade
(a demanda está em alta mesmo!), maior número de acidentes
de trabalho (não sabem usar os "EPIs"!), produtos com
defeito (dá-lhes treinamento sobre qualidade!), divulgação
negativa (haja verba para trabalhar a imagem!), rotatividade (tem gente
boa no mercado!) entre tantas outras implicações que refletem
diretamente nos resultados da empresa.
A solução? Podemos dizer que é imprescindível
pensar a comunicação de uma maneira democrática,
participativa. Nesse sentido, entender o "boato organizacional"
como a necessidade de estreitar a relação empresa-funcionário,
ao contrário de apenas mal dize-lo e criar canais de comunicação
que possam atender aos vários públicos internos: produção,
administração de nível médio, alta administração
etc. Em tempos de alta tecnologia e globalização a solução
pode estar no óbvio: comunicação intrapessoal, através
de gerências com competência e habilidades para liderar pessoas.
Por fim recorremos a BUENO (2003, p. 13), é preciso pensar a Comunicação
Empresarial de forma estratégica, respaldada "em bancos de
dados inteligentes, em um conhecimento mais profundo dos seus públicos
de interesse, dos canais de comunicação", apoiando-se
"em metodologias, em pesquisas," e "na necessidade imperiosa
de dotar a Comunicação de um novo perfil: a passagem do
tático para o estratégico" (:15).
Bibliografia
BUENO, Wilson da Costa. Comunicação empresarial: teoria
e pesquisa. Barueri, SP: Manole, 2003.
ORLANDI, Eni Puccinelli. Discurso e Texto: formação e circulação
dos sentidos. Campinas, SP: Pontes, 2001.
|
|