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Comunicação
e Responsabilidade Social
Comunicação
no Terceiro Setor
Assessoria
de Imprensa / Relacionamento com a mídia
Comunicação Interna
Publicidade/Marketing
Comunicação
e Cultura Organizacional
Comunicação
e Crise nas organizações
Auditoria
de Imagem das organizações
Comunicação Pública (Governamental
etc)
Relações Públicas
Teoria/Prática
da Comunicação Empresarial
Diversos
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Comunicação Pública (Governamental
etc)
• Comunicação
• Artigo
• Case
• Resenha
Artigo
A divulgação da imagem de um Prefeito: o trabalho
das Assessorias de Imprensa das Prefeituras da Região Metropolitana
de Campinas
Aurea Regina de Sá é formada em Jornalismo
pela Universidade Metodista de São Paulo. É pós-graduada
em Gestão da Comunicação Pública e Responsabilidade
Social pela Metrocamp/Campinas-SP. É professora universitária
nas Faculdades Hoyler, em Hortolândia/SP. É consultora de
Media Training e diretora executiva do Escritório de Comunicação,
em Campinas.
Resumo
Este artigo pretende analisar o papel que tem exercido
o assessor de imprensa da esfera pública municipal nos dezenove
municípios da Região Metropolitana de Campinas. Os dados
expostos compõem o resultado de uma pesquisa quantitativa, distribuída
aos gestores da comunicação nas administrações
municipais. Um questionário, com dezessete perguntas, buscou conhecer
a estrutura das Assessorias de Imprensa e as tarefas executadas pela equipe
que comanda a área da Comunicação, além de
compreender as ações estratégicas aplicadas em favor
da divulgação da imagem do prefeito. Com caráter
apenas ilustrativo, o artigo apresenta os resultados de uma coleta das
reportagens acerca das prefeituras nos dois maiores jornais impressos
da região, o Correio Popular e o Todo Dia, para medir a freqüência
em que os assuntos são aproveitados nas redações.
Palavras-chave: assessoria - imprensa - pública
As estratégias de Comunicação
A imagem é o "calcanhar de Aquiles" de qualquer político.
A expressão, sinônimo de "o ponto fraco de alguém",
é uma metáfora que nasceu de uma lenda egípcia, e
cabe como uma luva na realidade de todo aquele que, de alguma maneira,
se envolve com o poder. A simbologia leva à discussão sobre
a vulnerabilidade de pessoa ou instituição que buscam visibilidade.
O provérbio português ajuda a ilustrar a explicação:
"quem está na chuva, é para se molhar". Apesar
de popular, a frase ainda causa estranheza a novas e antigas personalidades,
principalmente do meio político. A busca em vão da particularidade,
do espaço privativo e do momento exclusivo, sem a interferência
da sociedade por meio da mídia, serve de medida para avaliar o
grau de exposição e a responsabilidade do papel que exerce
o personagem. Nesse cenário, não cabe a declaração
infeliz do "nada a declarar", já repetida várias
vezes. É fato que, na vida pública, tudo se mistura. A imagem
natural de um governante é confundida com o juízo feito
sobre a imagem profissional que ele constrói. Por isso a expressão
"construção da imagem", tão usada por marqueteiros
e consultores políticos, tenta convencer de que uma figura deve
ser criada, produzida ou maquiada. Por vezes, a imagem que se quer ter
está longe de coincidir com a verdadeira e merece um investimento
estratégico para atender ao público, objeto do trabalho.
Mas tem que haver cuidado na forma de "arranjar" ou "manipular"
a fotografia desejada. A falta de escrúpulos, ao estilo daquele
que se imagina impune, pode acarretar uma série de conseqüências
desastrosas, motivadas pela imagem arranhada.
Atualmente, é raro o discurso do tipo "o brasileiro tem memória
curta". O crescente aculturamento da população, em
virtude do grande fluxo de informações, e o cerco da imprensa
- quase imparcial e cada vez mais investigativa - desafiam o político
a assumir postura digna diante dos eleitores que o contemplaram com a
vitória. A resposta a deslizes arquitetados aparece nas urnas,
sem deixar dúvidas quanto à preferência do eleitorado.
