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Case
Aprendizagem vivencial no curso de graduação
em Administração: desenvolvimento de competências
gerenciais na UNESA - Campus Nova América
Vicente Eudes Veras da Silva
Mestre em Educação. Especialista em Matemática e
Estatística. Professor do Curso de Graduação em Administração
da UNESA.
Bárbara helena de Moura Robert - Aluna
do 5º período do Curso de Graduação em Administração
José Carlos França de Oliveira
- Aluno do 5º período do Curso de Graduação
em Administração
Valéria Araújo dos Santos - Aluna
do 5º período do Curso de Graduação em Administração
Resumo
Este Case propõe a utilização do Ciclo de Aprendizagem
Vivencial no Curso de Graduação em Administração.
O Ciclo de Aprendizagem Vivencial propõe uma constante sistematização
da interação entre ação e reflexão,
experiências passadas e atuais num processo de permanente feedback.
A Aprendizagem Vivencial no Curso de Graduação em Administração
deve ser constantemente empregada pelos facilitadores desse processo,
a fim de desenvolver competências gerenciais e analisar a efetividade
do processo de ensino-aprendizagem.
I - Introdução
A noção de criação e transferência
de conhecimento é muito mais do que uma mera reprodução.
É um processo que passa pela reflexão, crítica e
internalização do que é aceito. David Kolb (1990)
chama esse processo de "ciclo de aprendizagem vivencial". Uma
pessoa passa por uma experiência concreta, depois reflete sobre
a situação e disso abstrai ou internaliza algum significado.
Essa "bagagem" que passa a fazer parte dos conhecimentos, valores
ou crenças dessa pessoa, pode então ser utilizado em outras
situações, muitas vezes bastante diferentes da primeira.
O ciclo é iniciado novamente. O ciclo pode ser melhor compreendido
a partir da seguinte seqüência: fazer arefletir a analisar
a decidir. Fazer é passar por uma experiência concreta.
Refletir significa observar a experiência a partir dos modelos individuais
existentes, sob diversas perspectivas. Analisar é o mesmo que transformar
a experiência, a partir das observações, em conceitos
abstratos, generalizações, verdades, valores etc.
Decidir é utilizar os conceitos, teorias ou valores para tomar
decisões e resolver problemas que surgem em novas situações.
Na figura 1, o ciclo de aprendizagem é mostrado, caracterizando-o
em duas dimensões dicotômicas: concreta-abstrata (fazer e
analisar) e reflexiva-ativa (refletir e decidir). O processo de aprendizagem
exige então habilidades diferentes. Ao passar pelo ciclo, as características
cognitivas de cada pessoa vão determinar um maior desenvolvimento
em uma das etapas. Ou seja, isso explica porque as pessoas possuem estilos
de aprendizagem e preferências diferentes em relação
às formas de aprender.

Figura 1 - O Ciclo da Aprendizagem Vivencial
II - Objetivos
A resolução nº 1, de 2 de fevereiro de 2004, do Conselho
Nacional de Educação do Ministério da Educação,
instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação
em Administração, Bacharelado (Conselho, 2004). Nela, está
definido que o projeto pedagógico, dentre outras exigências,
deve incluir modos de integração entre teoria e prática.
Este Case tem como objetivo principal formular um método de Aprendizagem
Vivencial que contemple este integração entre teoria e prática
no Curso de Graduação em Administração focando
o desenvolvimento de competências gerenciais. As relações
travadas entre aqueles que gerenciam e aqueles que são gerenciados
é uma idéia cada vez mais discutida nas organizações.
Ou seja, responder questões como:
- Qual a melhor estratégia para se conseguir que um grupo de trabalho
tenha produtividade mais satisfatória para uma empresa?
- Quais os valores e necessidades desse grupo que, apesar de possuir papéis
diferentes na empresa, tem a tarefa de fazer cumprir a missão institucional?
Tais questionamentos são matéria de vários teóricos
da atualidade, que oferecem várias possibilidades na compreensão
dos processos de trabalho e a produtividade humana (Drucker, 1996; Bergamini
e Coda, 1997; Balestro, 1999; Moscovici , 2000 e Boog, 2001).
III- Justificativa
Este Case justifica-se pelo fato de que aquele que é, hoje, um
discente do Curso de Graduação em Administração
será, amanhã, um profissional e que, para tanto, faz-se
necessário desenvolver uma série de habilidades, atitudes
e conhecimentos, que denominamos hoje como competências.