Daí a crescente preocupação de ocupantes de cargos
públicos e seus assessores sobre os cuidados com a imagem. Livros,
pesquisas acadêmicas e treinamentos práticos mostram os erros
na forma e no conteúdo que os participantes apresentam. Mas poucos
são os que buscam a origem dos enganos para redirecionar o trabalho,
a fim de encontrar resultados mais satisfatórios.
A lição oferecida por Maquiavel há quase 500 anos
é prova de que a construção da imagem se dá
durante a campanha e também depois dela. Considerado o primeiro
consultor político da história, o pensador que viveu na
era Renascentista entre os séculos XVI e XVII, provocou polêmica
com a obra O Príncipe. Nos 26 capítulos do livro, Nicolau
Maquiavel dá as dicas de como um político ambicioso pode
se manter no poder a qualquer custo, sem valorizar a ideologia do grupo
ao qual pertence.
"Há dois métodos de luta. Um é pela lei, e
o outro pela força. O primeiro é próprio dos homens.
O segundo, dos animais. Entretanto, como o primeiro método é
muitas vezes insuficiente, deve-se aprender a usar o segundo. Um príncipe,
então, sendo obrigado a saber lutar como um animal, deve imitar
a raposa e o leão, pois o leão não sabe proteger-se
das armadilhas, e a raposa não consegue defender-se dos lobos.
O príncipe, portanto, deve ser uma raposa para reconhecer as armadilhas
e um leão para assustar os lobos." (Maquiavel, 1513)
Diante do ensinamento, o notório sábio criou o princípio
"os fins justificam os meios", repetido aos quatro cantos, para
embasar qualquer crime banal. Questões éticas à parte,
o candidato a político ou já poderoso personagem deve se
atentar às regras de comportamento: ao mesmo tempo em que levam
alguém ao poder, também podem expulsá-lo de lá,
caso estejam distorcidas do senso comum.
Para moldar, ajustar e viabilizar a imagem do político é
imprescindível que o suporte de uma equipe de comunicação
esteja disponível, com as tarefas de estruturar um planejamento,
acompanhar o processo e corrigir possíveis falhas, na busca do
objetivo de divulgar a imagem do governante. Contudo, as ferramentas utilizadas
para a exposição de um governante têm que estar de
acordo com o que prevê a Constituição Federal. Martins
(2003) "a Constituição Federal proíbe a autopromoção
de funcionários públicos, autoridades públicas e
de qualquer pessoa, enfim, com dinheiro público, seja por meio
de texto, sejam por meio de imagens ou de identidade visual". Com
o uso de diferentes produtos na área da comunicação
- jornalística, publicitária e de relações
públicas - profissionais do ramo se unem na responsabilidade de
criar e manter o conceito do que se pretende apresentar como um político
de carreira.
Embora a participação dos jornalistas seja mais recente
na área da comunicação governamental no Brasil, os
relações públicas e os publicitários já
participam da equipe de trabalho desde a ditadura militar. Segundo Mattos
(1999), "a comunicação política de então,
com o intuito de legitimar um exercício de poder específico
e um determinado projeto de desenvolvimento, utilizou-se de técnicas
de propaganda para formular o discurso ideológico". A campanha
de propaganda política do regime militar foi a mais "bem organizada,
sistematizada, ampla e total jamais vista no Brasil", de acordo com
Caparelli (1982).
Com a criação da AERP (Associação Especial
de Relações Públicas) em 1970, no segundo governo
militar, a atividade de Relações Públicas Governamental
ganhou destaque. Mattos (1999) argumenta que "essa ênfase deu-se
dentro de uma visão de comunicação institucional
que não prescindiu de caráter político-ideológico,
mas, no entanto, diferenciou-se da propaganda política mais tradicional
e conhecida até então".
As habilidades na área da comunicação governamental
se juntaram, mais recentemente, ao marketing político, matéria
obrigatória na criação da imagem de um homem público,
que entra em vigor na elaboração da campanha eleitoral e
mantém o planejamento durante o período eletivo do governante.
O investimento em comunicação se tornou uma ação
estratégica capaz de atender aos interesses da sociedade e não
somente aos governantes em busca de promoção pessoal.
As expressões "tornar público" e "publicizar"
ganharam maior clareza e entendimento, o que vem facilitando o trabalho
de jornalistas, publicitários e relações públicas
na tarefa de prestar contas e agir com transparência para se fazer
cumprir as obrigações de todo órgão público,
cujo objetivo deve ser o de conquistar confiança do seu público
alvo.
O grande desafio nessa empreitada é saber comunicar os fatos, sejam
eles de qualquer nível de importância, para satisfazer as
necessidades de informação da sociedade. A forma utilizada
para divulgar, os veículos mais adequados e outras ações
relacionadas ao marketing público são algumas das considerações
que devem ser feitas para não desperdiçar ou sub aproveitar
a notícia em destaque, porque, agora, o cidadão passou a
ser visto e tratado como cliente.
Nas esferas federal, estadual e municipal, a estrutura dos departamentos
de comunicação deixou de contemplar exclusivamente os cargos
apadrinhados para dar lugar aos profissionais do ramo, que se especializam
na arte de comunicar para o público. É o que endossa a pesquisa
realizada entre os dias 10 e 24 de março de 2005, com os gestores
da comunicação governamental das Assessorias de Imprensa
das Prefeituras da Região Metropolitana de Campinas, que abrange
19 municípios. Somente Campinas não respondeu à pesquisa,
embora tenham sido feitos cinco contatos por telefone e e-mail convidando
à participação. As 17 questões incluídas
num formulário preenchido pelo responsável da Assessoria
de Imprensa tiveram o objetivo de conhecer a estrutura dessas pequenas
redações, que trabalham em busca de espaços editoriais
nos órgãos de imprensa para divulgar as notícias
de interesse da sociedade, e que são produzidas pela Prefeitura
como resolução de pedidos feitos pela comunidade (poda de
árvores, recapeamento de ruas, reparos em prédios públicos,
etc), inauguração de obras, concessão de benefícios
e outras medidas.
A prática, segundo Torquato do Rego (1990), tem a função
de "levar à opinião pública fatos de significação
ocorridos na esfera governamental". Mas a decisão de publicar
a sugestão enviada pela Assessoria de Imprensa é sempre
do editor, que seleciona os assuntos de interesse da comunidade da área
de abrangência do veículo. Levando-se em consideração
que o noticiário local ou regional garante maior interesse de leitores,
ouvintes, telespectadores ou internautas, por causa da busca da identidade
local - aquilo que lhe é mais familiar - os assuntos relacionados
à própria cidade chamam a atenção de quem
publica e de quem lê, assiste ou vê.
Para medir o interesse das redações em relação
às sugestões de pauta fornecidas pelas Assessorias de Imprensa
das Prefeituras, a pesquisa aos jornais foi necessária. A análise
quantitativa realizada nas edições do Correio Popular e
do Todo Dia, entre os dias 21 e 28 de março de 2005, apurou somente
os cadernos de Cidades, Economia e Polícia. A escolha do período
selecionado se deve ao fato de que uma semana pode oferecer uma amostra
indicativa do que pode ser chamado de rotina normal de trabalho em uma
redação. Neste período, o jornal Todo Dia concedeu
espaço para 45 matérias sobre a cidade de Americana. O segundo
colocado é o município de Santa Bárbara D´Oeste,
que teve 26 matérias divulgadas, o que se justifica pela proximidade
com Americana, cidade sede do veículo. Pela ordem, as outras localidades
que estiveram presentes nas páginas do diário são
Sumaré, com 21 reportagens, Hortolândia, com 20, e Nova Odessa,
com 17; seguidas de Paulínia, Monte Mor e Jaguariúna, com
menos de cinco cada uma. Apesar da grande expressividade e da forte relação
sob vários aspectos com as cidades em que o jornal é distribuído,
Campinas foi citada apenas uma vez no jornal Todo dia, durante o período
pesquisado.
Já no Correio Popular, a principal mídia impressa da região,
vários assuntos sobre a metrópole são mostrados na
maior parte do jornal. A semana em que a análise foi feita registrou
66 reportagens a respeito de Campinas no conteúdo do Correio Popular.