Este futuro profissional poderá adquirir esta competência
(combinação do conhecimento e do comportamento, decorrentes
da formação, do treinamento, da experiência e do auto-desenvolvimento)
com a utilização da Aprendizagem Vivencial.
Justifica-se, ainda, pois estes conhecimentos devem ser associados aos
interesses, vontades e habilidades para que realmente exerçam um
resultado prático e efetivo. Neste sentido, a Aprendizagem Vivencial
fornece um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que devem
ser desenvolvidos para que se obtenha resultados.
Podemos entender estes elementos como:
- Conhecimento - aquilo que as pessoas precisam saber;
- Habilidades - o que as pessoas precisam saber fazer;
- Atitude - são as maneiras de se portar das pessoas.
Neste sentido, os pressupostos fundamentais que justificariam este Case
são:
1) Os processos de mudança mais profundos e abrangentes, envolvendo
os conhecimentos e princípios acerca das relações
internas e externas de uma organização, envolvendo também
os sistemas e procedimentos de trabalho e, por extensão, as formas
de agir, especialmente no campo gerencial, são processos longos,
que exigem aprendizagem individual e coletiva e são marcados pelas
experiências de "tentativa e erro";
2) Nesses processos de mudança uma das questões essencial
é as competências. O desenvolvimento de competências
constitui o processo mediador entre os projetos de mudança e sua
consolidação. Isso significa que cada uma das etapas desse
processo de mudança será interativamente associada ao desenvolvimento
das competências, especialmente competências gerenciais;
3) Por outro lado, a competência não se consolida no âmbito
dos recursos (conhecimentos, habilidades), mas na mobilização
destes recursos. Para que haja competência, é necessário
colocar em ação um repertório de recursos - conhecimentos,
capacidades cognitivas, capacidades integrativas, capacidades relacionais,
etc., os quais são colocados à prova em situações
de desafio. Nesse contexto, a competência pode ser sintetizada pela
expressão saber agir;
4) Uma estratégia de desenvolvimento de competências deve
estar sustentada em uma visão que contemple a direção
da mudança, isto é, a construção de competências
deve estar associada aos principais desafios e problemáticas que
o mundo atual está enfrentando. Através desses desafios
e problemáticas é que são sistematizados os principais
conhecimentos, habilidades e formas de agir que devem fazem parte desse
processo.
IV - Metodologia
A estrutura geral da metodologia de Aprendizagem Vivencial (Figura 2)
concebe o desenvolvimento das competências para o gerenciamento
da implementação de sistemas de informação
através de episódios. Cada episódio é uma
simulação de atividades relacionadas aos estágios
propostos pelo modelo de implementação de Kolb e Frohman.
Em cada episódio os participantes enfrentarão um desafio
que levará em conta a necessidade de atuação sobre
determinados fatores críticos de sucesso, conforme o modelo de
Schultz, Slevin e Pinto.

Figura 2 - Estrutura geral da metodologia de aprendizagem
Quatro fases deverão ser observadas na elaboração
de cada a episódio a ser vivenciado ao ar livre:
Fase 1 - Inicialização
Esta fase objetiva caracterizar o perfil dos alunos do Curso de Graduação
em Administração e apresentar as orientações
iniciais a respeito das atividades a serem realizadas. Na etapa preliminar
é aplicado um questionário individual para determinar o
perfil acadêmico de cada participante, bem como o conhecimento e
experiência prévios sobre implementação de
sistemas de informação. Na etapa introdutória a metodologia
é apresentada e as equipes formadas.
Fase 2 - Simulações
O objetivo desta fase é propiciar uma seqüência de episódios
que simulam ocorrências ao longo do processo de implementação
de um sistema de informação. Cada episódio é
estruturado como um processo de Aprendizagem Vivencial que emprega a técnica
de simulação. Ao longo dos episódios os alunos do
Curso de Graduação em Administração produzem
relatórios sobre as discussões realizadas e constróem
uma árvore composta pelas atitudes, conhecimentos e habilidades
necessários para atuar na implementação de sistemas
de informação.