Valinhos é a segunda cidade com o maior número de reportagens
divulgadas: 5, seguida de Indaiatuba com 4 e Nova Odessa e Hortolândia,
com apenas 3. Outras cidades, como Americana e Sumaré, as duas
maiores da RMC depois da metrópole - com mais de 180 mil habitantes
- despertaram o interesse das redações em somente duas reportagens
durante os 7 dias analisados. As cidades que tiveram menor presença
na mídia em questão foram Vinhedo, Monte Mor, Holambra,
Pedreira e Santa Bárbara d´Oeste, com apenas uma citação
em reportagem.
O volume de sugestões aprovadas pelas redações leva
em conta alguns aspectos que devem ser valorizados pelas Assessorias de
Imprensa. O primeiro diz respeito às notícias factuais,
também chamadas de duras e que podem ficar desatualizadas caso
não sejam aproveitadas no momento em que acontecem. Ao contrário,
as notícias leves não têm prazo de validade e podem
ser publicadas a qualquer momento, sem o risco de perder a atualidade.
Outro fator importante, avaliado pelo jornalista na redação,
são as notícias súbitas, que não estavam programadas,
mas devem ser aproveitadas, segundo o faro jornalístico que detecta
a importância da informação. De posse do conhecimento
de vários outros critérios de relevância, utilizados
para decidir o que pode virar notícia, o assessor de imprensa deve
desenvolver a capacidade de avaliar o fato que pode ser transformado em
notícia.
"Pode também dizer-se que a noticiabilidade corresponde
ao conjunto de critérios, operações e instrumentos
com os quais os órgãos de informação enfrentam
a tarefa de escolher¸cotidianamente, de um entre um número
imprevisível e indefinido de fatos, uma quantidade finita e tendencialmente
estável de notícias". (Wolf, 1994)
Para passar pelo funil que seleciona os assuntos de interesse e ter uma
pauta aprovada pela redação é necessária a
aplicação de um conjunto de técnicas exigidas a um
profissional de Assessoria de Imprensa da esfera pública municipal,
cuja principal função é a de expor a imagem do gestor,
enquanto figura pública, assim como em qualquer instituição
que deseja aparecer na mídia. A preocupação foi manifestada
em cem por cento das entrevistas realizadas com os assessores ouvidos.
A orientação, aprendida no dia a dia da Comunicação
Empresarial, mostra a importância de conquistar a atenção
dos jornalistas de redação para garantir o tão disputado
espaço editorial na imprensa. Para Lopes (1995), o trabalho do
Assessor de Imprensa não pode se basear num relacionamento de troca
com os jornalistas de redação.
Segundo ele, a famosa política do 'toma lá dá cá'
ainda é comum no relacionamento entre determinadas Assessorias
e redações. Sem contar os conchavos comerciais, advindos
das verbas publicitárias de administrações públicas
que mantêm a circulação de alguns veículos.
Contrário a posturas nada profissionais, o jornalista alerta: "preocupações
éticas são muitas vezes esquecidas na hora em que as pressões
acontecem e é chegado o momento de 'mostrar serviço'. Aí
a barganha se torna o caminho mais fácil para justificar investimentos".
A Comunicação como Inteligência
Organizacional
As ações na área da comunicação não
podem ser aplicadas sem um planejamento. As estratégias e os investimentos
devem ser pensados e calculados antes mesmo do início do trabalho
em qualquer organização.
Tendo em vista a troca de prefeitos em 2005, em 72% das cidades da RMC
pesquisadas - o que representa 13 municípios com novos gestores
- a expectativa é que houvesse a criação de um programa
que norteasse o trabalho das novas equipes de Assessoria de Imprensa.
Mas o planejamento estratégico não é prática
comum em todas as administrações. De acordo com a pesquisa,
em quatro das 18 prefeituras, ou seja, 22% das administrações,
o setor de comunicação não tem o hábito de
montar um plano. A realidade mostra que a Comunicação deve
ser consolidada, com urgência, como instrumento de inteligência
empresarial (lê-se também governamental), segundo (Bueno,
2003).
"Apesar da crescente profissionalização da área,
o empirismo ainda governa a maioria das ações e estratégias
de comunicação postas em prática pelas empresas ou
entidades. Evidentemente, a intuição e a experiência
são relevantes, mas é preciso incorporar a prática
de pesquisa, de desenvolvimento de metodologias para mensurar resultados,
o que permitirá que se atinja um novo patamar." (Bueno, 2003)
Mas como fazer isso com Assessorias tão enxutas? Segundo a investigação
feita junto aos assessores de imprensa das Prefeituras da RMC, em sete
municípios, o que representa 38% do total das administrações,
um único jornalista, com registro profissional, é responsável
por todas ações ligadas à comunicação
com a imprensa. Apenas cinco cidades têm entre 4 e 6 jornalistas:
Americana, Indaiatuba, Valinhos, Sumaré e Vinhedo. O grau de responsabilidade
e o volume de tarefas podem comprometer o resultado do trabalho, que deve
deixar de ser "tarefeiro", em alguns casos, para ser pró-ativo
e estratégico, na busca de espaços para a divulgação
das ações das administrações.
A propósito, um aspecto que não pode ser dispensado é
a auditoria de presença na mídia, que deve servir como instrumento
básico da administração para uma política
consistente e sistemática de divulgação, segundo
Bueno (2003). Uma ferramenta que auxilia na busca de conhecimentos para
a realização da auditoria é o clipping. O recorte
das matérias, impressas ou eletrônicas aproveitadas pela
mídia, serve de informação para avaliar a eficácia
dos esforços, embora quatro das administrações participantes
da pesquisa não valorizem o instrumento (Artur Nogueira, Itatiba,
Nova Odessa e Sumaré). Bueno (2003) ensina:
"A auditoria desempenha uma função estratégica,
pois agrega informação ao trabalho de clipping, transformando
informação em conhecimento. Com base nesse trabalho, é
possível definir estratégias para posicionar/reposicionar
a imagem de uma organização perante os públicos de
interesse e a própria opinião pública, bem como identificar
oportunidades de divulgação".
De olho nos possíveis espaços editoriais dos veículos
de imprensa, que podem dar visibilidade às ações
da Prefeitura e do Prefeito, o assessor de imprensa deve aproveitar as
chances de contato. Todas as prefeituras consultadas afirmaram que acessam
os órgãos locais e regionais. Somente 30% das cidades não
comunicam fatos relevantes à imprensa nacional.
Ávida por notícias, a imprensa busca assuntos de interesse
da comunidade para a divulgação e corre dos temas que intencionam
o lado comercial. Sábio é o assessor de imprensa que oferece
o gancho certo, no momento correto. O comportamento profissional acaba
se convertendo em pontos positivos e aumenta as chances da matéria
ser publicada. As sugestões, o encaminhamento das pautas e até
a pré-produção das matérias facilitam o trabalho
nas redações, tendo em vista o enxugamento de pessoal, que
proporciona uma relação de parceria cada vez maior entre
assessor de imprensa e jornalista. O relacionamento, que vale ouro no
trabalho de Assessoria de Imprensa, deve ser preservado a fim de garantir
bons resultados na tarefa de divulgar quaisquer assuntos.
Para avaliar a eficácia do trabalho de massificação
das informações geradas pela Prefeitura é possível
também investigar o conteúdo exposto na Internet. Em apenas
duas cidades, Jaguariúna e Artur Nogueira, os sites não
são mantidos pela Assessoria de Imprensa. Nos veículos em
que os textos são de responsabilidade de jornalistas da casa, só
os de três cidades mostram a foto do prefeito (Americana, Artur
Nogueira e Vinhedo). Em cinco, apenas o nome do chefe da administração
é apresentado. Em outros cinco municípios, os sites não
trazem o nome, nem tampouco a foto do prefeito. A estratégia facilitaria
o trabalho dos profissionais de imprensa que necessitam de materiais,
como fotografias, para consulta e ou publicação.
Das 18 cidades pesquisadas, só Engenheiro Coelho não dispõe
de um site e, em três municípios, os sites estão desatualizados
(Holambra, Nova Odessa e Santo Antonio de Posse). De modo geral, os sites
das Prefeituras da RMC, alvo da pesquisa, apresentam navegabilidade complexa,
baixa qualidade técnica e comunicação visual pobre,
o que contribui para resultados incipientes no que diz respeito ao número
de acessos de internautas. A teoria está associada ao fato de que
a comunicação governamental exercida pelos jornalistas de
administração pública é dirigida ao público
em geral, na maioria desprovido de cultura ou informação.