Fase 3 - Finalização
Esta fase tem por meta caracterizar as sínteses individual e grupal
do processo de aprendizagem. Na etapa individual é aplicado um
questionário para delinear o conhecimento adquirido e sobre as
atitudes, conhecimentos e habilidades necessários para empreender
este processo. Na etapa grupal é realizado um painel para sintetizar
as conclusões das equipes.
Fase 4 - Avaliação
Nesta fase o objetivo é proceder as avaliações somativa
e formativa da metodologia de aprendizagem. A avaliação
somativa é a análise comparativa entre a visão sincrética
e a visão sintética dos participantes e a discussão
em grupo das árvores de atitudes, conhecimentos e habilidades construídas
ao longo do processo. A avaliação formativa é análise
dos dados coletados ao longo da aplicação da metodologia
através de observações e dos relatórios produzidos
pelos alunos do Curso de Graduação em Administração
em cada episódio.
Os episódios a serem desenvolvidos durante a Pesquisa de Iniciação
Científica deverão seguir o processo de aprendizagem vivencial
(MOSCOVICI, 2000) apresentado na Figura 3 composto de quatro etapas:

Figura 3 - Estrutura geral dos episódios
1ª etapa: atividade
Através de uma simulação, os participantes deverão
propor estratégias de solução para as questões
que lhes sejam apresentadas e que dizem respeito a atuação
em um determinado fator crítico de sucesso de caso de Administração.
2ª etapa: análise
Através de um roteiro de discussão, cada equipe registra
as decisões tomadas, tarefas realizadas e resultados obtidos no
episódio.
3ª etapa: conceituação
Através de um brainstorming e de um roteiro de mapeamento, cada
equipe registra os aspectos que dificultaram as decisões e ações
no episódio e as alternativas que poderiam ter sido buscadas. Além
disso, cada equipe realiza o mapeamento das atitudes, conhecimentos e
habilidades necessários para atuar sobre o fator crítico
de sucesso daquele episódio.
4ª etapa: conexão
Através da comparação dos aspectos abordados nas
demais etapas com situações de trabalho, cada equipe elabora
um relatório de conclusão contendo generalizações
para uso futuro.
V - Aprendizagem vivencial no curso de graduação em Administração
As instituições de ensino superior (IES) se encontram afetadas
pela instabilidade ambiental e buscam na correta leitura do ambiente externo
e interno as respostas para a competitividade, ou mais especificamente
no seu caso, a excelência na prestação dos serviços
educacionais, na pesquisa e na extensão. Segundo Balbridge (1982)
organizações universitárias podem diferenciar-se
das outras organizações empresariais ou não, principalmente
pela característica única do seu quadro de pessoas, ou seja,
a atividade-fim deste tipo de organização é realizada
por profissionais altamente qualificados e especializados, sendo comum
encontrar no nível operacional pessoas com maior qualificação
que no nível institucional, invertendo a visão natural da
pirâmide organizacional.
Estes profissionais qualificados são treinados para desempenharem
suas atividades com autonomia e, para alcançarem êxito no
processo ensino-aprendizagem. Para tanto são necessários
um ambiente de criatividade e intensa interação.
Entendemos que as organizações de ensino superior não
diferem muito das organizações de qualquer área,
exceto na missão específica, na sua finalidade, nos seus
valores e na sua contribuição para com a sociedade.
A instituição de ensino superior privada é uma organização
formal complexa, cujo insumo e produtos são humanos e que difere
das demais em relação a algumas características como
a ambigüidade de metas, a prestação de serviço
a uma clientela exigente, a tecnologia problemática e o emprego
de profissionais especializados, assegura Baldridge (1982). A partir deste
contexto, a organização universitária privada é
entendida como um sistema estruturado que se apóia nas oportunidades
do mercado presente e futuro, têm uma competência distinta,
se apossa dos recursos disponíveis e das aspirações
e valores dos gestores. Contudo, ela se mostra de acordo com a perspectiva
compartilhada pelos membros que a compõe. Desta forma, como qualquer
outro tipo de organização privada, a organização
universitária deve centrar seu foco na missão, basear-se
nos valores e orientar-se pelos dados demográficos.
A importância dada aos valores conduz ao conceito de valores compartilhados
ou de congruência de valores, isto é, a coincidência
na percepção dos valores organizacionais entre todos ou
entre vários membros da organização. Este processo
ocorre quando os funcionários orientam-se por um mesmo conjunto
de valores, sendo que, estes valores tenham relevante importância
para os padrões de funcionamento da organização.