A falta de atenção e interesse das Assessorias de Imprensa
na manutenção do conteúdo e na orientação
quanto ao lay-out dos sites pode estar relacionada ao que se chama de
"analfabetização informacional". O fenônemo
decorre da ausência de várias capacidades, como compreensão
de textos complexos, comunicação por escrito, operação
de computadores e softwares, entre outras, que exigem um grau de instrução
relativamente elevado, de acordo com Monteiro (2001). Outro fator complicador
é o que mostra o Relatório de Desenvolvimento Humano da
ONU, de 1999: menos de 7% da população mundial está
conectada à Internet, sendo que a maior parte desta parcela (90%)
reside nos Estados Unidos e em outros países industrializados.
"para o cidadão da sociedade informacional, já
não basta saber ler e escrever, ou ter aprendido algum ofício.
É preciso ter acesso à informação, saber buscá-la
e encontrá-la, dominar seu uso, organizá-la e entender suas
formas de organização, e, sobretudo, utilizá-la apropriada,
adequada e eficazmente". (Spitz, 1999)
Em busca de uma abrangência significativa, na divulgação
das notícias motivadas pelas administrações municipais,
as Assessorias de Imprensa buscam espaço em vários meios
de comunicação para estreitar as relações
entre o governo e o cidadão. Os assessores de imprensa utilizam
várias ferramentas de comunicação, além da
redação e a distribuição de press-releases,
contatos com a imprensa, cobertura de eventos da Prefeitura e criação
e manutenção do conteúdo do site. A publicação
impressa também é uma ferramenta comum nas Prefeituras pesquisadas
da RMC, exceto em Engenheiro Coelho e Jaguariúna, que não
investem na produção dos boletins. A conclusão é
que praticamente todos os canais de comunicação são
aproveitados para divulgar as ações das administrações
municipais.
A imagem do Prefeito na vitrine pública: da
visibilidade ao gerenciamento de crises
Nem mesmo as lições aprendidas com os episódios
da Schering e a pílula de farinha, da TAM e o acidente que matou
99 pessoas - entre passageiros e tripulantes - ou da Petrobrás,
com o afundamento da plataforma P 36 e a morte de 10 operadores, ensinam
o poder público a administrar as crises. Por mais esforços
empenhados na produção de cartilhas, treinamentos práticos
e reuniões rotineiras de gerenciamento, ainda há um grande
vazio entre o que deve ser feito e o que é praticado.
As falhas estão todos os dias na mídia: são declarações
mal ditas (a dupla interpretação é proposital) e
gestos infelizes. Cenas de um comportamento desajustado dão margem
a críticas, charges, piadas e escárnio por parte de eleitores
e jornalistas que se alegram a espera de uma nova trapalhada. A repetição
de erros acontece por falta de experiência de quem os pratica ou
a título de desafio e ou desprezo de quem não se preocupa
com a opinião pública.
Um exemplo clássico vem de 1882, de autoria de Willian Henry Vanderbill,
dono de uma empresa férrea nos Estados Unidos. Em resposta à
pergunta de um jornalista, ele proferiu a condenável frase: "o
público que se dane", que causa espanto a qualquer cidadão.
Nogueira (1999) acredita que "todos nós somos passíveis
de julgamento em dois tribunais: o da Justiça e o da opinião
pública".
Mesmo sem repetir o equívoco imperdoável do empresário
americano, personalidades locais têm exercitado a típica
atitude das fontes despreparadas, a soberba, provocada pela aparição
rotineira na mídia, que os expõem em uma vitrine perigosa:
de um lado, mostra e faz propaganda, e de outro, desvenda, delata e pode
conduzir à ruína, caso não haja cuidados. Toda exposição
na imprensa deve ser encarada com preocupação, porque a
repercussão pode ser positiva ou negativa. A oportunidade de criar
a identidade de quem se mostra, também pode ser a chance para o
início de uma crise. Rosa (2001) alerta para a dimensão
de uma crise que tem o poder de destruir uma reputação:
"As crises de imagem são bem particulares, pois se caracterizam
por um clima de comoção e por uma ampla difusão de
informações, através dos veículos de comunicação.