As alterações cada vez mais aceleradas deste conjunto de
valores traduzidas em mudanças freqüentes e profundas nas
tecnologias, maior velocidade de transmissão de informação
e transportes que acompanham e promovem a globalização da
concorrência, veio chamar a atenção para a necessidade
da construção de competências distintivas a partir
de recursos dificilmente imitáveis.
Acreditamos que a Aprendizagem Vivencial pode colaborar para evidencias
estas competências distintivas. Estas competências são
as habilidades que um profissional adquiriu em suas experiências
pessoais (como na prática de esportes e de hobbies ou em viagens)
e que ele leva, indiretamente, para sua vida profissional. Importa, assim,
definir estratégias que aproveitem e valorizem estas competências,
o que significa que a questão principal está, agora, em
avaliar as potencialidades internas e, a partir delas, tendo em conta
as características do meio envolvente, construir caminhos próprios
que podem ser inovadores.
Estas competências distintivas foram trabalhadas na Aprendizagem
Vivencial por David Kolbe que, a partir de suas idéias, uma enorme
quantidade de seguidores surgiu, inicialmente nos Estados Unidos e posteriormente
no resto do mundo. E todas as aplicações, estudos, pesquisas,
teses concentram-se no campo do ensino de Administração,
Contabilidade e Economia. A demonstração da influência
e do impacto da aprendizagem vivencial no ensino de administração,
além da vasta literatura a respeito, foi a criação
da Association for Business Experiential Learning (ABSEL) que congrega
professores, estudiosos e aplicadores da aprendizagem vivencial em praticamente
todas as áreas de ensino de administração: Finanças,
Pesquisa, Marketing, Recursos Humanos, Produção.
Se analisarmos o que Kolb escreveu a respeito de Aprendizagem Vivencial
veremos que as raízes de suas idéias estão em Carl
Rogers (ensino não diretivo) e Malcolm Knowles (Andragogia). O
grande mérito de Kolb foi colocar na prática de forma operacional
as idéias desses dois seus antecessores.
A Aprendizagem Vivencial é uma abordagem educacional que envolve
de forma ativa o aluno no processo de aprendizagem. A mais simples conceituação
do que seja aprendizagem vivencial é de que ela abrange todo material
em que os indivíduos "aprendem fazendo".
Na verdade a aprendizagem vivencial não se resume somente em "aprender
fazendo"; ela implica em mudança de comportamento e para bem
compreender este aspecto de mudança a melhor maneira é analisar
as etapas da aplicação de um exercício de aprendizagem
vivencial:
1o - O aluno é solicitado a descrever como ele agiria ou como deveria
agir em uma dada situação (esta é uma etapa opcional).
2o - O aluno é colocado numa situação que deve agir,
isto é, tomar uma decisão, desempenhar um papel ou analisar
fatores relativos a situação dada.
3o - A experiência do aluno na etapa 2 é analisada. Como
foi seu comportamento na situação; como ele se sentiu?
4o - É feita uma comparação entre a forma de agir
que era esperado (da
etapa 1) e a ação real (da etapa 3).
5o - É sugerido pelo facilitador (professor) uma abordagem alternativa
e dada ao aluno a oportunidade de experimentar a alternativa sugerida
(também opcional esta etapa).
6o - O grupo (a classe) e o facilitador (professor) auxiliam a apoiar
o aluno no momento em que ele está experimentando a alternativa
(nova abordagem ou nova idéia). Esta etapa, também opcional,
pode se realizar através de discussão de grupo e leituras
extras que tratem da situação vivencial. Essas experiências
tendem a sensibilizar os alunos para discussões e leituras subseqüentes
na medida em que induzem-nos a buscar uma "resposta" para seu
problema.
7o - O aluno avalia a nova abordagem (idéia) e faz planos de ação
futura quando se defrontar com uma situação similar.

Figura 4: Alunos do Curso de Graduação
em Administração na Aprendizagem Vivencial
Da análise das etapas acima, podemos sintetizar que a aprendizagem
vivencial significa que uma pessoa (aluno) define (para si próprio),
como ele iria (ou deveria) agir numa dada situação; é
colocado na situação em que deve agir (fazer algo); analisa
como agiu e como se sentiu após a ação4 comparar
a diferença entre o que ele achava previamente que deveria ser
ação e a ação tomada efetivamente. Após
fazer a comparação (e constatar a discrepância) o
aluno considera uma abordagem diferente (oferecida pelo facilitador ou
pelo grupo) e avaliar essa nova alternativa.
Desta forma, a Aprendizagem Vivencial não se resume em somente
"fazer", ela envolve execução, comparação,
avaliação de uma nova alternativa e recebimento de apoio
(ou reforço), para criar a mudança de comportamento do aluno.
No ambiente de Aprendizagem Vivencial o aluno é engajado ativamente
na execução de uma tarefa (exercício, decisão,
etc.) para a qual existe uma meta fixada e ele aprende tanto com a execução
da tarefa, como também com a avaliação da sua performance
pela comparação dela com uma norma ou teoria apropriada.
Os resultados de um exercício de Aprendizagem Vivencial são
em grande escala determinados pelo desempenho do professor ou facilitador.
O papel do professor no exercício da Aprendizagem Vivencial deriva
fundamentalmente de postura de centralizar o processo na "aplicação"
ou seja, "centralizado nas habilidades".
Isto implica numa dramática e radical mudança em relação
à postura tradicional que é a do processo de aprendizagem
centralizado na teoria. O professor vivencial seria melhor descrito como
um integrador e facilitador do processo.
Para realizar essa função integradora o professor deve:
1. Encorajar a discussão e integração grupal. Como
os alunos aprendem tanto com o professor como seus companheiros, o envolvimento
dos participantes é um pré-requisito para o processo da
experiência de aprendizagem vivencial.
2. Desenvolver um clima educacional em que os alunos aprendem novos comportamentos
ao realizarem exercícios vivenciais.
O ambiente de aprendizagem vivencial deve incluir a oportunidade para
que o indivíduo adquira e reforce novos padrões de comportamento
através da prática desses padrões com a liberdade
e segurança de uma situação de aprendizagem. Neste
sentido, o papel do professor envolve a demonstração e o
reforço do comportamento desejado nos alunos; abrangem também
lhes proporcionar encorajamento, orientação e direcionamento
enquanto estão no processo de aprendizagem. O professor deve agir
como um recurso da aprendizagem, um consultor do grupo e deve facilitar
a aprendizagem através da teoria e da experiência.
Como um facilitador do processo nas situações de aprendizagem
vivencial, o professor deve assegurar que essa aprendizagem ocorra em
dois níveis. O primeiro nível é o de "conteúdo"
de exercício vivencial, isto é, todas as atividades e material
de leitura que o grupo deve conhecer para que possa posteriormente reconstruir
e refletir sobre o que ocorreu no exercício. O segundo nível
é o "processo" através do qual o exercício
é realizado. Isto implica não só no que foi falado
e por quem foi falado, mas também em como e porque foi falado e
nas conseqüências das afirmações feitas.
Cada vez mais o sucesso depende de outros fatores além da inteligência
e espírito de trabalho. Neste sentido, acreditamos que a Aprendizagem
Vivencial pode colaborar para as relações interpessoais,
a capacidade de trabalho em grupo, a capacidade de ouvir e de se colocar
na posição de outros. A capacidade de ouvir a nossa consciência
tornou-se fundamental num mundo cada vez mais ligado por redes e em que
cada vez mais o trabalho é tarefa de uma equipe. Enfim, para ter
sucesso, alem de inteligência "intelectual" é necessário
ter também competência emocional.
VI - Considerações finais
Todo grupo reflete os valores originais de alguém, seu sentido
do que as coisas deveriam ser, do que elas não deveriam ser, e
assim por diante. Quando um grupo é criado, quando tem de enfrentar
uma nova tarefa ou desafio, a primeira solução proposta
tem a ver com as próprias maneiras individuais de quem propõe
uma solução bem-sucedida, em termos do que funciona ou não,
do que dá certo ou não. Estes indivíduos que prevalecem,
que podem influenciar o grupo a adotar certas abordagens aos problemas,
irão posteriormente ser identificados como líderes ou fundadores,
mas o grupo como um grupo ainda não tem nenhum conhecimento partilhado,
pois ele ainda não tomou uma ação comum em resposta
aos novos problemas. Todavia, o que quer que seja proposto, isso só
será um valor quando assim for visto a partir da óptica
do próprio grupo. Até que o grupo tenha tomado alguma ação
conjunta e seus membros tenham observado as conseqüências dessa
ação, não há nenhuma base partilhada para
determinar o que é factual e o que é real.