Transcorrem num ritmo e numa evolução acelerada, criando
pesadas dificuldades para aqueles que porventura estejam situados em seu
epicentro."
Na vida pública, a vigilância deve ser ainda mais rigorosa,
porque o assédio dos jornalistas é maior do que no cenário
empresarial. Mesmo os políticos mais descolados cometem gafes,
estampadas com veemência nas publicações de massa;
quem dirá os novatos. Infelizmente, poucos deles sabem que a imagem
ideal começa a ser preparada muito antes da pretensão do
candidato a um cargo político.
De forma geral, falta-lhes experiência na articulação
das idéias (raciocínio e argumentação), na
forma de expor as mensagens (oratória e vocabulário) e na
maneira de se apresentar em público (postura e figurino). É
pouco ou quase inexistente o conhecimento acerca dos bastidores do jornalismo,
para entender como funciona uma redação, o dia a dia do
jornalista, as técnicas usadas para redigir uma reportagem, e outros
macetes só entendidos a partir de um convívio maior com
os profissionais de imprensa.
O processo de aprendizado pode ser acelerado com o treinamento de mídia,
muito difundido nas organizações preocupadas em manter uma
imagem de idoneidade, credibilidade e transparência.
Nas administrações municipais, entidades alvo da pesquisa,
foi possível constatar que 14 prefeitos gostam de conceder entrevistas.
Os resultados mostram que apenas os gestores municipais de Monte Mor,
Paulínia e Vinhedo são avessos às perguntas dos jornalistas,
o que pode estar relacionado à falta de experiência, embora
dois deles (Monte Mor e Paulínia) tenham afirmado que já
participaram de treinamentos de mídia.
O envolvimento com algum tipo de curso ou palestra que habilite a conceder
entrevistas e a se relacionar melhor com os jornalistas é visto
com interesse pela maioria: treze são a favor de treinamentos nessa
área, sinal de que compreendem a importância de aproveitar,
de forma produtiva, o espaço que a mídia oferece.
E os motivos não são poucos, a começar pela gratuidade
da produção do conteúdo, já que os jornalistas
fazem a reportagem sem a cobrança de qualquer tipo de taxa. As
outras vantagens têm relação com a credibilidade e
a isenção do veículo que divulga a notícia
de interesse da fonte, diferente do espaço publicitário
que é pago e aceita qualquer texto.
No exercício da função do assessor de imprensa, nenhuma
ação estratégica de comunicação pode
ser desperdiçada a fim de expor - avaliadas as medidas - a imagem
de um Prefeito na vitrine dos jornais. O empenho de um trabalho profissional
pode vislumbrar resultados significativos na carreira política
do hoje prefeito e que, amanhã, pode se tornar Deputado ou Presidente.
Conclusão
Estrutura deficiente, poucos profissionais e muito trabalho. A constatação
da pesquisa que originou o presente artigo não foge à regra,
haja vista que a maioria dos órgãos públicos enfrenta
as mesmas dificuldades. Mas o cenário pesquisado revela um dado
surpreendente: a contratação de jornalistas profissionais
para o exercício da profissão, de acordo com a lei trabalhista.
A prática mostra a maturidade dos políticos da Região
Metropolitana de Campinas, acostumados a gentilezas incabíveis,
em anos anteriores, de promover a assessores de imprensa parentes ou amigos
sem a habilitação necessária para a função.
Os bastidores das Assessorias de Imprensa mostram que os jornalistas-assessores
executam cada vez mais tarefas, como reportagem, edição,
pauta, diagramação e outras habilidades rotineiras nas redações.
Entretanto, o volume de trabalho impede, por exemplo, o planejamento de
comunicação para organizar as estratégias de atuação.
A oferta e a utilização de várias mídias,
como jornais impressos, revistas, emissoras de tv e rádio e a Internet
faz com que a divulgação das ações do Prefeito
seja propagada também na região que cerca a cidade, sem
a limitação nos poucos órgãos do município.
O resultado do trabalho é a exposição mais efetiva
da imagem do gestor público.
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