Se o gestor convencer o grupo a agir com base na crença dele e
se a solução do gestor funcionar e se o grupo tiver uma
percepção partilhada desse sucesso, então o valor
percebido de uma proposta de solução gradualmente começa
um processo de transformação cognitiva. Primeiro, ele será
transformado num valor partilhado ou crença, e, em última
instância, numa pressuposição partilhada - no caso
de a ação baseada nesse valor continuar a dar certo, a funcionar.
Se o processo de transformação continuar a ocorrer - e só
irá funcionar se a solução continuar a dar certo
- os membros do grupo tenderão a esquecer que, no início,
a proposta do líder ou do fundador ou do gestor estava aberta à
discussão e à contestação, irá se tornar
cada vez mais tomada por garantida. Mas nem todos os valores são
passíveis a esta transformação. Somente aqueles valores
que são suscetíveis a uma validação social
e física e que continuam a funcionar bem na solução
de problemas do grupo serão transformados em pressuposições
de base.
Entendemos que certos valores são confirmados apenas pela experiência
social partilhada de um grupo. Tais valores tipicamente envolvem as relações
internas dos grupos, onde o teste acerca de se elas funcionam ou não
é o quão confortáveis e livres de ansiedade os membros
do grupo se sentem quando se mantêm fiéis a eles. Nestes
domínios o grupo aprende que certos valores, do modo como foram
inicialmente proferidos pelos líderes e fundadores, funcionam no
sentido de reduzir a incerteza nas áreas críticas do funcionamento
grupal. E, como elas continuam a funcionar, elas gradualmente se transformam
em pressuposição não-discutíveis que permanecem
inconscientes e são explicitamente articuladas uma vez que servem
à função normativa ou moral de guiar os membros do
grupo a lidar com certas situações-chave e em ensinar os
novos membros a como se comportarem.
Mas se estes valores não forem baseados em aprendizagem prévia,
eles podem refletir apenas os valores desposados, que predizem muito bem
o que as pessoas dirão numa variedade de situações
mas que podem não estar sintonizadas com o que elas realmente fazem
em situações onde aqueles valores deveriam, na prática,
estar operando. Assim, uma empresa pode dizer que valoriza as pessoas
e que tem padrões de alta qualidade para seus produtos, mas seus
registros sobre isso podem contradizer o que ela diz.
Se esses valores são razoavelmente congruentes com as pressuposições
de base, então a articulação daqueles valores numa
filosofia de operação pode ser útil para manter o
grupo unido, servindo como uma origem de identidade e missão central.
Mas ao se analisar os valores deve-se discriminar cuidadosamente entre
aqueles que são congruentes com as pressuposições
de base e aqueles que, na verdade, são ou racionalizações
ou somente aspirações para o futuro. Freqüentemente,
tais listas de valores não são padronizadas, às vezes
são até mesmo mutuamente contraditórias, e freqüentemente
são inconsistentes com o comportamento observado. Amplas áreas
do comportamento são freqüentemente deixadas inexplicadas,
deixando-nos com um sentimento de que compreendemos um pedaço da
cultura mas ainda não temos a cultura em mãos. Para alcançar
esse nível mais profundo de compreensão, para decifrar os
padrões, e para predizer os futuros comportamentos deste discente
do Curso de Graduação em Administração, temos,
também, de modo correto, entender que, hoje, os recém-formados
fracassam menos por sua qualificação profissional e mais
por questões de personalidade, pois a falta de competência
social prejudica o sucesso profissional mesmo de jovens altamente qualificados.
Enfim, este Case propõe a Aprendizagem Vivencial como facilitadora
do ato de pensar e diz respeito à utilização da emoção
como um sistema de alerta que dirige a atenção e o pensamento
para as informações (internas ou externas) mais importantes.
O controle reflexivo presente na Aprendizagem Vivencial é importante
no processo de Ensino e Pesquisa em Administração, pois
se refere, então, à capacidade de tolerar reações
emocionais, agradáveis ou desagradáveis, compreendê-las
sem exagero ou diminuição de sua importância, controlá-las
ou descarregá-las no momento. Pensar em modificar tais relações
passa então a ser uma tarefa muito mais ampla, envolvendo a mudança
de alguns bem sedimentados e embasados alicerces sociais.
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